segunda-feira, 4 de abril de 2011

Psicologia da saúde e ciências afins

Autores: Erica da Costa; Hipólito Sambo & Vicente Mazive

O ser humano, quer sozinho quer em grupo, necessita, como o ar que respira, de viver e agir em saúde e segurança, tornando-se evidente constituir um fenómeno social a preocupação pela manutenção de um estado são e seguro do indivíduo e da colectividade, e desde a sua existência, o Homem ocupa largo tempo da sua vida e despende grande parte da sua acção a organizar a sua defesa/segurança.
Como consequência disso, passou a prestar maior atenção à sua saúde e factos relacionados, criando formas de percebê-la, através de interpretações, dando lugar a ciências especializadas no tema.

O trabalho que se segue é o resultado de revisão bibliográfica sobre as ciências afins á Psicologia da Saúde: História, Educação e a Sociologia, e será dado o enfoque á contribuição das mesmas para a construção do conceito de Saúde, desde a sua construção até os dias actuais. O trabalho surge no âmbito da disciplina Psicologia da Saúde do curso Psicologia Social e das Organizações.

A Psicologia da Saúde é uma especialidade psicológica bem recente, uma disciplina que visa melhor entender os fenómenos psicológicos relativos ao estado da saúde. Ela se preocupa com a compreensão pedagógica, científica e específica da Psicologia, sustentando o objectivo de instrumentalizá-la no desenvolvimento e na preservação da saúde, na profilaxia e na cura das enfermidades, na apuração das causas e na determinação precisa das doenças que acometem os pacientes, e também na melhoria da qualidade das políticas de Saúde.

Conceitos-chave: Saúde, Saúde Pública, Psicologia da Saúde, História da Saúde, Sociologia da Saúde, Educação para Saúde


2. conceitos
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) apud Sousa (2008), Saúde é o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade, é necessário ter em conta o sujeito e a sua intersubjectividade e os seus funcionamentos afectivo, cognitivo, comportamental e social, ou seja, o sujeito, a família e o suporte social num contexto de doença, de saúde ou de situações que implicam um ajustamento psicológico, mas que não acarretam alteração do estado de saúde.
A Saúde Pública, é, também definida pela OMS apud Ferreira (1990), como sendo a ciência e a arte de prevenir as doenças, de prolongar a vida e melhorar a saúde e a eficiência mental e física dos indivíduos, por meio dos esforços organizados da comunidade, tendo em vista, o saneamento do meio ambiente com a finalidade do diagnóstico precoce e do tratamento preventivo das doenças por forma que cada indivíduo possa usufruir o seu direito á saúde e á longetividade.
Assim, segundo a OMS apud Ferreira (1990), a Saúde Pública busca o estudo e a solução dos problemas que condicionam a saúde dos indivíduos integrados no seu meio ambiente, seguindo plano e programas coordenados, baseando os seu estudo no conhecimento das causas, mecanismos de aparecimento e evolução das doenças.
Segundo Angerami (2000) a Psicologia da Saúde agrega um conhecimento educacional, científico e profissional da disciplina Psicologia para utilizá-lo na promoção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento da doença na identificação da etiologia e no diagnóstico relacionados à saúde, doença e as disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de política de saúde.
Segundo Matos (2004), o conceito da OMS, divulgado na carta de princípios de 7 de abril de 1948 (desde então o Dia Mundial da Saúde) implicando o reconhecimento do direito à Saúde e da obrigação do Estado na promoção e proteção da saúde, diz que a Saúde deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações. O campo da Saúde abrange:
A Biologia Humana (compreende a herança genética e os processos biológicos inerentes à vida, incluindo os factores de envelhecimento)
O Meio Ambiente (inclui o solo, a água, o ar, a moradia, o local de trabalho)
O Estilo de Vida (decisões que afectam a saúde: fumar ou deixar de fumar, beber ou não, praticar ou não exercícios)
A Organização da Assistência à Saúde (a assistência médica, os serviços ambulatoriais e hospitalares e os medicamentos são as primeiras coisas em que muitas pessoas pensam quando se fala em saúde. No entanto, esse é apenas um componente do campo da saúde, e não necessariamente o mais importante: às vezes, é mais benéfico para a saúde ter água potável e alimentos saudáveis do que dispor de medicamentos; melhor evitar o fumo do que submeter-se a radiografias de pulmão todos os anos, etc.).


3. Ciências afins da Psicologia da Saúde
3.1. História da Saúde
Na sociedade primitiva o homem percebeu que da vida em comunidade resultam perigos para a saúde dos indivíduos que constituem os grupos. E, daí surgem os primeiros meios para a redução desses perigos: estabelecimento de medidas, leis, práticas individuais, comunitárias e religiosas. Esses meios tinham como limitação a escassa capacidade de compreensão dos fenómenos naturais.
A Idade Paleolítica era caracterizada por pequenos grupos de caçadores e recolectores que eram nómados. Havia uma ausência de epidemias e a esperança de vida era elevada. As doenças eram resultante de factores ambientais e acidentes. O homem tinha uma visão totémica da realidade: acreditava que a doença era resultado de actuação de diferentes espíritos maléficos que deviam ser combatidos. Na Idade Neolítica a sociedade tornou-se sedentária e dependente do cultivo e da propriedade da terra; houve crescimento demográfico e deficiência nutricional dos grupos mais baixos da sociedade; introduziram-se alimentos açucarados e apareceram novas doenças e pragas. Nesta época a doença era vista como castigo divino a condutas reprováveis; Concitos de contágio e de isolamento para condutas colectivas (leprosos); Conceitos de sujidade e de pureza para a conduta individual (jejum, abstinência sexual, limpeaza, etc). Já na Idade Média, com o desenvolvimento da medicina empírica na Grécia as doenças já não são consideradas um capricho dos deuses nem matéria da magia, mas sim procesos de natureza que obedecem as leis naturais; o corpo humano dispõe de poder natural de cura que é preciso auxiliar e não contrariar durante as doenças; houve o surgimento dos primeiros hospitais e de recolhimentos; quarentenas contra a peste negra e como medida de prevenção e controlo das doenças na comunidade. No Renascimento (séc. XIII-XV) surgem as primeiras Organizações Públicas Sanitárias (conselho municipal de saúde), as primeiras medidas públicas de saúde (quarentena e lazaretos) que deram lugar aos primeiros hospitais como solução à desordem das multidões desprotegidas nas ruas.
De acordo com Carapinheiro, G. (2008) a história social das doenças nas sociedades europeias, revelam que em cada época, ''uma doença domina a realidade da experiência e a estructura das representações; trata-se da construção social da doença''. Esta construção, permite traçar o quadro da realidade social das doenças em contextos sócio-históricos precisos: conjunto de doença que tipificam cada sociedade em cada momento, distribuição social e o traçado histórico das doenças que precede a situação actual, mudança no sistema de valorização das doenças, e permite determinar os elementos de estruturação da identidade social do doente (consturção do estatuto social do doente), relação do doente com a doença (percepção, representação e experiências subjectivas e objectivas da doença).


3.2. Sociologia da saúde
A Sociologia da Saúde é o estudo do comportamento de grupos e/ou indivíduos que dizem respeito à saúde e à doença.
A interdisciplinaridade é a mais inovadora forma de melhoria no ensino, em especial, o superior. Desta maneira a Sociologia, como ciência da sociedade, penetra nas demais áreas do conhecimento científico e tenta dar a sua contribuição pela óptica do social na formação dos novos profissionais. Na enfermagem, ela entra como sociologia da saúde, tentando quebrar a visão tecnicista do processo doença- saúde.
As perspectivas médicas da saúde, da doença e do corpo dominam os discursos públicos e privados e as práticas sociais quotidianas da população – os problemas são colocados sob o olhar médico científico, ficando esses problemas sociais submetidos à racionalidade das ciências biomédicas. Assim, a medicalização tem também a ver com o modo como, através do seu discurso e das suas práticas institucionalizadas, a medicina exerce uma autoridade moral que acaba por legitimar a sua interferência na criação de ideias e valores na sociedade.
Classicamente, os estudos sociológicos sobre saúde estão mais centrados nas práticas médicas, nas relações entre médico e paciente (Martins apud Martins & Fontes, 2008). Desde os anos 7, porém, estudos vêm sendo realizados no intuito de explorar as implicações sociológicas de aspectos da saúde que extrapolam a dimensão assistencial-curativa. A articulação entre saúde e sociedade torna-se possível no momento em que se passa a questionar a definição de doença como factor meramente biológico, resgatando-se o lugar da doença na experiência humana (Rabelo, Alves e Souza apud Martins & Fontes, 2008).
Na actualidade, a presença das Ciências Sociais no campo da saúde é essencial por diferentes razões: corroboram no entendimento das mudanças nos padrões de mortalidade e sua relação com hábitos e comportamentos; permitem compreender a dinâmica das condições crônicas, promovendo trabalho multidisciplinar e intersectorial; explicitam a composição multicultural e multi-étnica das sociedades e auxiliam na construção de competências no campo da comunicação, negociação e motivação; ajudam na identificação de fatores estressores e no desenvolvimento de estratégias de ação sobre fatores físicos, psíquicos, culturais e ambientais; e promovem a humanização no cuidado de pacientes e nas relações de trabalho (Barros & Nunes, 2009).
Até o fim dos anos 1980, enfatizavam-se possibilidades de aproximação da Sociologia com a Medicina, com a perspectiva de uma Sociologia na Medicina, desenvolvida nas escolas médicas, e outra da Medicina, produzida nos departamentos de Sociologia. Na década de 1990, outras sociologias apareceram, de forma que a sociologia médica deu espaço para a sociologia: da enfermagem, da saúde e doença, dos cuidados em saúde, dos serviços de saúde e das práticas alternativas e complementares.


3.3. Promoção da Educação para a Saúde
A Educação para a Saúde é um processo de capacitação, participação e responsabilização dos indivíduos que consiga potenciar a percepção individual de competência, felicidade pessoal e valor próprio, quando a escolha é adoptar e manter estilos de vida saudáveis. A Educação para a Saúde não se pode limitar a adoptar uma abordagem específica da doença, nem privilegiar apenas a sua informação ou as suas características instrumentais. Implica uma resposta organizada do sistema no sentido de permitir que esta educação para a saúde tenha repercussão na vida dos jovens, no seu quotidiano, nomeadamente tornando acessíveis cenários e contextos promotores de saúde. Numa perspectiva de Educação para a Saúde, considerando vários comportamentos associados à saúde (cuidados de saúde primários, alimentação, prevenção de consumos, prevenção de comportamentos sexuais de risco, prevenção do sedentarismo, promoção da competência pessoal, promoção de relações interpessoais gratificantes), a eficácia na modificação de comportamentos no sentido da adopção de um estilo de vida saudável passa por (1) compreensão da história “natural” dos comportamentos visados; (2) identificação de determinantes pessoais, sociais, situacionais, ambientais e políticas modificáveis; (3) desenvolvimento de estratégias para a modificação destes comportamentos, quer através de mudanças no indivíduo (cognitivas, emocionais, motivacionais, comportamentais), quer através de mudanças no envolvimento físico e social.

Para Matos (2004) o conceito de Promoção da Saúde inclui a ideia de que a Saúde pode desenvolver-se ao longo do ciclo da vida e que esta evolução é qualitativa.
Inclui ainda a ideia de que a saúde é um processo (e não um estado) que tem a ver com a interacção do organismo com o seu ambiente físico e social. Assim, o homem passa a ser visto como um sistema auto-organizado e autoconstruído, que inclui funções biológicas, de gestão (identificação de problemas, decisão, controlo), de manutenção (alimentação e bebida,) e excitatórias (atenção, emoção, motivação), cuja compreensão é inseparável do ambiente físico e social por onde transita.
A Promoção da Saúde é um processo que visa dar às pessoas informações e conhecimentos das suas capacidades pessoais (genéticas, físicas e psíquicas) que lhes permitam rentabilizar o seu capital próprio numa perspectiva de aumentar o seu controlo sobre os determinantes da sua saúde e assim melhorar a sua saúde e a sua qualidade de vida; a qualidade de vida é, neste contexto, a percepção por parte dos indivíduos de que (1) participam na gestão das suas vidas e da sua saúde, (2) as suas necessidades estão a ser satisfeitas e (3) não lhes estão a ser negadas oportunidades de alcançar felicidade e satisfação, não obstante o estado físico de saúde, ou condições sociais e económicas, a participação/ comportamento dos indivíduos é essencial neste processo (OMS, 1986).

Um comportamento de saúde é qualquer actividade, desenvolvida por um indivíduo, qualquer que seja o seu estado de saúde real ou percebido, com o objectivo de promoção, protecção ou manutenção da saúde, quer esse comportamento seja ou não objectivamente eficiente para o fim (OMS, 1986), e existem dois tipos de comportamento de promoção de saúde: comportamentos de risco que são formas específicas de comportamento associadas ao aumento de susceptibilidade a uma doença específica ou à «doença-saúde» (OMS, 1986); são usualmente definidos como “perigosos” com base em dados epidemiológicos e dados psico-sociais, e comportamentos de protecção aqueles que têm um efeito minimizador de situações de risco.
É possível argumentar que quase todos os comportamentos ou actividades de um indivíduo têm impacto no seu estado de saúde. Como comportamentos prejudiciais para a saúde temos, por exemplo, tabagismo, alimentação rica em gorduras, ingestão de grandes quantidades de álcool, consumo de substâncias psicopáticas ilegais, ou fora de um contexto de vigilância médica. Como comportamentos de protecção da saúde temos, lavagem dos dentes, uso de cinto de segurança, prática de actividade física, procura de informação relacionada com a saúde, realização de exames médicos de rotina regulares, adequado número de horas de sono por noite.

O estudo dos comportamentos dos indivíduos ligados à saúde e os factores que os influenciam é essencial para o desenvolvimento com qualidade de políticas de Educação para a Saúde, para a Promoção da Saúde e para programas e intervenções nos indivíduos e nas comunidades. A promoção da saúde representa um amplo processo social e político, que inclui não só acções dirigidas ao fortalecimento das competências pessoais e sociais dos indivíduos, mas também acções dirigidas à alteração das condições sociais, ambientais e económicas, mas também dirigidas a minorar o seu impacto na saúde pública e individual. A promoção da saúde tem a ver com a tomada de medidas no dia-a-dia, quer a nível individual quer a nível colectivo.


4. Relação entre Psicologia da Saúde e Ciências afins
Antes de falar da interdisciplinaridade é importante saber o conceito de Saúde. Define-se saúde como o estado do bem estar bio-psico-socio-economico do individuo. De acordo com Scliar (2007), o conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito. Com isto, nota-se que a Psicologia da Saúde, é bastante complexa porque ela tem que se afiliar a outras áreas de modo a criar um conhecimento mais sólido acerca da saúde.

Várias disciplinas têm surgido com o propósito de compreender o ser humano no seu todo, como uma entidade completa, uma engrenagem onde tudo se interliga, nada pode ser desagregado. A Psicologia da Saúde é igualmente um fruto desta tendência mundial, pois busca contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mentalmente saudável, conquistando um ponto de vista holístico, ou seja, bio-psico-social, de cada ser, percebendo-o como peça essencial para uma melhor qualidade da "vida em sociedade.
Este campo do conhecimento resgata a visão do Homem como um todo, no qual é impossível dissociar a mente do organismo.

Segundo Ogden (1999), a Psicologia da Saúde justifica a sua pertinência argumentando «que os seres humanos devem ser vistos como sistemas complexos» e que para uma compreensão das causas e do tratamento da doença é necessário considerar «uma multiplicidade de factores e não um único factor causal» propondo uma abordagem biopsicossocial de saúde.
A Psicologia da Saúde tem como ciências afins a Sociologia, a Medicina, Economia, a Antropologia e outras. Neste sentido, a Psicologia da Saúde surge como uma área de intervenção psicológica que não só inclui a saúde física e a saúde mental como, também, abrange todo o campo da Medicina e o transcende, em direcção aos factores sociais, económicos e culturais relacionados com a saúde e a doença.


5. Conclusão
Saúde é o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas ausência de doenças ou enfermidade.

Com o desenvolvimento da medicina empírica na Grécia, na Idade Média, as doenças já não são consideradas um capricho dos deuses nem matéria da magia, mas sim procesos de natureza que obedecem as leis naturais; o corpo humano dispõe de poder natural de cura que é preciso auxiliar e não contrariar durante as doenças; houve o surgimento dos primeiros hospitais e de recolhimentos; quarentenas contra a peste negra e como medida de prevenção e controlo das doenças na comunidade.

Os estudos sociológicos sobre saúde estão mais centrados nas práticas médicas, nas relações entre médico e paciente (Martins apud Martins & Fontes, 2008). Desde os anos setenta, porém, estudos vêm sendo realizados no intuito de explorar as implicações sociológicas de aspectos da saúde que extrapolam a dimensão assistencial-curativa. A articulação entre saúde e sociedade torna-se possível no momento em que se passa a questionar a definição de doença como fator meramente biológico, resgatando-se o lugar da doença na experiência humana.

O conceito de Promoção da Saúde inclui a ideia de que a Saúde pode desenvolver-se ao longo do ciclo da vida e que esta evolução é qualitativa. Inclui ainda a ideia de que a saúde é um processo (e não um estado) que tem a ver com a interacção do organismo com o seu ambiente físico e social.

A Psicologia da Saúde tem como ciências afins a Sociologia, a Medicina, Economia, a Antropologia e outras. Neste sentido, a Psicologia da Saúde surge como uma área de intervenção psicológica que não só inclui a saúde física e a saúde mental como, também, abrange todo o campo da Medicina e o transcende, em direcção aos factores sociais, económicos e culturais relacionados com a saúde e a doença.

6. Referências bibliográficas
Angerami, V. (2000). Psicologia da Saúde: Um novo significado para a prática clínica. Cenage Learning Edições: São Paulo.
Barros, N. F. & Nunes, E. D. (2009). Sociologia, Medicina e a construção da Sociologia da Saúde. Rev Saúde Pública 2009;43(1):169-75
Carapinheiro, G. (2008). A saúde no contexto da Sociologia. Lisboa: Centro de Investigação e Estudos de Sociologia- CIES
Ferreira, T. (1990). Moderna Saúde Pública. (6ª ed.). s/l: Fundação Calouste Gulbenkian
Martins, P. H. & Fontes, B. (2008). A sociologia e a saúde: caminhos cruzados. Recife:UFPE
Matos, M. G. (2004). Psicologia da Saúde, Saúde pública e Saúde Internacional. Disponível em http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v22n3/v22n3a03.pdf
Ogden, J. (1999). Psicologia da saúde. Lisboa: Climepsi Editores
Scliar, M. (2007). História do Conceito de Saúde. Rio de Janeiro: Physis
Souza, G. (2008). Psicologia da Saúde. Acessado de:(http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=991), em 28 de Março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Especificação do projecto

Quadro lógico é uma representação hierárquica do projecto. Mostra-nos como identificar as actividades que devem ser executadas para iniciar e terminar o projecto. Tem-se uma meta e diversos objectivos que deverão ser expressos em termos de actividades e trabalho. A técnica para elaborar quadro lógico irá simplificar os mais complexos projectos em actividades e tarefas que podem ser planeadas e executadas com confiança. Quadro lógico é a base para a definição, planeamento, e organização detalhada do ciclo de vida da gestão do projecto. É o documento que guiará o resto do projecto.

Identificar as actividades do projecto
Para executar e planear um projecto complexo, é importante ter uma meta geral e vários objectivos. Cada objectivo terá um número de actividades discretas, identificáveis separadamente. Estas actividades definem o trabalho que deverá ser feito para atingir os objectivos. Estes devem ser especificos e formulados de forma a serem facilmente mensuráveis, e a sua conclusão facilmente verificável.

Quadro lógico
De todos os métodos disponíveis para definir as actividades que compõem o projecto, o que tem sido usado e que tem resistido ao teste do tempo é o WBS. O WBS envolve a previsão do projecto como uma hierarquia de meta, objectivos, actividades, subactividades, e pacotes de trabalho. A decomposição hierárquica das actividades continua até todo projecto ser exibido como uma rede de actividades identificadas separadamente e não sobrepostas. Cada actividade terá um único propósito, com tempo específico de duração e manejável; suas estimativas de tempo e custos facilmente derivadas, entregas claramente perceptíveis, e as actividades para a sua conclusão claramente nomeadas. O WBS facilita o planeamento, orçamento, marcação de horários, e o controlo das actividades para o gestor do projecto e sua equipe.

Características de um quadro lógico
Uma actividade bem definida tem as seguintes características: O seu estado e conclusão são facilmente mensuráveis; tem um evento bem definido de princípio e do fim; é familiar (pode ter sido feito anteriormente) e o tempo para a sua conclusão e seus custos associados podem ser facilmente estimados, desde as experiências anteriores com estas ou outras actividades similares; inclui tarefas do trabalho que são manejáveis, mensuráveis, integráveis, e independentes das tarefas do trabalho em outras actividades; deverá constituir um fluxo contínuo de trabalho, desde o começo ao fim; ao decidir por outras actividades que poderão ser inclusas no projecto, consideremos o seguinte: marcar a entrega de material; actividades subcontratantes que tem impacto nas actividades do projecto; disponibilidade de material, e disponibilidade e treino de pessoal.

Passos para a construção de um quadro lógico/ WBS
Não existem regras específicas para criação do WBS/quadro lógico:
Passo 1: dividir o projecto nos seus objectivos maiores de tal forma que o projecto seja inteiramente definido pelos objectivos; Passo 2: repartir cada objectivo dentro das actividades que deverão ser executadas com a finalidade de atingir o objectivo; Passo 3: para cada actividade que tenha uma ou mais características em falta, dividir tal actividade em subactividades, incluindo-as; Passo 4: repetir o passo 3 até que as subactividades tenham as características desejadas; Passo 5: as subactividades com baixo nível na hierarquia serão as bases para os pacotes de trabalho, que deverão ser executadas de forma a concluir o projecto.

Utilidades do quadro lógico
Uma das maiores utilidades é proporcionar uma visão global e detalhada do projecto. Esta rede será a maior ferramenta de controle usada pelo gestor de projecto, para avaliar o projecto actual versus o progresso planeado, e permitir que as mudanças que virão em seguida, como resultado de tal avaliação. O WBS é o mais fácil de se aprender e a técnica menos propensa a erros para representar as diversas tarefas que compõem até os projectos mais simples.

Estimação do tempo de actividade (situações de elevada especulação)
Para algumas actividades, os tempos de conclusão observados poderão variar consideravelmente. Para outras, até poderão ser relativamente estáveis. As razões para estas variações inclui: nível de habilidade das pessoas que estão a realizar a actividade; variações nas máquinas; disponibilidade de material, e eventos inesperados (doenças, desastres naturais, greves dos funcionários, acidentes industriais, etc).
Existe uma relação estatística de fácil uso que considera estas variações. Esta requer que obtenhamos três tempos estimados da conclusão da actividade: tempo de conclusão optimista; tempo de conclusão pessimista e tempo de conclusão provável. O tempo de conclusão optimista de uma actividade será o tempo desejado, caso tudo corra perfeitamente. O tempo de conclusão pessimista de uma actividade é o tempo requerido, se tudo que pode dar errado, der errado, mas a actividade ainda assim é concluída. O tempo de conclusão provável é o tempo requerido sobre mais situações normais. O “O” representa o tempo optimista, “P” representa o tempo pessimista e o “M” representa o tempo de conclusão provável. Vamos usar estas três estimativas para calcular o “E”, que é o tempo esperado da conclusão da actividade. Neste sentido, para cada actividade precisaremos ter estas três estimativas. Mais tarde nos nossos cálculos, ser-nos-á necessário usar a média do tempo de conclusão da actividade. Esta é uma média ponderada dos tempos de conclusão optimista, pessimista e provável. A fórmula a seguir fornece-nos essa média ponderada. Média do tempo de conclusão da actividade = E = (O+4M+P)/6.

Estimação dos custos de actividade
Existem tipicamente 4 grandes categorias de custos: Trabalho; Material; Outros (viagens, telefone, serviços, etc); Indirecta (também conhecido por topo).

Autores: Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).

Sequência das actividades do projecto

Sequência das actividades do projecto
Usando as actividades da forma como estão representadas na estrutura da subdivisão do trabalho (WBS) podemos construir a sequência em que as actividades do projecto serão realizadas. Tendo em conta que cada actividade tem um custo associado e um tempo de conclusão estimado, pode-se construir uma estimativa do custo total do projecto e seu tempo de conclusão. Um instrumento poderoso para fazer a estimativa do tempo de conclusão do projecto é a representação das actividades do projecto como uma rede de actividades interconectadas.

Identificar actividades críticas
O uso mais importante da rede é de determinar o tempo requerido para concluir o projecto e que tais actividades do projecto são críticas ao projecto que está sendo completado no cronograma. A sequência das actividades que faz o caminho mais longo é conhecido como O caminho crítico. Se as actividades no caminho crítico estão indo bem, o projecto permanecerá no cronograma. Porém, se qualquer das actividades levar mais tempo que o estimado, o tempo da conclusão do projecto será prolongado. Neste caso, o gestor tentará obter recursos adicionais para as actividades do caminho crítico para restaurar o projecto para a sua data de conclusão original.

Tempos de inicío e de conclusão da actividade
Tempos de início e de conclusão prematuros: o tempo de início prematuro (IP) para uma actividade é aquele em que todas actividades predecessoras dessa actividade foram completadas e a actividade de assunto pode iniciar. O tempo início prematuro duma actividade não tendo predecessor é arbitrariamente fixado a zero. O tempo de conclusão prematuro (CP) duma actividade é igual ao seu tempo IP somado ao tempo estimado de conclusão. O tempo início prematuro duma actividade que tem uma actividade predecessora é o tempo CP da actividade predecessora. O tempo IP de actividades tendo duas ou mais actividades predecessoras é o máximo dos tempos CP das actividades predecessoras.
Tempos de Início e de Conclusão Tardios: os tempos de início tardio (IT) e da conclusão tardia (CT) duma actividade são os tempos tardios em que uma actividade pode iniciar (IT) ou ser concluída (CT) sem aumentar o tempo da conclusão do projecto. 1º fixa o tempo CT da última actividade na rede ao tempo CP dessa actividade. O tempo IT dessa actividade é igual ao seu tempo CT menos o seu tempo estimado de conclusão. O tempo CT de todas actividades predecessoras imediatas é o mínimo dos tempos IT de todas as actividades para as quais é predecessor.

Fixação do caminho crítico
Existem duas maneiras de encontrar o caminho crítico numa rede. A 1ª maneira é identificar todas sequências possíveis de actividades através da rede e computar o tempo para completar cada um desses caminhos. A sequência com o tempo de conclusão estimado mais longo será o caminho crítico. A 2ª maneira para encontrar o caminho crítico é computar outra quantidade conhecida como 0 tempo de actividade frouxo (é a soma da demora que podia ser tolerada no tempo de início ou de conclusão duma actividade sem causar uma demora na conclusão do projecto). A sequência das actividades com zero frouxo é definido como o caminho crítico.

Utilização da rede e do caminho crítico
A rede do projecto é um instrumento que o gestor do projecto e a equipa do projecto irão usar ao longo da vida do projecto. Para o gestor é um instrumento para planear, implementar e controlar. Para a equipa é um instrumento para informar os novos membros da equipa sobre o projecto e o seu estado.
Planificação (desde que a rede mostre uma interdependência entre todas actividades do projecto, permite ao gestor ver o projecto na sua totalidade).
Implementação (com o decorrer do projecto, a rede pode ser actualizada, algumas actividades vão requerer mais tempo para sua conclusão do que o tempo estimado).
Controlo (o gestor do projecto estará ciente das variações do plano e das medidas de correção apropriadas a tomar).
O caminho crítico
O tempo esperado da duração do projecto determinado através da análise do caminho crítico e da data de conclusão do projecto providencia pedaços de informação para tomar decisões administrativas. Por exemplo: a data marcada de começo e de conclusão para cada actividade; as actividades cuja conclusão deve ocorrer exactamente como programado por forma a manter o projecto no cronograma; etc.


Autores: Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).

segunda-feira, 7 de março de 2011

Proposta de projecto

A elaboração de um projecto requer entes de tudo um ambiente adequado para o desenvolvimento das idéias do grupo, requer tempo e paciência para que se possa trabalhar em conjunto, exercitando o respeito e o dom de ouvir o outro.
O presente trabalho surge no âmbito da cadeira de Concepção e Gestão de Projectos com o intuito de analisar, estudar e explicar com base na informação recolhida aspectos inerentes ao tema “Proposta de Projecto”.
Elaborar projectos é uma forma de independência. É uma abordagem para explorar a criatividade humana, a mágica das idéias e o potencial das organizações. É dar vazão para a energia de um grupo, compartilhar a busca da evolução (Kisil, 2001).
Para elaboração do presente trabalho recorreu-se a dados/informação recolhidos de diferentes fontes alternativas afim de clarificar aspectos inerentes ao tema em questão. Para organização do trabalho optou-se pela seguinte estrutura: Definição de conceitos; Propósito; Itens que podem constar na proposta; Lista de controlo da qualidade da Proposta de Projecto: Sim ou Não e Teste ácido da Proposta de Projecto.


2. O que é um projecto

Projecto é definido como um conjunto de actividades, implicando a utilização de recursos diversos, executadas para levar a cabo um determinado objectivo. Também pode ser definido como um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. De acordo com a ONU (1984) citado por Instituto Socioambiental e APREMAVI (2007), um projecto pode ser definido como um empreendimento planeado que consiste num conjunto de actividades interrelacionadas e coordenadas, com o fim de alcançar objectivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo dados.
Os projectos e as operações diferem, principalmente, no facto de que os projectos são temporários e exclusivos, enquanto as operações são contínuas e repetitivas. Os projectos são normalmente autorizados como resultado de uma ou mais considerações estratégicas. Estas podem ser uma demanda de mercado, necessidade organizacional, solicitação de um cliente, avanço tecnológico ou requisito legal. São exemplos típicos de projectos: grandes obras pontuais: (pontes, barragens, edifícios, fábricas, aeroportos, centrais térmicas, ETARs, etc.); grandes obras lineares (estradas, vias férreas, gasodutos, linhas eléctricas MAT/AT, etc.); arranques de empresas ou novos negócios; grandes reparações, manutenções.


3. Propósito da proposta de projecto

O propósito da proposta de projecto é de providenciar:
Uma declaração da necessidade a ser resolvida, a aproximação geral sendo executada, e os benefícios resultantes que são esperados;
Uma descrição completa das actividades do projecto, timeline, e os requisitos do recursos necessitados pela administração para decidir se o projecto pode proceder à fase da implementação;
Um instrumento dinâmico para o gestor do projecto e a equipa do projecto para utilizar na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projecto;
Um documento de referência para o controlo da gestão;
Uma assistência sumária e treino para os novos membros da equipa do projecto; e
Um documento sumário para os outros na organização que precisam estar cientes dos detalhes do projecto.
A proposta é claramente o documento-chave no projecto. É, simultaneamente, um instrumento de tomada de decisão, controlo da gestão, treinamento e informativo. É escrito para ser entendido e usado pela gestão sénior, gestão de projecto, membros da equipa de projecto, oustros gestores e profissionais com uma necessidade de saber.
Segundo Oliveira (2009), uma proposta simples, básica e fundamentada precisa assumir compromissos claros e objetivos. Se quem a elabora tem conhecimento da solicitação do contratante e do trabalho, não precisa ter receio de redigir compromissos e obrigações. Este receio é directamente proporcional à falta de conhecimento ou da capacidade de atender a uma determinada solicitação.



4. Itens que podem constar na proposta

Em primeiro lugar, vamos identificar e descrever cada pedaço da informação contida na proposta.
Nome do projecto: é um rótulo de duas ou três palavras que irá identificar o projecto.
Gestor do projecto: a pessoa responsável pelo projecto. É a pessoa responsável por concluir o projecto em tempo, dentro do orçamento, e de acordo com a especificação.
Actividade: é um espaço composto por 3 partes que identificam a actividade pelo número e depois por um nome curto mas descritivo dado à actividade. A terceira parte do espaço é uma descrição da actividade em sí. Será uma declaração específica em termos precisos do trabalho a ser executado.
Horário: é dado a data estimada do início e do fim de cada actividade, baseiando-se na análise da rede do projecto. Assim que o projecto progride essas datas podem mudar. Essas são as datas em que o gestor de projectoestará pronto para começar e espera completar cada actividade no projecto.
Orçamento do projecto: a informação do orçamento neste relatório é agregada ao nível da actividade. Mais informaçã pode ser providenciada como anexos se essa for a preferência da gestão do topo. Planear o orçamento é uma arte assim como ciência. Veja os seguintes cenários:
Subestimação dos custos do projecto: a administração pode evitar estimativas de custos de actividade que percebem ser altos, mas não há necessidade de ser excessivamente optimista nem pressionado a subestimar só para ganhar uma reacção favorável. A administração sénior irá desafiar sempre uma estimativa, só para ver se é defensável.
Não é incomum para os gestores de projecto com menos experiência ser muito optimistas relativamente ao tempo e aos custos. Em alguns casos tais estimativas podem ser dadas por forma a ser mais competitivas com relação a outros projectos disputando apoio da administração ou do cliente. Em alguns casos estimativas abaixo do custo podem ser feitas só para conseguir o contrato. Tratar um projecto como um líder de perda na expectativa de que mais projectos irão seguir não é uma estratégia incomum.
Superestimação dos custos do projecto: superestimação compra seguro contra atrasos inesperados e problemas que vão requerer voltar ao bem e sofrer o embaraço criado. O perigo da superestimação é que a administração não irá aprovar o projecto porque as análises do custo/benefício sugerem que aprovando o projecto não será uma boa decisão de negócio.
Estimar o orçamento
Estimativas de rendimento e despesa: muitos projectos afectam a renda. Por exemplo, o projecto pode envolver o planeamento, desenvolvimento, e distribuição do novo produto/serviço; a reposição de produtos/serviços existentes, ou a mudança de qualquer um nos passos dos passos na cadeia de logística (procuração, fabrico, inventário, distribuição); ou resolução de problema. Tudo isto terá implicações financeiras, e a administração sénior vai querer a tua melhor estimativa do impacto nas rendas e despesas antes de a aprovação ser dada.



5. Lista de controlo da qualidade da Proposta de Projecto: Sim ou Não

-------Peritos e pessoas experientes foram usados para ajudar a estimar e rever cada actividade do orçamento.
-------todas categorias de custos para cada actividade foram aestimadas (mão-de-obra, equipamento, viagem, provisões, etc.).
-------estimativas para todos custos de recursos internos foram feitas antes da necessidade ou uso dos recursos externos ser estimada.
-------estimativas de custos são realísticas e conservativas.
-------estimativas de custos são compreensivas para cada actividade; não há custos escondidos ou surpresas.



6. Teste ácido da Proposta de Projecto

1.Comparou os orçamentos em todas actividades e determinou quaisquer discrepâncias salientes.
2.A equipa central do projecto revisou os métodos de estimação do orçamento e aprovou a consistência e a objectividade.
3.O custo total do projecto foi estimado e tem a sua aprovação da necessidade razoável, nenhuma surpresa, nehuns custos ocultos, nenhuma probabilidade do custo exceder.



7. Conclusão

A proposta de projecto representa a transição de planificação (definir, plano), para implementação (organizar, controlo, encerramento). É a fundação sobre a qual o balanço do projecto assenta e a base sobre a qual todas decisões gerenciais serão tomadas.
É fundamental que na proposta do projecto constem os seguintes itens: nome do projecto, gestor, actividades, horário, orçamento do projecto (subestimação dos custos do projecto, superestimação dos custos do projecto, estimar o orçamento).
A proposta de projecto tem o objectivo de providenciar: uma declaração da necessidade a ser resolvida, a aproximação geral sendo executada, e os benefícios resultantes que são esperados; uma descrição completa das actividades do projecto, timeline, e os requisitos do recursos necessitados pela administração para decidir se o projecto pode proceder à fase da implementação; um instrumento dinâmico para o gestor do projecto e a equipa do projecto para utilizar na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projecto; um documento de referência para o controlo da gestão; uma assistência sumária e treino para os novos membros da equipa do projecto; um documento sumário para os outros na organização que precisam estar cientes dos detalhes do projecto.


8. Referências bibliográficas

Instituto Socioambiental e APREMAVI (2007). Pequeno Manual para Elaboração de Projetos Sócio-Ambientais. Acessado no dia 1 Março de 2011 em
http://www.scribd.com/doc/33386990/Manual-Elaboracao-de-Projetos.

Kisil, R. (2001). Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil. São Paulo: Global.

Oliveira, P. (2009). Proposta de Projeto. Acessado no dia 1 Março de 2011 em http://paulooliveira.wordpress.com/2009/05/19/proposta-de-projeto-ii/.

Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).5-Phase Project Management. Cambrige: Perseus Books.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Estrutura e Organização da Orientação Professional

1. Introdução
Tem se notado altos índices de rotatividade, absenteismo e insatisfação de muitos individuos nas organizações. Todos esses casos podem também, de certo modo, ter origem na falta de um bom trabalho de orientação professional.
É importante falar deste tema no contexto moçambicano porque há necessidade de se ter conhecimentos desta área para clarificar que os serviços dos psicólogos em Moçambique são tão importantes para a saúde mental e sucesso laboral quanto os serviços dos médicos para a saúde física.
O trabalho surge no ambito da disciplina de Psicologia de Orientação Professional com o objectivo de estudar e aprofundar aspectos relactivos a estrutura e organização da orientação professional. A pesquisa foi efectuada na comunidade académica para o desenvolvimento-CADE situada na cidade de Maputo.
O trabalho apresenta a seguinte estrutura: apresentação da instiuição; problema de pesquisa; justificativa; objectivos gerais e específicos; fundamentação teórica; metodologia; apresentação dos resultados; limitações; recomendações para a instituição e a conclusão.

Abreviaturas: SOEV (serviços de orientação escolar e vocacional), SOVP (serviços de orientação vocacional e profissional), SOE (serviços de orientação escolar), OP (orentação profissioanal), SOEP (serviços de orientação escolar e profissional), SOPV (serviços de orientação profissioanl e vocacional).
1.1 Problema de pesquisa
Uma boa orientação professional, através de equipamento ou material como: testes, computador e outras tecnologias de informação, estalações (três salas, uma pequena para execução do aconselhamento e aplicação dos testes, uma do tamanho médio para recepção e uma maior para reuniões e trabalhos em grupos), etc., deve ser capaz de descobrir sua real tendência professional, seus talentos naturais e traços de personalidade e determinar com precisão, o que o individuo gosta de fazer, suas habilidades e em que profissão irá se sentir realizado. É a melhor maneira de descobrir-se e descobrir o caminho para o sucesso e a felicidade.
Qual é a estrutura, organização e funcionamento dos serviços de orientação professional na CADE?

1.2 Justificativa
Uma vez que o nosso país se encontra em vias de desenvolvimento e em situações de grandes disequilíbrios sociais e surgimento de novas formas de emprego, há grandes necessidades de se conceber uma organição, estrutura e funcionamento dos serviços de orientação de modo a responder satisfatoriamente as demandas do meio escolar/profissional.

1.3 Objectivos gerais
Conhecer a estrutura, organização e funcionamento dos serviços de orientação da CADE.
1.4 Objectivos específicos
Analisar se a estrutura, organização e funcionamento da orientação é devidamente implementada.
Identificar os clientes que tem se beneficiado desses serviços.
Identificar as principais causas que levam as pessoas a procurar esses serviços.
identificar as dificuldades encontradas pelos orientadores.
Verificar o tipo de formação das pessoas que fazem as actividades de orientação.
Caracterizar a estrutura e organização de orientação.
Identificar a frequência das pessoas a instituição para se beneficiar desses serviços.
Identificar o material usado nesse processo de orientação professional.

1.5 Metodologia
Para a concepção desta pesquisa, a amostra foi constituida por dois funcionários da instituição. Os métodos usados foram entrevista semi-estruturada e revisão bibliográfica. A entrevista foi efectuada na instituição (CADE), consistiu na transcrição dos dados para facilitação da análise qualitativa dos dados.

1.6 Apresentação da instiuição
A Comunidade Académica para o Desenvolvimento-CADE é uma associação privada sem fins lucrativos, que promove o envolvimento dos jovens e da sociedade civil na luta pelo progresso da educação, saúde, meio ambiente do país através da promoção da cidadania responsável. A cede localiza-se na cidade de Maputo/Moçambique.

2. Fundamentação teórica
2.1 Definição de conceitos
Uma estrutura define do que um sistema é feito. É uma configuração de itens. É uma coleção de componentes ou serviços inter-relacionados. A estrutura pode ser uma hierarquia (uma cascata de relacionamentos um-para-vários) ou uma rede contendo relacionamentos (CDL de Barra do Garças, s/d).
De acordo com Lampeao (2009), organização é o modo como se organiza um sistema. É a forma escolhida para arranjar, dispor ou classificar objetos, documentos e informações. É também o modo como foi estruturado, dividido e sequenciado o trabalho. A estrutura de uma organização é representada através do seu organograma.
Serviço é o equivalente intangível de um bem. A prestação de serviços é uma actividade onde, em geral, o comprador não obtém a posse exclusiva da coisa adquirida (salvo o caso em que exista contrato de exclusividade). Os benefícios do serviço prestado, caso lhe seja atribuído um preço, devm ser evidentes para o comprador, ao ponto de este estar disposto a pagar para o obter.
O conceito vocacional tem sido entendido como referente à vocação. Vocação, do latim vocatione, significa acto de chamar, escolha, chamamento, predestinação, tendência, disposição, talento, aptidão. O conceito profissional é definido “como respeitante ou pertencente à profissão, ou a certa profissão”; “que exerce uma atividade por profissão ou ofício”. O conceito orientação profissional, na perspectiva psicológica significa a ajuda prestada a uma pessoa com vistas à solução de problemas relativos à escolha de uma profissão ou ao progresso profissional, tomando em consideração as características do interessado e a relação entre essas características e as possibilidades no mercado de emprego”. O conceito orientação educacional consiste em um “processo intencional e metódico destinado a acompanhar, segundo técnicas específicas, o desenvolvimento intelectual e a personalidade integral dos estudantes, sobretudo os adolescentes, orientação escolar” (Ferreira, 1986).
Orientação Vocacional é um serviço que visa disponibilizar aconselhamento de carreira, de forma individualizada, recorrendo a actividades como a avaliação psicológica e a discussão com o cliente, dos diversos detalhes da sua situação de carreira (jlagapito.net, s/d).
Segundo jlagapito.net (s/d), num processo de orientação vocacional procuram-se desenvolver essencialmente dois aspectos:
Auto-conceito do cliente (o que conheço sobre mim, que actividades desempenho bem, do que gosto, como reajo a diferentes situações)
Conhecimento da oferta do meio (que formações existem nas áreas da minha preferência, o que fazer para as obter, que actividades profissionais existem que eu goste, o que fazer para as conhecer)
No final da intervenção é entregue e/ou discutido com o cliente um relatório com a análise dos dados pertinentes no contexto do processo.

2.2 Estrutura do funcionamento dos SOEV
Segundo OCDE-Comunidades europeias (2004), uma das primeiras dimensões a ter em consideração na criação de um SOEV e na definição das suas políticas é o seu enquadramento nas normas legais nacionais que regulam este tipo de actividade. A legislação de cada país pode ser mais ou menos variável em conteúdo, extensão e pormenor mas há um conjunto de dimensões sobre as quais um SOVP deve estar informado e, para isso, deve procurar directivas legais.

2.3 Pressupostos básicos e gerais de orientação segundo a Comunidades europeias (2004), são:
A orientação deve ser realizada por conselheiros|as profissionalmente qualificados|as
As suas competências devem ser usadas com o objectivo principal de responder às necessidades de desenvolvimento vocacional e profissional dos|as seus|uas clientes.
Os|as conselheiros/as de orientação vocacional e profissional (COVP) devem:
1.Acreditar no valor e na importância da dignidade de todo e cada indivíduo;
2.Estar preocupados com o bem-estar dos|as seus|uas clientes e trabalhar construtivamente nesse sentido;
3.Ajudar os|as seus|uas clientes a funcionar de forma mais eficaz enquanto indivíduos e a serem bem sucedidos|as no seu percurso formativo e/ou profissional;
4.Contribuir para a autonomia dos|as seus|uas clientes;
5.Acreditar que os SOVP devem estar ao alcance do maior número possível de pessoas;

2.4 Princípios deontológicos
Parte-se de dois pressupostos básicos e gerais: a orientação deve ser realizada por conselheiros profissionalmente qualificados. As suas competências devem ser usadas com o objectivo principal de responder às necessidades de desenvolvimento vocacional e profissional dos seus clientes (OCDE, 2004).

2.5 Regulamento Interno
Quando um Serviço de Orientação Vocacional e Profissional está inserido numa organização e que esta possua já algum regulamento interno é fundamental que as políticas do SOVP não entrem em contradição com as políticas mais gerais da organização e é importante que se complementem. O regulamento do SOVP pode evitar a repetição de regras e de políticas que constem no regulamento geral, bastar fazer as necessárias referências ao documento mais genérico (OCDE, 2004).

2.6 Itens do plano de orientação educacional
Não há um modelo para a redação de um plano de orientação educacional. Entretanto, seria interessante, se bem que não obrigatório, que ouvesse uma certa uniformidade na apresentação dos itens do plano, o que facilitaria o trabalho não só de quem os elabora, como também de quem os consulta.
De acordo com Giacaglia e Penteado (2000), para fins de ilustração e para auxiliar o orientador no inicio de carreira propõe-se um modelo de plano, do qual constam os principais itens ou partes: Identificação e localização da escola; Delegação de ensino à qual a escola está subordinada; Nome do direitor da escola; Nome do orientador educacional; Data do plano. Datas de planos anteriores; Síntese das principais caracteristicas da comunidade e da escola; Objectivos da escola e do SOE; Estrategias e intrumentos; Cronograma; Avaliação da actuação do serviço de orientação educacional.
Nesse conjunto de itens, centrar-me-ei apenas nas estrategias de orientação. Há vários tipos de estratégias que podem ser usados em orientação. Elas devem ser escolhidas para cada situação de acordo com os objectivos propostos e com os recursos da instituição e da respectiva comunidade.

2.7 Estratégias usadas em orientação escolar e vocacional
As estratégias podem ser gerais, isto é, aplicáveis a todas as áreas da orientação ou mais especificas, isto é, mais indicadas umas áreas do que para outras. As estratégias usadas na orientação escolar e vocacional podem ser preventivas ou remediativos. Nas preventivas, trata-se geralmente de estratégias de aplicação colectivas como, por exemplo as palestra. Nas remediativas, na maior parte dos casos, situam-se as de aplicação individual como a entrevista, por exemplo (Giacaglia & Penteado, 2000). Dentre as estratégias comumente utilizadas pelo orientador, destacam-se: palestras, reuniões e entrevistas.
As palestras são recursos valiosos que podem ser usados tanto na escola como na comunidade.
Outra estratégi a usada com frequência, em âmbito escolar, é a reunião. Ela pode ser realizada com elementos ja indicados, em conjunto ou separadamente, conforme o caso, e pode ter múltiplas finalidades, de acordo com as necessidades do SOE.
Além dessas estratégias em grupo, normalmente com caráter mais preventivo. Emprega-se também a orientação individual, geralmente com caráter remediativo e sob a forma de entrevista. As entrevistas com alunos ou seus pais, poderá ser marcada por convocação do SOE ou por solicitação dos interessados. Às vezes, podem ser convocadas ou solicitadas entrevistas pelo orientador escolar com professores ou outros funcionários para tratar de assuntos específicos. Às entrevistas, sempre que possível, devem ser agendadas. É necessário que a pessoa seja informada sobre o tempo de duração das mesmas, para que haja objectividade na prestação das informações e aproveitmamento do tempo. As entrevistas precisam ser conduzidas de modo a que se chegue a resultados satisfatorios, isto é, que os objectivos pretendidos sm alcançados. Na condução da entrevista, deve-se ter uma postura adequada e somente fazer intervenções verbais oportunas. É importante que se ouça atentamente o que é dito pelo aluno, pelo pai ou responsável durante a mesma. Igualmente relevante, é prestar atenção à voz de quem fala, às mudanças de entonação e como e qundo estas ocorrem, isto é, de que a pessoa estava tratando no momento. Da mesma forma, deve-se obervar o comportamento não verbal, o que inclui a postura de quem fala, os gestos, expressões faciais, maneirismos e as mudanças de posição, conforme o assunto tratado. Às vezes, a pessoa pensa uma coisa e, conscientemente ou inconscientemente, diz outra diferente. Por este motivo, é preciso que orientador não se restrinja apenas a ouvir o que o entrevistado fala, mas analizar e registrar como ele o faz. Terminada a entrevista, deve-se fazer um registro do que foi tratado na mesma e colocá-lo na pasta do aluno, do professor ou do funcionário, conforme o caso.

2.8 Avaliação da actuação do serviço de orientação educacional
A avaliação pode ser de caráter interno, isto é, o próprio orientador levanta os dados, realiza as análises e conclui sobre os resultados ou externo, quando outros elementos (alunos, ex-alunos, professores, equipe técnica e pais) podem ser solicitados a se manifestar sobre o desempenho do SOE (Giacaglia & Penteado, 2000).

2.9 Organização dos SOVP
Para que o orientador educacional possa exercer, com eficiência possivel, as suas funções, constitui condição básica a existência de um serviço de orientação escolar bem organizado. Uma adequada organização dos servicos de orientação escolar e vocacional deve compreender os seguintes tópicos: as instalações, fichários, tipos de fichas e outros materias necessários ao trabalho do orientador escolar e vocacional (Giacaglia & Penteado, 2000).
De acordo com a Escola Brotero (2009), as funções de um orientador são de assegurar o acompanhamento do aluno, individualmente ou em grupo, ao longo do processo educativo, bem como o apoio ao desenvolvimento do sistema de relações interpessoais no interior da escola e entre esta e a comunidade, contribuindo para a igualdade de oportunidades, para a promoção do sucesso educativo e para a aproximação entre a família, a escola e o mundo das actividades profissionais.
Os técnicos dos Serviços dispõem de autonomia técnica e científica respeitando, na sua prática, as normas éticas e deontológicas das suas funções, nomeadamente a salvaguarda da privacidade dos alunos e das suas famílias, no respeito pela sua cultura, interesses, valores e decisões.
Quanto a prevenção do absentismo escolar e do abandono precoce, pretende promover uma adequada integração dos alunos, prevenindo a fuga à escolaridade, o abandono precoce e o absentismo sistemático. Assim, os serviços tentam identificar e analisar as causas do insucesso escolar e propôr medidas tendentes à sua eliminação, colaborando em diversas acções comunitárias. Pretendem sensibilizar os alunos, as famílias e a comunidade em geral, para as vantagens da qualificação profissional no acesso ao mundo do trabalho.

3. Apresentação e discussão dos resultados
No que cerne a actividade “luta pelo progresso da educação”, a CADE tem desempenhado várias actividades como feiras que consiste de uma série de palestras, visitas de estudo, workshops de orientação vocacional, exposições, entre outras actividades de relevo para a camada estudantil moçambicana.
De acordo com os dados recolhidos no processo de entrevista acerca da estrutura e organização dos serviços de orientação, notou-se que a instituição não possui uma estrutura interna padronizada uma vez que ela depende de outras organizações para realização destes serviços nas feiras que esta promove. De acordo com Giacaglia & Penteado (2000), diferentes instituições propõem os modelos que acham mais convenientes, práticos ou que estão mais acustumados a usar. Portanto me abstenho de caracterizar ou demostrar uma estrutura fixa da instituição porque a instituição (CADE) depende das organizações que esta convida a participar nas feiras ela promove.
Os individuos que mais tem se beneficiado destes serviços são estudantes de diferentes níveis escolares, sendo mais frequentes os finalistas dos níveis secundário e estudantes dos níveis superior. Durante a entrevistra com os funcionários da CADE, constatou-se que os estudantes finalistas dos níveis secundário interessam-se mais por estes serviços para obter mais informação acerca dos proximos níveis e dos cursos que estes poderão disponibilizar futuramente. Um aspecto a se ressaltar, é que muitos outros individuos que procuram se aproximar nas palestras destes serviços é para obter informação acerca do funcionamento do serviço de orientação, isto é, procuram saber qual é a função de um orientador. A psicologia oferece seus instrumentos, visando proporcionar reflexões e auto-conhecimento por meio da orientação profissional. Para Bock (1995), a função do psicólogo é promover a saúde, e de alguma forma, o trabalho de OP pretende atingir tal objectivo, já que leva o sujeito a se conhecer, no sentido de possibilitar uma escolha mais lúcida, madura, ajustada de acordo com as habilidades de cada individuo.
Quanto a organização dos SOEP, a instituição não possui um local fixo para execução destes serviços, pois ela tem promovido feiras em diversos locais em parceria com várias outras instituições facilitando a execução destes serviços. Essas feiras não tem sido efetuadas frequentemente mas sim, dependem dos programas traçados pela instituição. De acordo com Giacaglia & Penteado (2000), no que concerne as instalações, é essencial que o SOEV disponha de um local próprio, de uso exclusivo, onde não sejam desenvolvidas outras actividades. Em condições ideais esse serviço contará com três salas:
Uma pequena que pode ser fechada a chave, isolada de ruídos e da passagem de pessoas, usada para entrevista, aconselhamento e aplicação de intrumentos de medida;
Uma de tamanho médio, situada em local de facíl acesso, funcionando como sala de recepção permanecendo aberta durante bo periodo de trabalho do orientador escolar e vocacional e;
Uma terceira, de tamanho maior que o das outras duas, para ser usada em reuniões ou trabalho em grupos.
As estratégias mais usadas pela instituição são do tipo preventivas como o uso frequente das palestras nas feiras que esta tem promovido nas comunidades e nas instiuições de ensino (escolas). De acordo com Giacaglia & Penteado (2000), as palestras são recursos valiosos que podem ser usados tanto na escola como na comunidade. Na escola, poderão destinar-se a todos, como também ser direcionadas apenas a determinados segmentos como alunos, professores, pais, etc, dependendo do que deva ser tratado. Elas são geralmente ampregadas como veículo de comunicação sobre os mais variados assuntos e temas, desde os objectivos e cronograma do serviços de orientação educacional para o ano em curso e para os proximos anos, até aspectos de psicologia do desenvolvimento humano, relacionamento criança-adulto, drogas, etc. Para que essa estratégia seja eficiente, há alguns requisitos a serem observados: o tema da palestra deve ser amplo, de interesse geral e transmitido em linguagem adequada à plateia à qual se destina, além de bem elaborado, fundamentado e dosado. No inicio o público deve ser informado sobre as razões para a escolha do tema proposto e sobre os principais tópicos do mesmo a serem desenvolvidos. Quanto a duração, não deve ser muito longa, prevendo-se um tempo para proposição de perguntas, esclarecimento de dúvidas e recolha de sugestões para as proximas palestras.

4. Limitações
Na busca de informação acerca de estrutura e organização dos serviços de orientação na sede da instituição, não foi possível ter acesso total aos dados, uma vez que a instituição alegou que se encontrava numa época de reforma afirmando assim que nem os profissionais que tratam destas questões estavam disponíveis para uma secção de entrevista.
No que concerne a busca de informação para esta matéria, não parei por ai, tentei entrar em contacto de maneira informal com alguns membros da associação que se mostraram disponíveis em que afirmaram que um dos métodos mais usados para estes serviços são as palestras e entrevistas. Estes membros que se mostraram disponíveis para a entrevista alegavam não ter autoridade para disponibilizar mais informação sem a devida autorização do “chefe”.
Outra dificuldade obtida na busca de dados para o trabalho, é que os colaboradores da instituição que tive oportunidade de entrevistar, não eram profissionais ligados a àrea de orientação por isso não foi possível obter vários dados necessários para a pesquisa.
A análise documental não foi possível na organização porque se encontrava numa época de reforma.

5. Recomendações para a instituição
É importante que a instituição se mostre disponível a receber estudantes e outros interessados a interagir e conhecer mais sobre os seus serviços, desse modo irá promover o progresso e desenvolvimento da própria isntituição.
Existem várias formas de organizar os serviços de orientação. Giacaglia & Penteado (2000), alegam que:
Há necessidade de ter um espaço fixo composto por três salas para execução destes serviços. Quando as condições da instituição não permitem a existência de três salas (uma pequena, média e outra maior), deve-se dar prioridade à recepção e à entrevista. Entretanto, se o SOEV dispuser de único espaço, haverá apenas uma sala de trabalho que deverá ser fechada com aviso na porta, quando o orientador estiver a usar com finalidade de sala de entrevista.
Quanto ao mobiliário necessário ao serviços SOEV, na sala de recepção deve haver uma mesa grande com gavetas que possam ser fechadas a chaves, duas cadeiras, um armário ou estante, um quadro-negro ou outro tipo de local para avisos, recados e lembretes.
Caso haja sala de entrevista, aconselhamento e aplicação de instrumentos de medida, na mesma, deve haver uma mesa e duas ou três cadeiras, um armário e, na eventualidade de se poder contar com sala de reuniões, nesta, é útil a existência de um quadro-negro ou similar, muitas cadeira ou carteiras e uma mesa. Quanto a este aspecto a CADE já tem tido facilidade nas escolas quando promove palestras de orientação escolar fazendo o uso de anfiteatros que estas disponibilizam.
Fazem parte, ainda, do mobiliário, os fichários. Um fichário e/ou terminal de computador ficará na sala de recepção em um local visível e acessível, a fim de ser de facíl uso por qualquer adulto. Ele conterá em ordem alfabética de sobrenome, os nomes completos de todos clientes, respectivos turnos, classes e números. Se a istituição estiver informatizada, essas informaçoes poderão ser obtidas directamente do computador, dada a facilidade e agilidade do processo de registro de notas e faltas e as contrução de gráficos. Um terceiro fichário, este permanentemente fechado, deverá ser colocado longe da porta de entrada e, caso haja, na sala de entrevistas. Ele conterá fichas comulativas sobre cada aluno, com informaçoes desde a época que ele tenha entrado para a escola. Incluem-se, nessas fichas, resultados de testes, incidentes disciplinares, resultados de aconselhamento com o aluno ou seus pais ou responsáveis; observações e opiniões de professores ou outros funcionários sobre ele, enfim todas as informações confidenciais.
6. Conclusão
A CADE tem desempenhado várias actividades como feiras que consiste de uma série de palestras, visitas de estudo, workshops de orientação vocacional, exposições, e outras actividades de relevo para a camada estudantil moçambicana. Não possui uma estrutura interna padronizada para execução dos serviços de orientação uma vez que a instituição depende de outras organizações para realização destes serviços nas feiras que esta promove.
Devido as enúmeras dificuldades encontradas na busca de informação para a elaboração do presente trabalho, não foi possível atingir na totalidade os objectivos estabelecidos quanto a estrutura e organização dos SOPV, mas pode-se afirmar que uma das formas de funcionamento desses serviços é com parcerias com outras associações privadas e do estado interessadas para a promoção destes serviços.
As estratégias mais usadas pela instituição são do tipo preventivas como o uso frequente das palestras nas feiras que esta tem promovido nas comunidades e nas instiuições de ensino. Contudo, para que o orientador educacional possa exercer com eficiência as suas funções, constitui condição básica a existência de um serviço de orientação escolar bem organizado composto por instalações, materiais adequados e profissionais qualificados para o exercício desta função permitindo o auto-conceito do cliente e conhecimento da oferta do meio, enfim, o auto-desenvolvimento do individuo.



7. Referências bibliográficas
Bock, M. (1995). A escolha profissional em questão. São Paulo: Casa do Psicólogo.

CDL de Barra do Garças (s/d). Estrutura Física. Acessado no dia 15 de Novembro de 2010 em http://www.cdlbarradogarcas.com.br/Estrutura-Fisica/.

Escola Brotero (2009). Serviços de Psicologia e Orientação. Acessado no dia 15 de Novembro de 2010 em http://www.esec-avelar brotero.rcts.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=167&Itemid=59.

Ferreira, H. (1986). Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Giacaglia, L. & Penteado, W. (2000). Orientação educacional na prática: principios técnicos instrumentais. Pioneira: São Paulo.

Lampeao, O. (2009). O que é controlo interno?. Acessado no dia 14 de Novembro de 2010 em http://ojpeao.blogs.sapo.mz/9881.html.

OCDE-Comunidades europeias (2004). Orientação escolar e profissional: GUIA PARA DECISORES.

Importancia do Aconselhamento na Adolescencia

Há um processo contínuo de desenvolvimento do aparelho psíquico entre as várias fases da vida da criança e do adolescente. A adolescência se caracteriza pelo afastamento do seio familiar e conseqüente imersão no mundo adulto. Nessa fase, a pessoa se deixa influenciar pelo ambiente de maneira muito mais abrangente que antes, onde seu universo era a própria família. À medida que os vínculos sociais vão se estabelecendo, um conjunto de características vai sendo valorizado, desde características necessárias para ser aceito pelo grupo, até características necessárias para expressar um estilo que agrada a si próprio e ao outro.
Nas últimas décadas o número de adolescentes aumentou consideravelmente em relação à população mundial. Na América Latina, no Caribe, em partes do Sul da Ásia e na África, esta percentagem excede em 20% o total da população. Em conseqüência dos processos de urbanização, a quantidade de adolescentes nas cidades cresce mais rapidamente do que o número total da população. O êxodo rural dos adolescentes com migração principalmente para as metrópoles, traz conseqüências graves, tais como junção à grupos sócio-economicamente marginais, acarretando riscos à saúde. "Em muitos países, o crescimento populacional rápido, a migração à centros urbanos e o progresso técnico dos anos passados enfraqueceram as estruturas familiares e sociais que anteriormente signifacaram proteção e apoio aos adolescenctes neste período crítico de mudanças. Os individuos são especialmente susceptíveis aos problemas que resultam da pobreza, do desabrigo e superlotação, analfabetismo, desemprego, criminalidade e guerra (Görgen, s/d)."
O presente trabalho surge na cadeira de psicologia de aconselhamento e tem como principal objectivo abordar aspectos inerentes ao tema “importância do aconselhamento na adolescência”. Uma vez que todo individuo no seu crescimento e desenvolvimento biopsicosocial passa por esta fase acompanhada por diversas crises, é importante abordar este tema para melhor analisar, compreender e explicar os comportamentos desta etapa de crescimento.
O trabalho apresenta a seguinte estrutura: Definição de conceitos; Adolescência como uma construção histórico-social; Mudanças cognitivas; Mudanças biológicas; Adolescência para Jean Piaget; Adolescência para Erik Erikson; Construção da identidade; Crise de identidade na adolescência; Teorias de aconselhamento; Causas da necessidade do aconselhamento; Importância do aconselhamento na adolescência; Conclusão e referências bibliográficas. Para elaboração do trablho recorreu-se a revisão bibliográfica.

Definição de conceitos
Na cultura anglo-saxônica, o termo aconselhamento ("counseling") é utilizado para designar um conjunto de práticas que são tão diversas quanto as que configuram as práticas de : orientar, ajudar, informar, amparar, tratar. Também pode ser definido como " uma relação na qual uma pessoa tenta ajudar uma outra a compreender e a resolver problemas aos quais ela tem que enfrentar " (Tourette & Turgis, 1996).
O aconselhamento é definido por Mckinney como "uma relação interpessoal na qual o conselheiro assiste o indivíduo na sua totalidade psíquica a se ajustar mais efectivamente a si próprio e ao seu ambiente" e por Scheefer como "uma relação face a face de duas pessoas, na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional, vital e a utilizar melhor os seus recursos pessoais" (Scheefer, 1989).
Aconselhamento parental tem como objectivo esclarecer e orientar os pais e relativamente a diversas questões de ordem prática e simultaneamente, reorganizar e desbloquear dificuldades de comunicação. Através da compreensão das dificuldades existentes é possível deliniar estratégias de mudança que possam auxiliar os pais a lidar e superar os problemas existentes. As sessões de aconselhamento parental podem acontecer no contexto de seguimento psicológico do individuo, ou da forma pontual no sentido de promover a melhoria da dinâmica familiar (Durão, 2008).
Pré-adolescência é uma das etapas do desenvolvimento humano caracterizada por anteceder a entrada na adolescência. Nesse período da vida as crianças passam a ter mais responsabilidades (deveres), ao mesmo tempo em que passam a querer e exigir mais respeito de outras pessoas - particularmente dos adultos. A criança nesta faixa etária passa a compreender mais a sociedade, ordens sociais e grupos, o que torna esta faixa etária uma área instável de desenvolvimento psicológico. Porém, alguns grupos de pessoas não aceitam essa classificação, colocando os pré-adolescentes já como adolescentes.
Adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis - físico, mental e social - e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto (Steinberg, 1993).
Adolescência, do latim adolescere (crescer) é uma fase da vida que pode ser definida em sua dimensão psicobiológica e em sua dimensão histórica, política, econômica, social e cultural. A definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), refere-se à dimensão biológica e psicológica da adolescência.
Para a OMS, a adolescência compreende a faixa etária que vai dos 10 aos 19 anos. Caracteriza-se por mudanças físicas aceleradas e características da puberdade, diferentes do crescimento e desenvolvimento que ocorrem em ritmo constante na infância. Essas alterações surgem influenciadas por factores hereditários, ambientais, nutricionais e psicológicos (OMS,1965).
Zagury (1995), explica que a adolescência é uma fase caracterizada pela transição entre infância e a juventude. Para ela, compreende um momento extremamente importante do desenvolvimento, com características muito próprias, como: período de conflitos, necessidade de afirmação, mudanças físicas e psicológicas, associadas à impaciência e à irresponsabilidade. Para Abramo (1994), a adolescência mostra-se, também, marcada por um sentimento de contestação e se caracteriza por um período de críticas, sobretudo, no que tange às transformações da ordem estabelecida. Luz (1993), também nos traz contribuições da dimensão sócio-cultural da adolescência, pois nos mostra que a própria ordem social constituída define o status, o papel e as possibilidades de integração do adolescente, classificando-o como imaturo. Essa concepção associa a irresponsabilidade jurídica e civil à necessidade de proteção, alijando o jovem das decisões políticas e econômicas. Apenas aos vinte e um anos, o jovem torna-se um cidadão completo. A imaturidade, portanto, não deve ser só vista como determinada por aspectos psicobiológicos, mas também, por interesses políticos e/ou econômicos. Monteiro (1999), considera que a literatura antropológica também tem trazido contribuições relevantes para esse debate ao revelar a influência do momento histórico, do contexto social, econômico e cultural na modelação das representações e práticas diversificadas durante essa etapa da vida. Conforme esta autora, a adolescência não compreende um conceito fechado e rígido, mas determinado por uma sociedade. Nesse sentido, a juventude deve ser pensada como um "fenômeno plural" intimamente ligado às condições materiais e simbólicas do meio.

Adolescência como uma construção histórico-social
Adolescência e juventude são fenômenos de forte caracterização cultural e sua definição está intimamente ligada à transformação da compreensão do desenvolvimento humano e também à transformação da forma como cada geração adulta se define a si própria.
A idéia de que a adolescência é uma fase qualitativamente diferente da infância e da idade adulta tem sua origem já na antiguidade. A base sócio-política dessa diferenciação só surgiu, no entanto, com a transformação das estruturas sociais ocorrida em fins do século XIX que permitiram que os jovens (adolescentes) fossem retirados do mercado de trabalho para frequentarem a escola e outras instituições educacionais. Ligados a essa idéia de adolescência como fase de formação para o trabalho foram propostos os termos "adolescência encurtada"e "adolescência estendida", que descrevem as diferentes oportunidades de formação e educação que têm pessoas que entram no mercado de trabalho mais cedo ou mais tarde - normalmente de acordo com a situação cultural e a possibilidade financeira da família (Lazarsfeld, 1931).
Nesta fase do desenvolvimento ocorrem várias mudanças no individuo. Estas mudanças podem ser a nível cognitivo e biológico.

Mudanças cognitivas
O desenvolvimento cognitivo é uma das características mais marcantes da adolescência. Tal desenvolvimento se mostra sobretudo através: do aumento das operações mentais; da melhoria da qualidade no processamento de informações e da modificação dos processos que geram a consciência. Dessa maneira o adolescente adquire a base cognitiva para redefinir as formas com que lida com os desafios do meio-ambiente, que se torna cada vez mais complexo, e das mudanças psicofisiológicas. As principais características segundo Steinberg (1993), desse desenvolvimento são:
1.Pensar em possibilidades - ou seja, o pensamento não se limita mais à realidade, mas atinge também hipóteses irreais e permite ao indivíduo gerar novas possibilidades de ação;
2.Pensamento abstrato - a capacidade de abstrair se desenvolve, pemitindo ao indivíduo compreender não somente conceitos abstratos, mas também estruturas complexas, sobretudo sociais, políticas, científicas, econômicas e morais;
3.Metacognição - o próprio pensamento é alvo de reflexão, permitindo o direcionamento consciente da atenção, a reflexão e a avaliação de pensamentos passados, abrindo assim caminho para as capacidades de autoreflexão e introspecção;
4.Pensamento multidimensional - o indivíduo torna-se capaz de levar em conta cada vez mais aspectos dos fenômenos. Essa capacidade permite ao indivduo compreender a interdependência de fenômenos de diferentes áreas e argumentar a partir de diferentes pontos de vista;
5.Relativização do pensamento - o indivíduo se torna cada vez mais capaz de compreender outros pontos de vista e sistemas de valores.

Mudanças biológicas
De acordo com Rice (1975), várias mudanças corporais ocorrem nesta fase de crescimento e podem se notar em vários aspectos:
1.Crescimento físico
Durante a adolescência o corpo do indivíduo cresce continuamente até a idade de 16 a 19 anos, quando a estatura adulta é alcançada - os rapazes atingem a estatura adulta em média dois anos mais tarde do que as moças. Tal crescimento, no entanto, não se dá de maneira contínua: aproximadamente aos 14-15 anos os rapazes - as moças dois anos antes - têm um "salto no crescimento", ou seja eles crescem em um ano mais do que nos anos anteriores e nos seguintes. Depois desse salto, a velocidade do crescimento diminui marcadamente até o indivíduo atingir sua altura final. Paralelamente ao crescimento físico há um aumento no peso, que, no entanto, é dependente da alimentação e da forma de vida.
As diferentes partes do corpo também crescem com velocidades diferentes. De maneira geral os membros superiores (braços) e inferiores (pernas) e a cabeça crescem mais rapidamente que o resto do corpo, atingindo seu tamanho final mais cedo. Isso leva a uma desproporção visível com relação ao tronco, que cresce mais devagar. Essa desproporção é observável também nos movimentos por vezes desajeitados, típicos da adolescência. Até a idade de 11 anos, meninos e meninas têm aproximadamente a mesma força muscular. O crescimento muscular dos rapazes é, no entanto, maior, o que explica a maior força física média dos homens na idade adulta.

2.Puberdade
Apesar das muitas diferenças individuais no crescimento e no desenvolvimento sexual, o processo de amadurecimento sexual apresenta uma certa sequência, comum tanto aos rapazes como às moças. Para as moças, esse processo tem início, em média, dois anos mais cedo do que nos rapazes. Esse processo é acompanhado por diferentes mudanças:

Mudanças biológicas nas mulheres
10-11 anos: Início da formação dos quadris com a acumulação de gordura, primeiro crescimento dos seios e dos mamilos;
11-14 anos: Surgem os pelos pubianos (lisos), a voz torna-se mais grave, rápido crescimento dos ovários, da vagina, do útero e dos lábios da genitália; Os pelos pubianos tornam-se crespos; Idade do "salto de crescimento", os seios começam a tomar forma, amadurecimento dos óvulos: menarca (primeira menstruação):
14-16 anos: Crescimento dos pelos axilares, os seios adquirem a forma adulta (estágio secundário).
Mudanças biológicas nos homens
12-13 anos: Surgem os pelos pubianos (lisos); início do crescimento dos testículos, do escroto e do pênis, mudanças temporárias no peito; formação de esperma
13-16 anos: Início da mudança de voz, crescimento acelerado do pênis, dos testículos, do escroto, da próstata e da vesícula seminal, primeira ejaculação; Os pelos pubianos tornam-se crespos; Grande "salto de crescimento" ; Crescimento dos pelos axilares.
16-18 anos: aparecimento da barba, início das "entradas" no contorno dos cabelos, marcante mudança de voz.

Adolescência para Jean Piaget
Segundo Piaget citado por Dolle (1997), a adolescência situa-se no quarto estádio do desenvolvimento humano, o estádio das operações formais que se situa entre os 11 anos até cerca dos 15/16 anos. A partir desta altura a criança/adolescente já é capaz de fazer operações sem o suporte da manipulação de objectos. As operações passam a ser realizadas a um nível absolutamente verbal e conceptual, sendo capaz de efectuar raciocínios hipotético-dedutivos, deduzindo mentalmente a partir de hipóteses abstractas. Tornam-se então capazes de planejar um futuro glorioso, antecipar as consequências das acções, criar explicações alternativas dos eventos transformar o mundo pela palavra e suspender as próprias crenças. Os adolescentes tornam-se mais capazes de pensar sobre o que é possível sem limitar o seu pensamento sobre o que é real, movem-se mais facilmente entre o específico e o abstracto, geram sistematicamente possibilidades alternativas e explicações, exercita ideias no campo do possível e formula hipóteses. O pensamento passa a revelar uma natureza auto reflexiva. Com estas capacidades começa a definir conceitos e valores.

Adolescência para Erik Erikson
Erickson defende que a energia ativadora do comportamento é de natureza psicossocial, integrando não apenas factores pulsionais biológicos e inatos, como a libido, mas também factores sociais, aprendidos em contextos histórico-culturais específicos (Erikson, 1972). O desenvolvimento psicossocial é sinônimo de desenvolvimento da personalidade e decorre ao longo de oito estágios que, no seu conjunto, constituem o ciclo da vida. Cada estágio corresponde à formação de um aspecto particular da personalidade. Um dos conceitos fundamentais na teoria de Erickson é o de crise ou conflito que o indivíduo vive ao longo dos períodos por que vai passando, desde o nascimento até ao final da vida. Cada conflito tem de ser resolvido positiva ou negativamente pelo indivíduo. A resolução positiva traduz-se numa virtude, que é um ganho psicológico, emocional e social: uma qualidade, um valor, um sentimento, em suma, uma característica de personalidade que lhe confere equilíbrio mental e capacidade de um bom relacionamento social. Se a resolução da crise for negativa, o indivíduo sentir-se-á socialmente desajustado e tenderá a desenvolver sentimentos de ansiedade e de fracasso. Contudo, numa fase posterior, a pessoa pode passar por vivências que lhe refaçam o equilíbrio e o compensem, reconstruindo-lhe o seu auto-conceito.
Segundo Erickson (1972), o indivíduo constroi a sua personalidade durante a adolescência, porém essa construção não é feita de um mesmo modo para todos os adolescentes, ou seja, não é padronizado e linear. Durante esta fase da vida há sempre procura de algo mais, há crises, indecisões, situações conflituosas que têm de ser resolvidas de um modo ou de outro. Uma vez construída a personalidade, isso não confere um caráter rígido à personalidade, continuando o indivíduo a reorganizar, a cada momento, os elementos integrantes da sua personalidade, ajustando-a, portanto às diversas circunstâncias, do cotidiano, que nos vão surgindo.
Para Erikson (1972), o conceito de crise é desenvolvido, sublinhando as incertezas e indagações do adolescente no sentido de descobrir quem é e de definir o que virá a ser no futuro. A resposta à inquietação do adolescente só é conseguida pela tomada de consciência de si, do seu ego e de que está apto a assumir a sua verdadeira identidade. Neste trajeto repleto de interrogações pode necessitar de uma ou várias moratórias, antes da integração de todos os “eus” num conceito de si como ser único e disposto a arcar com as responsabilidades inerentes à construção do seu projeto existencial de vida.

Construção da identidade
Para Erikson (1972), o senso de identidade é desenvolvido durante todo o ciclo vital, onde cada indivíduo passa por uma série de períodos desenvolvimentais distintos, havendo tarefas específicas para se enfrentar. A tarefa central de cada período é o desenvolvimento de uma qualidade específica do ego. Para esse autor, dos 13 aos 18 anos a qualidade do ego a ser desenvolvida é a identidade, sendo a principal tarefa adaptar o sentido do eu às mudanças físicas da puberdade, além de desenvolver uma identidade sexual madura, buscar novos valores e fazer uma escolha ocupacional.
Erikson (1972), afirma que em termos psicológicos, a formação da identidade emprega um processo de reflexão e observação simultâneas, um processo que ocorre em todos os níveis do funcionamento mental, pelo qual o indivíduo se julga a si próprio à luz daquilo que percebe ser a maneira como os outros o julgam, em comparação com eles próprios e com uma tipologia que é significativa para eles; enquanto que ele julga a maneira como eles o julgam, à luz do modo como se percebe a si próprio em comparação com os demais e com os tipos que se tornaram importantes para ele. De acordo com Lepre (s/d), a construção da identidade é pessoal e social, acontecendo de forma interativa, através de trocas entre o indivíduo e o meio em que está inserido. Erikson (1972), enfatiza que a identidade não deve ser vista como algo estático e imutável, como se fosse uma armadura para a personalidade, mas como algo em constante desenvolvimento.
Entre os aspectos importantes no desenvolvimento da identidade está o controle vital, ou seja, as fases ou períodos da vida que o indivíduo atravessa até chegar à idade adulta, que são marcados por crises apresentadas como situações a serem resolvidas.

Crise de identidade na adolescência
A adolescência é uma extraordinária etapa na vida de todas as pessoas. É nela que a pessoa descobre a sua identidade e define a sua personalidade. Nesse processo, manifesta-se uma crise, na qual se reformulam os valores adquiridos na infância e se assimilam numa nova estrutura mais madura. Alguns conflitos importantes podem aparecer durante a construção da identidade do adolescente. O rumo que ele dá para sua vida acaba tendo influências da sociedade, a qual cobra de cada pessoa um papel social, preferentemente definido e o mais definitivo possível (PsiqWeb, 2003).
Segundo Lepre, (s/d), o período da adolescência é marcado por diversos factores em que o mais importante é a tomada de consciência de um novo espaço no mundo, a entrada em uma nova realidade que produz confusão de conceitos e perda de certas referências. O encontro dos iguais no mundo dos diferentes é o que caracteriza a formação dos grupos de adolescentes, que se tornarão lugar de livre expressão e de reestruturação da personalidade, ainda que essa fique por algum tempo sendo colectiva. Essa busca do “eu” nos outros na tentativa de obter uma identidade para o seu ego é o que Erikson chamou de “crise de identidade”, o que acarreta angústias, passividade ou revolta, dificuldades de relacionamento inter e intrapessoal, além de conflitos de valores. Desta forma, o grande conflito a ser solucionado na adolescência é a chamada crise de identidade e essa fase só estará terminada quando a identidade tiver encontrado uma forma que determinará, decisivamente, a vida ulterior. É importante entender que o termo crise, adotado por Erikson, não é sinônimo de catástrofe ou desajustamento, mas de mudança; de um momento crucial no desenvolvimento onde há a necessidade de se optar por uma ou outra direção, mobilizando recursos que levam ao crescimento.
De acordo com Lepre (s/d), a crise de identidade é marcada, também, por uma confusão de identidade, que desencadeará um processo de identificações com pessoas, grupos e ideologias que se tornarão uma espécie de identidade provisória ou coletiva, no caso dos grupos, até que a crise em questão seja resolvida e uma identidade autônoma seja construída. É exatamente essa crise e, conseqüente confusão, de identidade que fará com que o adolescente parta em busca de identificações, encontrando outros “iguais” e formando seus grupos. A necessidade de dividir suas angústias e padronizar suas atitudes e idéias, faz do grupo um lugar privilegiado, pois nele há uma uniformidade de comportamentos, pensamentos e hábitos. Com o tempo, algumas atitudes são internalizadas, outras não, algumas são construídas e o adolescente, paulatinamente, percebe-se portador de uma identidade que, sem dúvida, foi social e pessoalmente construída.

Teorias de aconselhamento
O aconselhamento é definido por Mckinney como "uma relação interpessoal na qual o conselheiro assiste o indivíduo na sua totalidade psíquica a se ajustar mais efectivamente a si próprio e ao seu ambiente" e por Scheefer como "uma relação face a face de duas pessoas, na qual uma delas é ajudada a resolver dificuldades de ordem educacional, vital e a utilizar melhor os seus recursos pessoais" (Scheefer, 1989).

Teoria centrada no cliente
O nome de Carl Rogers está associado ao Aconselhamento centrado no cliente, do qual é fundador e chefe, tendo dedicado toda a sua vida profissional a essa prática, ensinando, pesquisando e aperfeiçoando a sua proposta. Até hoje constitui uma das mais importantes formas de Aconselhamento. A fundamentação da teoria de Rogers é que os homens possuem uma tendência de auto-actualização inerente, um movimento em direcção ao desenvolvimento das capacidades que servem para manter e elevar o indivíduo. Seguindo esse impulso inato, as pessoas podem conhecer as suas necessidades, desenvolver uma visão de si mesmas e interagir na sociedade de modo benéfico. Isso não ocorre sem angústias ou “dores de crescimento”, mas teoricamente; se os homens podem ser ajudados a seguir a sua natureza, caminharão para um estado de relativa felicidade, contentamento e ajustamento psicológico geral (Patterson, 1980).
Os problemas no processo de desenvolvimento da personalidade surgem quando pessoas importantes nas nossas vidas (por exemplo, pais, professores, colegas) estabelecem um julgamento de valor sobre nós, em vez de nos aceitar incondicionalmente. O juízo de valor é condicionado pela satisfação de certas condições e expectativas. Porque os homens necessitam da aprovação dos outros para obterem um auto-respeito, empenham-se em satisfazer as expectativas e o julgamento alheio, embora isso, muitas vezes, obrigue a suprimir, ou ignorar, a tendência auto-actualizantes e a oportunidade de nos aceitarmos e nos avaliarmos incondicionalmente. Cria-se uma falsa auto-imagem, baseada nas condições avaliativas que encontramos e, assim, distorcemos e negamos a realidade, numa busca que confirma o nosso desajustamento.
A chave para um desenvolvimento saudável da personalidade e uma auto-reabilitação dos problemas psicológicos repousa sobre as “condições necessárias e suficientes de mudança de personalidade” (Rogers, 1957). Tais condições consistem na expressão do conselheiro e na percepção do cliente, um olhar positivo incondicional, um entendimento empático, congruência e honestidade. Quando os clientes interagem com os conselheiros que se comportam desta maneira, começam a partilhar a sua experiência; activa-se a tendência à auto-actualização; questionam-se e descartam-se as condições de avaliação e volta-se para uma aceitação e um respeito incondicionais.

Teoria racional-emotiva
A teoria racional-emotiva foi desenvolvida por Albert Ellis, um psicólogo clínico. A teoria racional-emotiva e as suas aplicações no Aconselhamento sustentam uma série de hipóteses teóricas sobre o funcionamento emocional-comportamental dos homens e como pode ser mudado (Ellis, 1977). Na base dessas hipóteses, está o conceito de que factos não forçam as pessoas a terem reacções comportamentais emocionais. É, antes, a interpretação dos pensamentos sobre os factos que precipita a emoção e o comportamento. No entanto, a meta da mudança na psicoterapia consiste nos pensamentos, atitudes, crenças e sentidos que provocam o distúrbio emocional-comportamental (Rosa, 1995).
Ellis preconiza que os homens têm a capacidade de interpretar a realidade de forma clara, lógica e objectiva, podendo evitar aborrecimentos desnecessários de ordem emocional-comportamental, mas afirma também que os homens estão predispostos a interpretações irracionais. São susceptíveis a pensamentos tortuosos, a tirar conclusões ilógicas que não são objectivas e que são distorsões cognitivas da realidade.
Uma interpretação irracional da realidade, como a precedente, possui, em geral, duas ou três características típicas (Ellis,1977 citado por Rosa, 1995): (1) demanda algo irreal do mundo, das outras pessoas e de si mesmo; (2) exagera o repúdio às coisas de que não gosta; (3) conclui que não pode tolerar as coisas de que não gosta e (4) condena o mundo, os outros e a si mesmo. Essas características expressam-se em ideias específicas e crenças irracionais, tais como:
Tenho que ser amado e aprovado por todos aqueles que considero significantes.
Preciso de ser completamente competente e adequado em tudo o que faço. Não ficarei satisfeito enquanto não for o melhor.
Algumas pessoas são inerentes e totalmente más, perversas e depravadas. Devem ser severamente acusadas e punidas.
Existe uma coisa que não é do meu gosto e é horrível ! Não posso suportá-la!
A minha felicidade depende de acontecimentos e de outras pessoas. O destino de cada um determina a sua felicidade. Tenho pouca habilidade para controlar a minha mágoa e os meus fracassos.
Por toda a parte existem perigos e calamidades e preciso de ficar constantemente em estado de alerta e estar preparado caso eles apareçam.
Há dificuldades e responsabilidades que será melhor evitar porque requerem muito desconforto e esforço no seu trato.
É melhor fazer o que os outros querem, deixar que sigam os seus caminhos e assim eu posso depender e apoiar-me neles, para que me ajudem.
Por causa das influências da minha vida anterior, eu sou o que sou e sempre serei assim. Não posso mudar.
Há uma solução apropriada e perfeita para todos os problemas e preciso de encontrá-la, para ser feliz e acabar com os meus problemas.
Por exemplo, ocorre uma interpretação irracional quando: (a) os pais repreendem a criança por ter deitado o leite; (b) a criança conclui “Sou uma pessoa má e incapaz” e, consequentemente, (c) sente-se ameaçada e ferida e retira-se da cena.

Teoria comportamental
Uma definição geral de Aconselhamento comportamental diz que “consiste em qualquer actividade ética empreendida pelo aconselhador no esforço de ajudar o cliente a assumir tipos de comportamento que levarão à resolução do problema do cliente”. Tal definição talvez seja muito geral para descrever completamente o carácter e a aparência do Aconselhamento comportamental; porém, põe em questão dois factos importantes: (1) não existe limite para a variedade de métodos usados no Aconselhamento comportamental e (2) os objectivos do Aconselhamento – para resolver os problemas dos clientes - podem ser enunciados em termos comportamentais (Rosa, 1995).
Os métodos e processos de Aconselhamento comportamental baseiam-se em teorias de socio-aprendizagem, teorias sobre pessoas que aprendem e mudam o seu comportamento. Usam-se formas de aprendizagem tais como o condicionamento operante, o condicionamento clássico, a modelagem e os processos cognitivos para ajudar as pessoas aconselhadas a mudar um comportamento indesejado e/ou desenvolver um comportamento novo, produtivo.
Segundo Rosa (1995), alguns métodos e técnicas de Aconselhamento comportamental podem ser agrupados numa destas categorias:
mudança e controlo dos antecedentes do comportamento
mudança e controlo do reforço do comportamento
uso de modelos para reconhecer comportamentos indesejados e aprender comportamentos desejáveis
aprendizagem de habilidades sociais.

Estágios do Aconselhamento Comportamental
1.O aconselhador ajuda os clientes a explorar os seus interesses e faz-se uma análise comportamental e estimativa através de questões e, talvez, de um questionário ou instrumento de avaliação.
2.As duas partes determinam metas mutuamente aceitáveis em termos comportamentais consagrados.
3.Desenvolvimento e implementação de estratégias orientadas para os princípios da teoria da aprendizagem (i.e, qualquer conjunto de procedimentos que ajudem o cliente a comprometer-se em comportamentos que resolvam o seu interesse).
4.Responsabilidade, quando o cliente indica que a estratégia foi efectiva e promoveu o comportamento desejado e a resolução do problema.

Teoria psicanalítica
Psicanálise foi desenvolvida no final dos anos 1800 por Sigmund Freud. Sua terapia explora o funcionamento dinâmico de uma mente entendido como composto de três partes:o id hedonista, o ego racional e do superego moral. Porque a maioria dessas dinâmicas são ditas para ocorrer a consciência das pessoas de fora, a psicanálise freudiana pretende sondar o inconsciente por meio de várias técnicas, incluindo a interpretação dos sonhos e a associação livre. Freud afirmava que o estado da mente inconsciente é profundamente influenciada pelas experiências da infância. Assim, além de lidar com os mecanismos de defesa utilizados por um ego sobrecarregados, sua terapia endereços fixações e outras questões sondando profundamente os jovens clientes (Malapedia, s/d).
Outras teorias psicodinâmicas e técnicas têm sido desenvolvidas e utilizadas pelos psicoterapeutas, psicólogos, psiquiatras, facilitadores de crescimento pessoal, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Técnicas de terapia de grupo também foram desenvolvidos.

Causas da necessidade do aconselhamento
Existem várias causas para o aconselhamento neste periodo de crescimento. Para além das crises que o individuo enfrenta, Görgen (s/d), apresenta vários outros aspectos pertinentes a se ter em conta como factores relevantes para o aconselhamento:
Em várias sociedades, os pais não têm o costume de falar com os seus filhos a respeito de relacionamentos sexuais, reprodução e anticoncepção. Antigamente talvés outros membros da família, p. ex. os tios ou tias, assumiam esta tarefa. Hoje, tanto os pais como também outros membros da família, não se sentem informados o suficiente nem aceitos pelos adolescentes para aconselhá-los a este respeito. Em várias pesquisas realizadas, os pais expressaram a sua necessidade de saber mais sobre educação sexual, contracepção e prevenção à HIV-SIDA para poderem falar a respeito com os seus filhos.
Mesmo em sociedades nas quais as crianças são muito valorizadas, as adolescentes solteiras grávidas sofrem pressão social e psíquica, levando-as à possibilidades ilegais e inseguras de aborto. Elas também tentam esconder o seu estado, deixando de usufruir das possibilidades de serviços pré-natais, de modo que os riscos para a saúde aumentam. Dificuldades econômicas ainda acentuam estes problemas. A saúde não só das adolescentes é prejudicada. As crianças que nascem sob tais circunstâncias, freqüentemente são negligenciadas ou até abandonadas.
Em geral, uma gravidez na adolescência é diretamente ligada à perda de chances nos estudos. Em muitos países alunas grávidas são excluídas da formação escolar ou profissional. Mesmo havendo permissão oficial para a continuação dos estudos, a desaprovação social e a perda de reputação entre as pessoas da mesma idade podem levar à exclusão da comunidade. Freqüentemente, as adolescentes não conseguem suportar a dupla jornada de estudo e criação da criança. A procura de um esposo que possa garantir o sustento da jovem mãe e da criança, possivelmente leva a contactos com vários parceiros e a outras gravidezes extra-matrimoniais.
Informações deficientes: Muitas vezes, os conhecimentos acerca de sexualidade e reprodução deixam a desejar. Ignora-se o facto que uma única relação sexual pode levar à gravidez. Prevalecem idéias errôneas sobre os cálculos do período fértil. Freqüentemente, as pessoas não sabem aonde receber os contraceptivos e boatos sobre efeitos colaterais afectam a aceitação.

Importância do aconselhamento na adolescência
Em Moçambique, o aconselhamento para adolescentes/jovens tem ocorrido muitas vezes nas escolas através de associações como GATV auxiliando-os no fornecimento de mais informação sobre HIV-SIDA. O aconselhamento em HIV/SIDA configura-se em um diálogo que visa estabelecer uma relação de confiança entre os interlocutores e a oferecer ao cliente condições para que avalie sua condição de vulnerabilidade e riscos pessoais de portar o Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) ou de já ter desenvolvido a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), tome decisões e encontre maneiras realistas, ou seja, maneiras viáveis de enfrentar seus problemas relacionados ao HIV/SIDA.
Segundo Tourette & Turgis (1996), o indivíduo tem um valor em si, independentemente do que pode realizar. Muitas vezes, a pessoa não é consciente ou ignora seu potencial de desenvolvimento. O aconselhamento visa ajudá-la a desenvolver sua singularidade e a acentuar sua individualidade. Para Catherine, "o aconselhamento é uma forma de " psicologia situacionista ", isto é, a situação é causa do sintoma e não o inverso. Neste sentido, o aconselhamento, forma de acompanhamento psicológico e social, designa uma situação na qual duas pessoas estabelecem uma relação, uma fazendo explicitamente apelo à outra através de um pedido (verbalizado) com objectivo de tratar, resolver, assumir um ou mais problemas que lhe dizem respeito. De acordo com Catherine, "o princípio de coerência do aconselhamento reside fundamentalmente no facto de que muitas situações da vida são causas de sofrimentos psicológicos e sociais, necessitando uma conceitualização e que dispositivos de apoio sejam colocados à disposição das pessoas que as vivem " (Tourette & Turgis, 1996).
De acordo com Tourette & Turgis (1996), o aconselhamento responde às necessidades de pessoas que procuram ajuda de uma outra para resolver, em um tempo relativamente breve, problemas que não são oriundos necessariamente de problemáticas profundas (do ponto de vista psicológico). Estes problemas podem estar ligados, na verdade, aos empecilhos ou a um contexto específico com o qual elas precisam se adaptar ou aos quais elas devem sobreviver e pelos quais, na maior parte do tempo, a sociedade não as preparou (ex. : traumatismos de guerra, prevenção de HIV-SIDA, desemprego, crises na adolescência, etc) ou não assegura as funções de apoio adequadas em tempo real, ou seja, de imediato.
As metas do Aconselhamento são vastas. Dependem da situação, do meio ambiente e do treinamento. Dentre vários objectivos do aconselhamento podem-se destacar alguns como:
1Tornar o indivíduo consciente da origem e do desenvolvimento de dificuldades emocionais rumo a uma crescente capacidade de autocontrole de sentimentos e acções;
2Ajudar o indivíduo a adquirir uma certa segurança pessoal que lhe permita desenvolver atitudes positivas em relação aos diferentes fenómenos da vida;
3Alterar comportamentos mal-ajustados;
4Assistir o indivíduo no sentido de mover-se com vista a realização do seu potencial ou de integrar os elementos inter-conflituosos;
5Promover a aquisição de um nível de compreensão, conhecimentos e habilidades que habilitem o indivíduo a confrontar-se com situações sociais mesmo as mais adversas.












Conclusão
Aconselhamento é um conjunto de práticas que são tão diversas quanto as que configuram as práticas de: orientar, ajudar, informar, amparar, tratar. Também pode ser definido como " uma relação na qual uma pessoa tenta ajudar uma outra a compreender e a resolver problemas aos quais ela tem que enfrentar.
Adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a idade adulta. Com isso essa fase caracteriza-se por alterações em diversos níveis - físico, mental e social - e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto. Nesta fase do desenvolvimento ocorrem várias mudanças no indivíduo ao nível cognitivo e biológico.
Entre os aspectos importantes do desenvolvimento no decorrer desta fase ou período da vida que o indivíduo atravessa encontram-se as crises apresentadas como situações a serem resolvidas. Para além das crises que o indivíduo enfrenta, há vários outros aspectos que se mostram importantes para o processo do aconselhamento na adolescência apresentados por Görgen.
Contudo, o processo de aconselhamento na adolescência mostra-se bastante importante porque responde às necessidades de pessoas que procuram ajuda de uma outra para resolver, em um tempo relativamente breve, problemas que não são oriundos necessariamente de problemáticas profundas (do ponto de vista psicológico). Estes problemas podem estar ligados, na verdade, aos empecilhos ou a um contexto específico com o qual elas precisam se adaptar ou aos quais elas devem sobreviver e pelos quais, na maior parte do tempo, a sociedade não as preparou ou não assegura as funções de apoio adequadas em tempo real, ou seja, de imediato.










Referências bibliográficas
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Dolle, J. (1997). Para compreender Jean Piaget. Paris: Dunod.

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Feldman & G. R. Elliot (eds.), At the threshold: The developing adolescence. Cambridge, MA: Harvard University Press.

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