O presente trabalho surge no âmbito da disciplina de Perspectivas Africanas dos Fenomenos Psicológicos e tem como principal objectivo analizar alguns aspectos do texto de Paulo Granjo (http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218648889I2wZR8sa3Hs54SJ3.pdf) e Ilunde Cabral (http://www.uc.pt/en/cia/publica/AP_artigos/AP22.23.06_Cabral.pdf) referentes ao fenómeno psicológico, sua interpretação pela psicologia moderna e pela cultura moçambicana, tratamento cultural moçambicano do fenómeno, seu resultado, e dar um parecer crítico.
2. Identificação do fenómeno psicológico
O fenómeno em causa no texto pode ser identificado como tráuma psicológico pós-guerra.
3. Apresentação da interpretação do fenómeno pela Psicologia moderna
Segundo Pepulim (2007), a palavra trauma é oriunda do grego (tráuma), a qual significa ferida. Para Freud citado por Batista (s/d), trauma psíquico é compreendido, como experiências emocionais que se constituem como factor etiológico para o aparecimento da Histeria, ou seja, é toda impressão ou vivência que provoque afectos penosos de medo, susto ou vergonha e que o sistema psíquico tem dificuldade para resolver por meio do pensamento associativo ou por reação motora.
Trauma psicológico é o dano provocado à estrutura mental, sem lesão física aparente. O trauma acarreta uma exacerbação do medo, o que pode conduzir ao stress, envolvendo mudanças físicas no cérebro e afectando o comportamento e o pensamento da pessoa, que fará de tudo para evitar reviver o evento que lhe traumatizou. Igualmente, pode acarretar depressão, comportamentos obssessivos compulsivos e outras fobias ou transtornos , como o de pânico. Um evento traumático envolve uma experiência ou série de experiências repetidas que afectam a maneira do indivíduo lidar com idéias ou emoções envolvidas com aquela experiência, podendo às vezes durar semanas ou anos. De acordo com Mestriner (s/d), alguns sintomas podem se notar no individuo traumatizado, tais como: ataques de pânico, ansiedade e fobias; Comportamentos de evitação (evitar lugares, atividades, movimentos, lembranças ou pessoas); Atração para situações de perigo; Comportamentos de vícios (comer demais, beber, fumar etc.); Atividade sexual exagerada ou diminuída; Amnésia e esquecimentos; Inabilidade de amar, nutrir ou se comprometer com outras pessoas; Medo de morrer ou de ter uma vida curta; Automutilação (cortar-se, machucar-se); Perda de crenças (espiritual, religiosa e interpessoal).
4. Apresentação da interpretação do fenómeno pela cultura moçambicana
Moçambique é um país multicultural. Um determinado fenómeno pode ser interpretado de formas diferentes dependendo da cultura. Segundo Granjo (2007), a possessão pelos espíritos e a adivinhação são elementos centrais dos modelos interpretativos das culturas a Sul de Moçambique. Fazem parte de um sistema mais geral de crenças, práticas e comportamentos relativos ao bem‐estar e normalidade social que é a chamada medicina ‘tradicional’. O espírito pode tanto ajudar como afligir os vivos. A saúde e bem‐estar do indivíduo dependem da harmonia na sua relação negociada com os espíritos dos mortos, e a doença resulta frequentemente do comportamento indevido dos vivos face aos mortos. Os espíritos exprimem o seu desagrado através da produção de situações problemáticas e ‘patológicas’ no indivíduo vivo, cuja resolução depende de ele observar uma série de condições. A entidade ‘espírito’ é ao mesmo tempo agente patogénico e agente de cura.
Na cultura Moçambicana a saúde é mais do que um processo corporal de bem‐estar normalizado; é um processo de vida definido por relações harmoniosas entre o ser humano e o meio ambiente, o ser humano e os espíritos dos seus antepassados, e entre espíritos ancestrais e o meio ambiente. O ‘azar da doença’ raramente é fruto do acaso, resultando da acção do meio ambiente contaminado, de espíritos ancestrais descontentes ou de feiticeiros (Granjo, 2007).
Porque os espíritos podem influir com bastante força nas acções,comportamentos e capacidades físicas, emotivas e racionais do hospedeiro,a possessão é concebida não apenas como um comportamento problemático mas como uma verdadeira doença, a maior (e às vezes a única) responsável pelos problemas do indivíduo na adaptação socio‐familiar, após o seu regresso à vida civil.
5. Apresentação do tratamento cultural moçambicano do fenómeno e seu resultado
O tratamento deste fenomeno varia de cultura a cultura dependendo de como cada uma interpreta o fenomeno. No sul de Moçambique o fenomeno em questão pode ser considerado como possessão de espiritos. O espírito pode tanto ajudar como afligir os vivos. De acordo com Granjo (2007), para o tratamento da doença, há certos procedimentos que devem se ter em consideração: o nyamussoro (curandeiro) tem antes de diagnosticar (os contornos concretos do problema) e adivinhar (identificar o(s) espírito(s) por detrás do problema e as suas exigências). A cura ocorre através da execução de rituais de purificação ou kuhlapsa e rituais de exorcismo ou kufemba, que podem ser complementados por rituais secundários e remédios ervanários, que no seu conjunto servem para “endireitar” a vida e o comportamento social do paciente.
O ritual de purificação kuhlapsa tem a capacidade de identificar os espíritos possuidores e fazê‐los abandonar o hospedeiro, curando a doença. É um ritual de reequilíbrio social, espaço de cura física e simbólica, domínio de reabilitação, reconstrução identitária, reintegração, e reconciliação. O kuhlapsa não serve apenas para curar, serve também para prevenir o potencial de doença ou ‘azar’ trazido da guerra. O ‘azar’ da possessão é uma consequência potencial, mas não inevitável, da experiência de guerra (Granjo, 2007).
O ritual kuhlapsa apresenta uma forma geral uniforme, com pequenas variações de conteúdo simbólico para adaptar o ritual a cada caso. Idealmente o kuhlapsa é realizado dentro da casa do indivíduo doente (caso não haja casa, no espaço físico da mesma), para que ele beneficie do apoio dos espíritos ancestrais na purificação. Quanto mais cedo for feito o ritual após o retorno do doente, melhor. Quanto mais tempo passa após o retorno, menos forte é o efeito do ritual e maior é a necessidade de repetir várias vezes a aplicação do medicamento para que o indivíduo fique completamente livre dos espíritos que o possuem.
Uma forma comum de realização do ritual é a seguinte: a família do indivíduo retornado, solicita um tinyanga local para a cerimónia. Este, já informado que se trata de um retornado
da guerra, define o quadro de acção ritual a realizar, e procura no mato ingredientes para o medicamento. No espaço físico do ritual (a casa, o pátio ao ar livre ou uma pequena cabana construída para o acto) o tinyanga executa uma consulta de diagnóstico de problema, recorrendo à adivinhação por ossículos mágicos, através dos quais conversa com os espíritos presentes no doente. Nesta conversa tinyanga identifica os espíritos, as exigências destes e convence‐os a abandonar o corpo hospedeiro. O abandono é negociado, mediante a explicação das condições de guerra nas quais o doente agiu ‘mal’ (sob efeito de drogas, sob ameaça de morte), a apresentação formal dum pedido de desculpas e a satisfação das exigências dos espíritos, caso a explicação e o pedido de desculpas não sejam suficientes. Depois o tinyanga
prepara o ‘medicamento’ em água fervente, e utiliza‐o para literalmente dar um banho ao doente. Este banho lava simbolicamente os espíritos possuídos para fora do doente, purificando‐o e eliminando deste modo os elementos nocivos que possam perturbar ou adoecer o indivíduo. Depois do banho, o ‘novo’ indivíduo, já separado da identidade de combatente, pode sofrer algumas pequenas incisões corporais (sobretudo na parte superior do tronco) onde o tinyanga introduz outros medicamentos que reforçam a cura pela purificação (Granjo, 2007).
Há variações quanto ao medicamento e ao modo como os espíritos possuídos são ‘lavados’: no espaço físico do ritual o tinyanga mata um animal de pequeno porte e mistura o sangue deste com as cinzas dos pertences do doente relacionados com a experiência de guerra (roupas, sapatos, etc.), previamente queimados, e lava o doente com este preparado; simbolizando nas cinzas a morte da experiência de guerra e da identidade de “combatente”, e no sangue a purificação. Outra versão é queimar os mesmos pertences e colocar as cinzas num recipiente fechado (por exemplo uma garrafa, que é depois atirado, de costas, num cruzamento de vias de comunicação; simbolizando a separação ou tomada de caminhos diferentes entre o indivíduo doente e o indivíduo purificado, socialmente renascido.
Durante o ritual não se chega a falar da experiência de guerra do doente, apenas se medicaliza os comportamentos anormais reais ou previstos. O ritual geralmente precavê contra a totalidade de eventos potencialmente experienciados em contexto de guerra. Não há um medicamento único, para cada caso elabora‐se uma receita adequada. As diferenças na execução do ritual têm a ver mais com a variação nos sintomas provocados pela doença da possessão, do que com o conteúdo da experiência em si: dois indivíduos com uma experiência de guerra similar – por exemplo duas crianças‐soldado que foram combatentes – podem necessitar de kuhlapsa diferentes. O ritual de purificação actua em três vertentes: reabilitação, reintegração e reconciliação (Granjo, 2007).
De acordo com dados recolhidos em uma entrevista a um médico tradicional da cultura Chuabo do centro de Moçambique província da Zambézia residente em Maputo (Ludovico, 2011), o fenómeno em questão não é identificado como possessão de maus espiritos mas sim apenas como recordações da guerra pelo facto do individuo não ser tratado tradicionalmente antes e depois da guerra. O nome do tratamento do fenómeno é Unsúluso ou Osiwomússoro que quer dizer lavar cabeça. O médico tradicional que executa este tipo de tratamento chama-se Muláula que é o nome impregue aos médicos tradicionais mais competentes. O muláula tem que fazer mistura de certos elementos para formar o medicamento: retira a água do rio exatamente no local onde há um remuinho de água, mistura com uma planta de nome wiriwire e adiciona a parte do coqueiro que foi atacada pelo relâmpago. Depois da mistura feita o individuo é vacinado (pequenos cortes com lamina na pele e introduzir o medicamento) em duas partes do corpo que são: na parte superior das costas e no peito do indivíduo. O médico tradicional afirmou que após o tratamento o individuo fica curado até mesmo aqueles que se encontram em estados de possessão muito penosos.
6. Considerações finais
Moçambique é um país multicultural. Um determinado fenómeno pode ser interpretado de formas diferentes dependendo da cultura em que este ocorre. O fenómeno em causa no texto de Paulo Granjo e Ilundi Cabral é interpretado de formas diferentes em Moçambique, pois na região Sul é tido como possessão de espiritos e na região Centro é tido apenas como recordações de guerra causadas por ausência de tratamento tradicional antes e depois da guerra.
Com os textos, nota-se que os procedimentos de tratamento tem efeitos positivos no que diz respeito a doença ou o mal-estar no individuo. É de salientar que a cura depende das crenças do indivíduo em relação ao tratamento.
Como psicólogo, atendendo e considerando que os procedimentos científicos de cura usados pela Psicologia para garantir o bem-estar ou a saúde dos pacientes tem em muitos casos, e não todos, suscitado resultados positivos nos individuos, ela deve procurar interagir com outras formas de saber seja do senso comum como outras áreas científicas de modo a ter uma compreensão holistica do ser humano garantindo uma intervenção mais abrangente.
O individuo é dotado de crenças culturais, a eficácia e eficiência do tratamento não so depende dos conheciementos e técnicas psicológicas mas também depende das crenças que o individuo possui do tratamento. Nota-se que tanto o psicólogo como os médicos tradicionais usam procedimentos diferentes no processo de tratamento mas ambos conseguem a cura do individuo. Contudo, é bastante importante conciliar as teorias/conhecimentos científicos aos conhecimentos ou normas cultuais do individuo, é também importante que haja interação entre os psicólogos e os médicos tradicionais moçambicanos de modo a se contextualizar as teorias facilitando assim o processo de intervenção psicológico.
7. Referências bibliográficas
• Mestriner, A. (s/d). Vida Sem Estresse. Acessado no dia 4 de Abril de 2011 em http://www.vidasemestresse.com.br/page7/page4/page4.html.
• Pepulim, P (2007). Blog trauma: Definição de trauma. Acessado no dia 4 de Abril de 2011 em http://notrauma.blogspot.com/2007/08/definindo-trauma.htmln.
• Batista, F. (s/d). A Concepção de Trauma em Sigmund Freud e Sándor Ferenczi. Acessado no dia 4 de Abril de 2011 em http://www.fundamentalpsychopathology.org/anais2006/4.26.3.1.htm.
• Granjo, P. (2007). Limpeza ritual e reintegração pós-guerra em Moçambique, Análise Social. Acessado no dia 6 de Abril de 2011 em http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1218648889I2wZR8sa3Hs54SJ3.pdf
sexta-feira, 8 de abril de 2011
terça-feira, 5 de abril de 2011
Stress, conceitos e modelos teóricos
Autor: Fernando Marrengula
As transformações do mundo moderno promoveram um grande impacto na sociedade. Considerando a agilidade destas mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo, não foi possível ao ser humano se adaptar rapidamente a nova realidade. A alta compectitividade no mercado de trabalho, o elevado “desejo” de consumo, o medo de estabelecer um relacionamento com as outras pessoas e a auto- exigência tem gerado insegurança que interfere na saúde mental das pessoas, pois a maneira como estão vivendo está distante do que haviam planeado para as suas vidas. Estas situações causam desconforto, propiciando o estado de stress, que exige do indivíduo o desenvolvimento de habilidades para enfrentá-las, a fim de evitar o adoecimento.
O stress é uma resposta complexa do organismo, que envolve reações físicas, psicológicas, mentais e hormonais frente a qualquer evento que seja interpretado pela pessoa como desafiante.
O presente trabalho surge no âmbito da disciplina de Psicologia da Emoção, Stress e Comunicação convista a comprender e explorar conceitos e modelos teóricos inerentes ao Stress.
O trabalho apresenta a seguinte estrutura: introdução, discussão de conceito de stress, modelos teoricos, teoria de temas de vida do stress recorrente e crônico, modelos transacional de Lazarus, Teoria de síndrome geral de adaptação de Hans Selye, modelo da conservação de recursos de Hobfool e Freedy, reação de emergência Cannon-Bard e a conclusão.
Para a elaboração do trabalho recorreu-se a revisão bibliográfica do material que aborda assuntos sobre o Stress.
2. Discussão do conceito de Stress
A palavra "Stress" etmologicamente é de origem inglesa que significa esforço de adaptação do organismo para fazer face a situações que considere ameaçadoras a sua vida e a seu equilíbrio interno ( Vieira, 2009).
Stress como processo é a tensão diante de uma situação de desafio: por ameaça ou conquista. O stress como estado é o resultado positivo ou negativo da tensão realizada pela pessoa (França & Rodrigues, 2005 citados por Vieira, 2009).
Reação psicofisiológica muito complexa, que tem, em sua gênese, a necessidade de o organismo lidar com algo que ameaça sua homeostase ou equilíbrio interno (Lipp 2004, citado por Vieira, 2009 ).
Stress pode ser entendido como uma tensão física, psíquica, social, positiva ou negativa, que decorre de um esforço desmedido do indivíduo para responder a determinadas exigências externas (Mendes & Cruz, 2004 citados por Vieira, 2009).
Apesar da existência diversos conceitos para a compreensão do stress, existem pontos em comum entre eles, que definem o stress envolvendo sempre: um estímulo externo, produzido a partir das situações do quotidiano; repostas psicológicas frente àquele estímulo e uma gama de consequências, nas quais o bem–estar do indivíduo está envolvido, como também, a compreensão de que a relação destes estímulos externos com o stress pode estar moderada por características do indivíduo e da situação.
O stress não deve ser considerado apenas como algo negativo, pois muitas pessoas ao buscarem a superação de seus limites optam por vivenciar situações de stress em diversos momentos de sua vida, como por exemplo, na escolha do desporto e ou da profissão. Sendo assim, o stress pode ser considerado como um mecanismo de adaptação utilizado pelas pessoas para responder as “exigências do meio externo, ou para responderem as metas que elas próprias se fixam”. O estímulo stressor, quando é interpretado como desafiador, provoca um quebra na homeostase do funcionamento interno que, por sua vez, cria uma necessidade de adaptação para preservar o bem-estar e a vida. A necessidade de adaptação exige a emissão de vários comportamentos adaptativos que se constituem na forma como a pessoa lida com o stress, ou seja, suas estratégias, adequadas ou não de enfrentamento.
Definiçôes do stress pelo senso comum
A palavra stress se refere-se a uma tensão mental ou física que os individuo experiencia no quotidiano, e é provocado por estimulos que ameaçam o bem-estar dos individuos.
É o desgaste mental que depois de uma grande e intensa actividade num curto espaço de tempo, culminando numa fadiga de espirito e corpo.
É a sensação ou estado de tensão, fadiga mental e/ou psicológico causado por estimulo tão repetitivo e desagradável.
É um estado de tensão, desgaste provocado pela descarga mental e fisica do individuo.
3.Modelos teóricos do stress
3.1. Teoria de temas de vida do stress recorrente e crônico
Os temas de vida funcionam como um referencial emocional que leva a pessoa a seleccionar, embora não intencionalmente, determinadas situações, parceiros e oportunidades semelhantes a situações do passado e que ofereçam repetição de sentimentos, atitudes e papéis. Os temas, que se repetem inúmeras vezes na vida dessas
pessoas, geram um nível de stress excessivo e contribuem para uma sensação crônica de fragilidade. É como se essas pessoas procurassem reviver os temas que são característicos de suas vidas. Esses temas agiriam como verdadeiros cenários nos quais a vida desenrola-se e onde elas parecem contracenar com pessoas diferentes, mas sempre mantendo o mesmo script ( Lipp, 2006).
3.2. Modelos transacional de Lazarus
Esse modelo, também chamado de modelo cognitivo, sublinha a importância de processos mentais de juízo para o stress: segundo ele, as reações de stress resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos (juízos de valor e outros). Assim, não apenas factores externos podem agir como stressores, mas também factores internos, como valores, objectivos (Telles-Correia & Barbosa, 2009).
Esta teoria realça a interdependência entre as cognições, as emoções e os comportamentos. Trata-se duma perspectiva na qual se destacam dois tipos de processos, a avaliação e o coping, os quais se referem à relação que se estabelece entre o indivíduo e o seu meio ambiente (Martins, s/d).
De acordo com Martins (s/d), a avaliação inclui a avaliação primária (mediante a qual a pessoa avalia a importância do acontecimento para o seu bem-estar) e a avaliação secundária (em que a pessoa avalia a sua capacidade para lidar com a situação).
O coping refere-se ao processo de lidar com as exigências internas e/ou externas que excedem os recursos da pessoa. A avaliação e o coping são processos transaccionais, na medida em consideram não o meio ou a pessoa considerados isoladamente, mas sim a integração de ambos numa determinada transação. A avaliação (por ex. a avaliação duma situação ameaçadora) implica um conjunto de condições do meio que são avaliados pela pessoa que tem características psicológicas particulares. O coping, por sua vez, inclui pensamentos e comportamentos que a pessoa utiliza para lidar com as exigências das transações indivíduo – meio que têm relevância para o seu bem estar (Martins, s/d).
Por outro lado, as avaliações das relações indivíduo-meio são influenciadas pelas características pessoais antecedentes como padrões de motivação (valores, objectivos), crenças acerca de si próprio e do mundo que o rodeia, e recursos pessoais de coping. A avaliação é também influenciada por variáveis do meio como, por exemplo, a natureza do perigo, a sua eminência, a duração, a existência e qualidade dos recursos de apoio social, que facilitam o processo de coping (Martins, s/d).
As variáveis cognitivas medeiam a resposta de coping, no sentido em que a pessoa tem tendência a evitar as situações avaliadas como ameaçadoras, para se confrontar com os desafios e para tentar aceitar as situações de dano ou de perda (Martins, s/d).
3.3.Teoria de Síndrome Geral de Adaptação de Hans Selye
Stress não é o factor que actua sobre o organismo, mas sim o sofrimento do organismo provocado pela acção desse factor - ou alarme (Romanach, s/d).
Hans Selye citado por Romanach (s/d) enunciou três premissas relacionadas ao stress:
1 - Qualquer stress desenvolve uma síndrome constituída de manifestações gerais essencialmente similares.
2 - Esta síndrome contribui para a adaptação.
3 - A adaptação pode causar doença.
A síndrome geral de adaptação consiste em um conjunto de reações inespecíficas e gerais do organismo contra estímulos persistentes causadores de stress. As alterações desta síndrome, sejam funcionais, bioquímicas, humorais ou morfológicas, são sempre as mesmas, gerais e não específicas, qualquer que seja a natureza da causa que as provocou (Romanach, s/d).
De acordo com Romanach (s/d), o termo síndrome advém do facto das manifestações, embora parcialmente independentes, estarem coordenadas entre si. A síndrome é geral porque condiciona fenómenos generalizados de defesa. Adaptação indica aquisição e manutenção de estado de resistência ou equilíbrio.
Esta síndrome torna-se patológica quando as reações fisiológicas de defesa se ampliam e intensificam em excesso, quando assumem curso anormal devido a interferências patológicas ou quando perdem a relação com a intensidade do alarme. A rotura da síndrome de adaptação produz morte orgânica (Romanach, s/d).
Quando um indivíduo é exposto continuamente a uma sobrecarga, a síndrome geral de adaptação resultante passa por três períodos distintos:
1. Alarme >>>>>>REACÇÃO DE ALARME>>>> CHOQUE >>>>CONTRA-CHOQUE
2. Fase de resistência
3. Fase da exaustão
Segundo Romanach (s/d), o alarme repetitivo ou excessivo está na base da doença de adaptação. Os alarmes representam factores de qualquer natureza que actuam sobre o organismo e o desviam do estado normal ou de repouso, mediante conjunto de modificações que constituem o stress.
O alarme vinculado ao fenómeno de stress induz no organismo:
uma reação fisiológica ou adaptação satisfatória;
ou uma reação patológica, por excesso, insuficiência ou anormalidade, dando origem às doenças de adaptação.
O estado de stress produz no organismo consequências específicas dependentes da natureza do alarme, com simultâneas consequências inespecíficas comuns a outros alarmes, constituindo estas últimas a finalidade do estudo da síndrome geral de adaptação (Romanach, s/d).
3.4.Modelo da Conservação de Recursos de Hobfool e Freedy (1993)
O Modelo da Conservação de Recursos de Hobfoll e Freedy (1993) foi originalmente desenvolvido para explicar o desenvolvimento do Stresse; sendo uma formulação teórica de carácter motivacional, essa abordagem postula que o stress surge quando aquilo que motiva o individuo é subtraído ou frustrado. Os elementos motivadores são considerados recursos de que se vale o individuo para cumprir sua tarefa; já os agentes stressores do quotidiano minam esses recursos e geram insegurança sobre sua capacidade para alcançar o êxito pessoal ( Leite, 2007).
Assim, segundo essa abordagem, a síndrome se instala quando falham as estratégias de enfrentamento de caráter activo. Assinala, ainda, que a sua prevenção deve enfatizar a consecução de recursos que permitam um desempenho eficaz nas tarefas quotidianas e mudar as percepções e cognições dos indivíduos. Se esses indivíduos conseguem evitar a perda de recursos ou aumentar aqueles já disponíveis, mudarão suas percepções e cognições de maneira positiva e consequentemente diminuirão os níveis de stress percebido ( Leite, 2007).
3.5.Reacção de Emergência Cannon-Bard
Em 1932, Walter B. Cannon em seu livro "A Sabedoria do Corpo", utilizou o termo "reação de emergência", para descrever que o ser humano ao reagir de maneira inadequada às exigências psíquicas no seu ambiente de vida, psicologicamente despreparado, poderá desenvolver um desgaste anormal no seu organismo e, apresentar uma incapacidade crônica de tolerar, superar ou se adaptar, apresentando lesões, desde intranquilidade até esgotamento ou embotamento mental, dependendo da sua estrutura psíquica (Fiamoncini e Fiamoncini, 2003).
Cannon suscitou o conceito “reacção de emergência”. Segundo supunha, em uma situação de emergência, o fluxo sanguíneo é redistribuído para os músculos e órgãos activados de modo que o suprimento de energia chegue em tais áreas do corpo. Sendo assim, a reacção de emergência ou “reacção de luta-ou-fuga” é uma resposta adaptativa que vem antes dos estados emocionais, favorecendo o consumo de energia necessitado. As situações de perigo activam o sistema nervoso autônomo e a medula supra-renal, que preparam o corpo para a luta ou fuga (Okabe, s/d ).
As respostas fisiológicas do organismo ao stress que foi filtrado através da percepção e dos mecanismos psicossociais de defesa e a seguir modificado pelos apoios e gratificações que a pessoa obtém na sua vida, são necessários para a regulação da constância do meio interno . Cannon conceituou essa regulação como sendo uma função que chamou de homeostasia, que é a tendência do organismo vivo de reparar o dano causado por estímulos de qualquer tipo (Okabe, s/d ).
4. Conclusão
Contudo, pode-se referir que, stress não é necessariamente uma patologia, mas pode torna-se uma patologia dependendo de como o indivíduo vivencia os agentes stressores ou da frequência dos mesmos.
A vulnerabilidade individual e a capacidade de adaptação são muito importantes na ocorrência e na gravidade das reacções ao processo de stress. O desenvolvimento do processo de stress depende tanto da personalidade do indivíduo como do estado de saúde em que este se encontra (equilíbrio orgânico e mental), por isso nem todos desenvolvem o mesmo tipo de resposta diante dos mesmos estímulos.
A teoria de Reação de Emergência Cannon-Bard, fala da adaptabilidade e o desenvolvimento da resistência aos efeitos do stress e dos estímulos nocivos são pré-condições para a vida e a sobrevivência. Tal adaptação pode envolver reações específicas de defesa, como o desenvolvimento de anticorpos para vírus, ou mecanismos envolvidos na adaptação ao frio ou à vida em grandes altitudes ou a hipertrofia muscular por trabalho pesado e prolongado.
O Modelo da Conservação de Recursos de Hobfoll e Freedy, enfatiza a motivação do individuo, refere que, se o que motiva o individuo é subtraido ou frustrado ele pode entrar em stress. Portanto o stress é provocado pela falta ou retirada de algo que possibilite ao individuo alcançar o êxito pessoal ou realizar as tarefas do quotidiano.
O Modelo transacional de Lazarus dá ênfase aos processos mentais de juízo para a ocorrência do stress, segundo o mesmo, as reações de stress resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos. Portanto, não só os factores externos podem agir como stressores, mas também factores internos, como valores, objectivos.
A síndrome geral de adaptação referem que o stress pode conduzir à infecção, à doença e à morte. Este modelo descreve três estádios na ocorrência do stress: Alarme - quando os individuos são surpreendidos ou ameaçados, eles tem uma reacção física imediata chamada, frequentemente, de reação de Luta-ou-Vôo. Isto prepara o corpo para situações ameaça de vida, canalizando recursos ausentes como o do sistema digestivo e imunitário, a umas necessidades musculares e emocionais mais imediatas. Isto conduz a
uma supressão do sistema imune que está sendo comprimido, fazendo-nos suscetíveis à doença; Resistência - quando os individuos experienciam os níveis do stress, eles ficam inicialmente mais resistentes a doenças, que os conduz acreditar que eles podem facilmente se adaptar a estas situações mais stressantes; exaustão -
eventualmente os pontapés da realidade dentro de nossos corpos persistem em tentar manter uma elevação, em virtude do stress. As partes do corpo começam literalmente a ficarem exaustas e os individuos se transformam num puro mal-estar. Se eles continuarem a lutar contra esta situação, podem até morrer.
5. Referências bibliográficas
Fiamoncini R. L. & Fiamoncini, R. E (2003). Reação de emergência Cannon-Bard. Desponível em http://www.efdeportes.com/efd66/fadiga.htm acessado a 26 de Março de 2011.
Leite, N. ( 2007). Sindrome de burnout e relações sociais no trabalho. Disponível em
http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/3261/1/2007_NadiaMariaBeserraLeite.PDF acessado a 26 de Março de 2011.
Lipp, M., (2006). Teoria de temas de vida recorrente e crônico. Disponível em http://redalyc.uaemex.mx/pdf/946/94626311.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
Martins, M. (s/d). Factores de riscos psicossociais para saúde mental. Desponível em
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/33.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
Okabe, C.(s/d). Estilo de Vida e Estresse. Disponível em http://www.psicossomatica-sp.org.br/artigos5.html acessado a 26 de Março de 2011.
Romanach, A. (s/d).Teoria de Síndrome geral de adaptação de Hans Selye (1907-1982). desponível em http://www.homeopatiaexplicada.com.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=98&Itemid=17 acessado a 26 de Março de 2011.
Telles-Correia, & Barbosa, A. (2009). Ansiedade e depressão em medicina modelos teóricos e avaliação. Desponível em http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2009-22/1/089-098.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
Vieira, P. (2009). Estresse no trabalho: A percepção de vendedores de uma empresa. Desponível em http://inf.unisul.br/~psicologia/wpcontent/uploads/2009/07/PatriciaCorrea.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
As transformações do mundo moderno promoveram um grande impacto na sociedade. Considerando a agilidade destas mudanças que foram ocorrendo ao longo do tempo, não foi possível ao ser humano se adaptar rapidamente a nova realidade. A alta compectitividade no mercado de trabalho, o elevado “desejo” de consumo, o medo de estabelecer um relacionamento com as outras pessoas e a auto- exigência tem gerado insegurança que interfere na saúde mental das pessoas, pois a maneira como estão vivendo está distante do que haviam planeado para as suas vidas. Estas situações causam desconforto, propiciando o estado de stress, que exige do indivíduo o desenvolvimento de habilidades para enfrentá-las, a fim de evitar o adoecimento.
O stress é uma resposta complexa do organismo, que envolve reações físicas, psicológicas, mentais e hormonais frente a qualquer evento que seja interpretado pela pessoa como desafiante.
O presente trabalho surge no âmbito da disciplina de Psicologia da Emoção, Stress e Comunicação convista a comprender e explorar conceitos e modelos teóricos inerentes ao Stress.
O trabalho apresenta a seguinte estrutura: introdução, discussão de conceito de stress, modelos teoricos, teoria de temas de vida do stress recorrente e crônico, modelos transacional de Lazarus, Teoria de síndrome geral de adaptação de Hans Selye, modelo da conservação de recursos de Hobfool e Freedy, reação de emergência Cannon-Bard e a conclusão.
Para a elaboração do trabalho recorreu-se a revisão bibliográfica do material que aborda assuntos sobre o Stress.
2. Discussão do conceito de Stress
A palavra "Stress" etmologicamente é de origem inglesa que significa esforço de adaptação do organismo para fazer face a situações que considere ameaçadoras a sua vida e a seu equilíbrio interno ( Vieira, 2009).
Stress como processo é a tensão diante de uma situação de desafio: por ameaça ou conquista. O stress como estado é o resultado positivo ou negativo da tensão realizada pela pessoa (França & Rodrigues, 2005 citados por Vieira, 2009).
Reação psicofisiológica muito complexa, que tem, em sua gênese, a necessidade de o organismo lidar com algo que ameaça sua homeostase ou equilíbrio interno (Lipp 2004, citado por Vieira, 2009 ).
Stress pode ser entendido como uma tensão física, psíquica, social, positiva ou negativa, que decorre de um esforço desmedido do indivíduo para responder a determinadas exigências externas (Mendes & Cruz, 2004 citados por Vieira, 2009).
Apesar da existência diversos conceitos para a compreensão do stress, existem pontos em comum entre eles, que definem o stress envolvendo sempre: um estímulo externo, produzido a partir das situações do quotidiano; repostas psicológicas frente àquele estímulo e uma gama de consequências, nas quais o bem–estar do indivíduo está envolvido, como também, a compreensão de que a relação destes estímulos externos com o stress pode estar moderada por características do indivíduo e da situação.
O stress não deve ser considerado apenas como algo negativo, pois muitas pessoas ao buscarem a superação de seus limites optam por vivenciar situações de stress em diversos momentos de sua vida, como por exemplo, na escolha do desporto e ou da profissão. Sendo assim, o stress pode ser considerado como um mecanismo de adaptação utilizado pelas pessoas para responder as “exigências do meio externo, ou para responderem as metas que elas próprias se fixam”. O estímulo stressor, quando é interpretado como desafiador, provoca um quebra na homeostase do funcionamento interno que, por sua vez, cria uma necessidade de adaptação para preservar o bem-estar e a vida. A necessidade de adaptação exige a emissão de vários comportamentos adaptativos que se constituem na forma como a pessoa lida com o stress, ou seja, suas estratégias, adequadas ou não de enfrentamento.
Definiçôes do stress pelo senso comum
A palavra stress se refere-se a uma tensão mental ou física que os individuo experiencia no quotidiano, e é provocado por estimulos que ameaçam o bem-estar dos individuos.
É o desgaste mental que depois de uma grande e intensa actividade num curto espaço de tempo, culminando numa fadiga de espirito e corpo.
É a sensação ou estado de tensão, fadiga mental e/ou psicológico causado por estimulo tão repetitivo e desagradável.
É um estado de tensão, desgaste provocado pela descarga mental e fisica do individuo.
3.Modelos teóricos do stress
3.1. Teoria de temas de vida do stress recorrente e crônico
Os temas de vida funcionam como um referencial emocional que leva a pessoa a seleccionar, embora não intencionalmente, determinadas situações, parceiros e oportunidades semelhantes a situações do passado e que ofereçam repetição de sentimentos, atitudes e papéis. Os temas, que se repetem inúmeras vezes na vida dessas
pessoas, geram um nível de stress excessivo e contribuem para uma sensação crônica de fragilidade. É como se essas pessoas procurassem reviver os temas que são característicos de suas vidas. Esses temas agiriam como verdadeiros cenários nos quais a vida desenrola-se e onde elas parecem contracenar com pessoas diferentes, mas sempre mantendo o mesmo script ( Lipp, 2006).
3.2. Modelos transacional de Lazarus
Esse modelo, também chamado de modelo cognitivo, sublinha a importância de processos mentais de juízo para o stress: segundo ele, as reações de stress resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos (juízos de valor e outros). Assim, não apenas factores externos podem agir como stressores, mas também factores internos, como valores, objectivos (Telles-Correia & Barbosa, 2009).
Esta teoria realça a interdependência entre as cognições, as emoções e os comportamentos. Trata-se duma perspectiva na qual se destacam dois tipos de processos, a avaliação e o coping, os quais se referem à relação que se estabelece entre o indivíduo e o seu meio ambiente (Martins, s/d).
De acordo com Martins (s/d), a avaliação inclui a avaliação primária (mediante a qual a pessoa avalia a importância do acontecimento para o seu bem-estar) e a avaliação secundária (em que a pessoa avalia a sua capacidade para lidar com a situação).
O coping refere-se ao processo de lidar com as exigências internas e/ou externas que excedem os recursos da pessoa. A avaliação e o coping são processos transaccionais, na medida em consideram não o meio ou a pessoa considerados isoladamente, mas sim a integração de ambos numa determinada transação. A avaliação (por ex. a avaliação duma situação ameaçadora) implica um conjunto de condições do meio que são avaliados pela pessoa que tem características psicológicas particulares. O coping, por sua vez, inclui pensamentos e comportamentos que a pessoa utiliza para lidar com as exigências das transações indivíduo – meio que têm relevância para o seu bem estar (Martins, s/d).
Por outro lado, as avaliações das relações indivíduo-meio são influenciadas pelas características pessoais antecedentes como padrões de motivação (valores, objectivos), crenças acerca de si próprio e do mundo que o rodeia, e recursos pessoais de coping. A avaliação é também influenciada por variáveis do meio como, por exemplo, a natureza do perigo, a sua eminência, a duração, a existência e qualidade dos recursos de apoio social, que facilitam o processo de coping (Martins, s/d).
As variáveis cognitivas medeiam a resposta de coping, no sentido em que a pessoa tem tendência a evitar as situações avaliadas como ameaçadoras, para se confrontar com os desafios e para tentar aceitar as situações de dano ou de perda (Martins, s/d).
3.3.Teoria de Síndrome Geral de Adaptação de Hans Selye
Stress não é o factor que actua sobre o organismo, mas sim o sofrimento do organismo provocado pela acção desse factor - ou alarme (Romanach, s/d).
Hans Selye citado por Romanach (s/d) enunciou três premissas relacionadas ao stress:
1 - Qualquer stress desenvolve uma síndrome constituída de manifestações gerais essencialmente similares.
2 - Esta síndrome contribui para a adaptação.
3 - A adaptação pode causar doença.
A síndrome geral de adaptação consiste em um conjunto de reações inespecíficas e gerais do organismo contra estímulos persistentes causadores de stress. As alterações desta síndrome, sejam funcionais, bioquímicas, humorais ou morfológicas, são sempre as mesmas, gerais e não específicas, qualquer que seja a natureza da causa que as provocou (Romanach, s/d).
De acordo com Romanach (s/d), o termo síndrome advém do facto das manifestações, embora parcialmente independentes, estarem coordenadas entre si. A síndrome é geral porque condiciona fenómenos generalizados de defesa. Adaptação indica aquisição e manutenção de estado de resistência ou equilíbrio.
Esta síndrome torna-se patológica quando as reações fisiológicas de defesa se ampliam e intensificam em excesso, quando assumem curso anormal devido a interferências patológicas ou quando perdem a relação com a intensidade do alarme. A rotura da síndrome de adaptação produz morte orgânica (Romanach, s/d).
Quando um indivíduo é exposto continuamente a uma sobrecarga, a síndrome geral de adaptação resultante passa por três períodos distintos:
1. Alarme >>>>>>REACÇÃO DE ALARME>>>> CHOQUE >>>>CONTRA-CHOQUE
2. Fase de resistência
3. Fase da exaustão
Segundo Romanach (s/d), o alarme repetitivo ou excessivo está na base da doença de adaptação. Os alarmes representam factores de qualquer natureza que actuam sobre o organismo e o desviam do estado normal ou de repouso, mediante conjunto de modificações que constituem o stress.
O alarme vinculado ao fenómeno de stress induz no organismo:
uma reação fisiológica ou adaptação satisfatória;
ou uma reação patológica, por excesso, insuficiência ou anormalidade, dando origem às doenças de adaptação.
O estado de stress produz no organismo consequências específicas dependentes da natureza do alarme, com simultâneas consequências inespecíficas comuns a outros alarmes, constituindo estas últimas a finalidade do estudo da síndrome geral de adaptação (Romanach, s/d).
3.4.Modelo da Conservação de Recursos de Hobfool e Freedy (1993)
O Modelo da Conservação de Recursos de Hobfoll e Freedy (1993) foi originalmente desenvolvido para explicar o desenvolvimento do Stresse; sendo uma formulação teórica de carácter motivacional, essa abordagem postula que o stress surge quando aquilo que motiva o individuo é subtraído ou frustrado. Os elementos motivadores são considerados recursos de que se vale o individuo para cumprir sua tarefa; já os agentes stressores do quotidiano minam esses recursos e geram insegurança sobre sua capacidade para alcançar o êxito pessoal ( Leite, 2007).
Assim, segundo essa abordagem, a síndrome se instala quando falham as estratégias de enfrentamento de caráter activo. Assinala, ainda, que a sua prevenção deve enfatizar a consecução de recursos que permitam um desempenho eficaz nas tarefas quotidianas e mudar as percepções e cognições dos indivíduos. Se esses indivíduos conseguem evitar a perda de recursos ou aumentar aqueles já disponíveis, mudarão suas percepções e cognições de maneira positiva e consequentemente diminuirão os níveis de stress percebido ( Leite, 2007).
3.5.Reacção de Emergência Cannon-Bard
Em 1932, Walter B. Cannon em seu livro "A Sabedoria do Corpo", utilizou o termo "reação de emergência", para descrever que o ser humano ao reagir de maneira inadequada às exigências psíquicas no seu ambiente de vida, psicologicamente despreparado, poderá desenvolver um desgaste anormal no seu organismo e, apresentar uma incapacidade crônica de tolerar, superar ou se adaptar, apresentando lesões, desde intranquilidade até esgotamento ou embotamento mental, dependendo da sua estrutura psíquica (Fiamoncini e Fiamoncini, 2003).
Cannon suscitou o conceito “reacção de emergência”. Segundo supunha, em uma situação de emergência, o fluxo sanguíneo é redistribuído para os músculos e órgãos activados de modo que o suprimento de energia chegue em tais áreas do corpo. Sendo assim, a reacção de emergência ou “reacção de luta-ou-fuga” é uma resposta adaptativa que vem antes dos estados emocionais, favorecendo o consumo de energia necessitado. As situações de perigo activam o sistema nervoso autônomo e a medula supra-renal, que preparam o corpo para a luta ou fuga (Okabe, s/d ).
As respostas fisiológicas do organismo ao stress que foi filtrado através da percepção e dos mecanismos psicossociais de defesa e a seguir modificado pelos apoios e gratificações que a pessoa obtém na sua vida, são necessários para a regulação da constância do meio interno . Cannon conceituou essa regulação como sendo uma função que chamou de homeostasia, que é a tendência do organismo vivo de reparar o dano causado por estímulos de qualquer tipo (Okabe, s/d ).
4. Conclusão
Contudo, pode-se referir que, stress não é necessariamente uma patologia, mas pode torna-se uma patologia dependendo de como o indivíduo vivencia os agentes stressores ou da frequência dos mesmos.
A vulnerabilidade individual e a capacidade de adaptação são muito importantes na ocorrência e na gravidade das reacções ao processo de stress. O desenvolvimento do processo de stress depende tanto da personalidade do indivíduo como do estado de saúde em que este se encontra (equilíbrio orgânico e mental), por isso nem todos desenvolvem o mesmo tipo de resposta diante dos mesmos estímulos.
A teoria de Reação de Emergência Cannon-Bard, fala da adaptabilidade e o desenvolvimento da resistência aos efeitos do stress e dos estímulos nocivos são pré-condições para a vida e a sobrevivência. Tal adaptação pode envolver reações específicas de defesa, como o desenvolvimento de anticorpos para vírus, ou mecanismos envolvidos na adaptação ao frio ou à vida em grandes altitudes ou a hipertrofia muscular por trabalho pesado e prolongado.
O Modelo da Conservação de Recursos de Hobfoll e Freedy, enfatiza a motivação do individuo, refere que, se o que motiva o individuo é subtraido ou frustrado ele pode entrar em stress. Portanto o stress é provocado pela falta ou retirada de algo que possibilite ao individuo alcançar o êxito pessoal ou realizar as tarefas do quotidiano.
O Modelo transacional de Lazarus dá ênfase aos processos mentais de juízo para a ocorrência do stress, segundo o mesmo, as reações de stress resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos. Portanto, não só os factores externos podem agir como stressores, mas também factores internos, como valores, objectivos.
A síndrome geral de adaptação referem que o stress pode conduzir à infecção, à doença e à morte. Este modelo descreve três estádios na ocorrência do stress: Alarme - quando os individuos são surpreendidos ou ameaçados, eles tem uma reacção física imediata chamada, frequentemente, de reação de Luta-ou-Vôo. Isto prepara o corpo para situações ameaça de vida, canalizando recursos ausentes como o do sistema digestivo e imunitário, a umas necessidades musculares e emocionais mais imediatas. Isto conduz a
uma supressão do sistema imune que está sendo comprimido, fazendo-nos suscetíveis à doença; Resistência - quando os individuos experienciam os níveis do stress, eles ficam inicialmente mais resistentes a doenças, que os conduz acreditar que eles podem facilmente se adaptar a estas situações mais stressantes; exaustão -
eventualmente os pontapés da realidade dentro de nossos corpos persistem em tentar manter uma elevação, em virtude do stress. As partes do corpo começam literalmente a ficarem exaustas e os individuos se transformam num puro mal-estar. Se eles continuarem a lutar contra esta situação, podem até morrer.
5. Referências bibliográficas
Fiamoncini R. L. & Fiamoncini, R. E (2003). Reação de emergência Cannon-Bard. Desponível em http://www.efdeportes.com/efd66/fadiga.htm acessado a 26 de Março de 2011.
Leite, N. ( 2007). Sindrome de burnout e relações sociais no trabalho. Disponível em
http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/3261/1/2007_NadiaMariaBeserraLeite.PDF acessado a 26 de Março de 2011.
Lipp, M., (2006). Teoria de temas de vida recorrente e crônico. Disponível em http://redalyc.uaemex.mx/pdf/946/94626311.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
Martins, M. (s/d). Factores de riscos psicossociais para saúde mental. Desponível em
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium29/33.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
Okabe, C.(s/d). Estilo de Vida e Estresse. Disponível em http://www.psicossomatica-sp.org.br/artigos5.html acessado a 26 de Março de 2011.
Romanach, A. (s/d).Teoria de Síndrome geral de adaptação de Hans Selye (1907-1982). desponível em http://www.homeopatiaexplicada.com.br/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=98&Itemid=17 acessado a 26 de Março de 2011.
Telles-Correia, & Barbosa, A. (2009). Ansiedade e depressão em medicina modelos teóricos e avaliação. Desponível em http://www.actamedicaportuguesa.com/pdf/2009-22/1/089-098.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
Vieira, P. (2009). Estresse no trabalho: A percepção de vendedores de uma empresa. Desponível em http://inf.unisul.br/~psicologia/wpcontent/uploads/2009/07/PatriciaCorrea.pdf acessado a 26 de Março de 2011.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Psicologia da saúde e ciências afins
Autores: Erica da Costa; Hipólito Sambo & Vicente Mazive
O ser humano, quer sozinho quer em grupo, necessita, como o ar que respira, de viver e agir em saúde e segurança, tornando-se evidente constituir um fenómeno social a preocupação pela manutenção de um estado são e seguro do indivíduo e da colectividade, e desde a sua existência, o Homem ocupa largo tempo da sua vida e despende grande parte da sua acção a organizar a sua defesa/segurança.
Como consequência disso, passou a prestar maior atenção à sua saúde e factos relacionados, criando formas de percebê-la, através de interpretações, dando lugar a ciências especializadas no tema.
O trabalho que se segue é o resultado de revisão bibliográfica sobre as ciências afins á Psicologia da Saúde: História, Educação e a Sociologia, e será dado o enfoque á contribuição das mesmas para a construção do conceito de Saúde, desde a sua construção até os dias actuais. O trabalho surge no âmbito da disciplina Psicologia da Saúde do curso Psicologia Social e das Organizações.
A Psicologia da Saúde é uma especialidade psicológica bem recente, uma disciplina que visa melhor entender os fenómenos psicológicos relativos ao estado da saúde. Ela se preocupa com a compreensão pedagógica, científica e específica da Psicologia, sustentando o objectivo de instrumentalizá-la no desenvolvimento e na preservação da saúde, na profilaxia e na cura das enfermidades, na apuração das causas e na determinação precisa das doenças que acometem os pacientes, e também na melhoria da qualidade das políticas de Saúde.
Conceitos-chave: Saúde, Saúde Pública, Psicologia da Saúde, História da Saúde, Sociologia da Saúde, Educação para Saúde
2. conceitos
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) apud Sousa (2008), Saúde é o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade, é necessário ter em conta o sujeito e a sua intersubjectividade e os seus funcionamentos afectivo, cognitivo, comportamental e social, ou seja, o sujeito, a família e o suporte social num contexto de doença, de saúde ou de situações que implicam um ajustamento psicológico, mas que não acarretam alteração do estado de saúde.
A Saúde Pública, é, também definida pela OMS apud Ferreira (1990), como sendo a ciência e a arte de prevenir as doenças, de prolongar a vida e melhorar a saúde e a eficiência mental e física dos indivíduos, por meio dos esforços organizados da comunidade, tendo em vista, o saneamento do meio ambiente com a finalidade do diagnóstico precoce e do tratamento preventivo das doenças por forma que cada indivíduo possa usufruir o seu direito á saúde e á longetividade.
Assim, segundo a OMS apud Ferreira (1990), a Saúde Pública busca o estudo e a solução dos problemas que condicionam a saúde dos indivíduos integrados no seu meio ambiente, seguindo plano e programas coordenados, baseando os seu estudo no conhecimento das causas, mecanismos de aparecimento e evolução das doenças.
Segundo Angerami (2000) a Psicologia da Saúde agrega um conhecimento educacional, científico e profissional da disciplina Psicologia para utilizá-lo na promoção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento da doença na identificação da etiologia e no diagnóstico relacionados à saúde, doença e as disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de política de saúde.
Segundo Matos (2004), o conceito da OMS, divulgado na carta de princípios de 7 de abril de 1948 (desde então o Dia Mundial da Saúde) implicando o reconhecimento do direito à Saúde e da obrigação do Estado na promoção e proteção da saúde, diz que a Saúde deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações. O campo da Saúde abrange:
A Biologia Humana (compreende a herança genética e os processos biológicos inerentes à vida, incluindo os factores de envelhecimento)
O Meio Ambiente (inclui o solo, a água, o ar, a moradia, o local de trabalho)
O Estilo de Vida (decisões que afectam a saúde: fumar ou deixar de fumar, beber ou não, praticar ou não exercícios)
A Organização da Assistência à Saúde (a assistência médica, os serviços ambulatoriais e hospitalares e os medicamentos são as primeiras coisas em que muitas pessoas pensam quando se fala em saúde. No entanto, esse é apenas um componente do campo da saúde, e não necessariamente o mais importante: às vezes, é mais benéfico para a saúde ter água potável e alimentos saudáveis do que dispor de medicamentos; melhor evitar o fumo do que submeter-se a radiografias de pulmão todos os anos, etc.).
3. Ciências afins da Psicologia da Saúde
3.1. História da Saúde
Na sociedade primitiva o homem percebeu que da vida em comunidade resultam perigos para a saúde dos indivíduos que constituem os grupos. E, daí surgem os primeiros meios para a redução desses perigos: estabelecimento de medidas, leis, práticas individuais, comunitárias e religiosas. Esses meios tinham como limitação a escassa capacidade de compreensão dos fenómenos naturais.
A Idade Paleolítica era caracterizada por pequenos grupos de caçadores e recolectores que eram nómados. Havia uma ausência de epidemias e a esperança de vida era elevada. As doenças eram resultante de factores ambientais e acidentes. O homem tinha uma visão totémica da realidade: acreditava que a doença era resultado de actuação de diferentes espíritos maléficos que deviam ser combatidos. Na Idade Neolítica a sociedade tornou-se sedentária e dependente do cultivo e da propriedade da terra; houve crescimento demográfico e deficiência nutricional dos grupos mais baixos da sociedade; introduziram-se alimentos açucarados e apareceram novas doenças e pragas. Nesta época a doença era vista como castigo divino a condutas reprováveis; Concitos de contágio e de isolamento para condutas colectivas (leprosos); Conceitos de sujidade e de pureza para a conduta individual (jejum, abstinência sexual, limpeaza, etc). Já na Idade Média, com o desenvolvimento da medicina empírica na Grécia as doenças já não são consideradas um capricho dos deuses nem matéria da magia, mas sim procesos de natureza que obedecem as leis naturais; o corpo humano dispõe de poder natural de cura que é preciso auxiliar e não contrariar durante as doenças; houve o surgimento dos primeiros hospitais e de recolhimentos; quarentenas contra a peste negra e como medida de prevenção e controlo das doenças na comunidade. No Renascimento (séc. XIII-XV) surgem as primeiras Organizações Públicas Sanitárias (conselho municipal de saúde), as primeiras medidas públicas de saúde (quarentena e lazaretos) que deram lugar aos primeiros hospitais como solução à desordem das multidões desprotegidas nas ruas.
De acordo com Carapinheiro, G. (2008) a história social das doenças nas sociedades europeias, revelam que em cada época, ''uma doença domina a realidade da experiência e a estructura das representações; trata-se da construção social da doença''. Esta construção, permite traçar o quadro da realidade social das doenças em contextos sócio-históricos precisos: conjunto de doença que tipificam cada sociedade em cada momento, distribuição social e o traçado histórico das doenças que precede a situação actual, mudança no sistema de valorização das doenças, e permite determinar os elementos de estruturação da identidade social do doente (consturção do estatuto social do doente), relação do doente com a doença (percepção, representação e experiências subjectivas e objectivas da doença).
3.2. Sociologia da saúde
A Sociologia da Saúde é o estudo do comportamento de grupos e/ou indivíduos que dizem respeito à saúde e à doença.
A interdisciplinaridade é a mais inovadora forma de melhoria no ensino, em especial, o superior. Desta maneira a Sociologia, como ciência da sociedade, penetra nas demais áreas do conhecimento científico e tenta dar a sua contribuição pela óptica do social na formação dos novos profissionais. Na enfermagem, ela entra como sociologia da saúde, tentando quebrar a visão tecnicista do processo doença- saúde.
As perspectivas médicas da saúde, da doença e do corpo dominam os discursos públicos e privados e as práticas sociais quotidianas da população – os problemas são colocados sob o olhar médico científico, ficando esses problemas sociais submetidos à racionalidade das ciências biomédicas. Assim, a medicalização tem também a ver com o modo como, através do seu discurso e das suas práticas institucionalizadas, a medicina exerce uma autoridade moral que acaba por legitimar a sua interferência na criação de ideias e valores na sociedade.
Classicamente, os estudos sociológicos sobre saúde estão mais centrados nas práticas médicas, nas relações entre médico e paciente (Martins apud Martins & Fontes, 2008). Desde os anos 7, porém, estudos vêm sendo realizados no intuito de explorar as implicações sociológicas de aspectos da saúde que extrapolam a dimensão assistencial-curativa. A articulação entre saúde e sociedade torna-se possível no momento em que se passa a questionar a definição de doença como factor meramente biológico, resgatando-se o lugar da doença na experiência humana (Rabelo, Alves e Souza apud Martins & Fontes, 2008).
Na actualidade, a presença das Ciências Sociais no campo da saúde é essencial por diferentes razões: corroboram no entendimento das mudanças nos padrões de mortalidade e sua relação com hábitos e comportamentos; permitem compreender a dinâmica das condições crônicas, promovendo trabalho multidisciplinar e intersectorial; explicitam a composição multicultural e multi-étnica das sociedades e auxiliam na construção de competências no campo da comunicação, negociação e motivação; ajudam na identificação de fatores estressores e no desenvolvimento de estratégias de ação sobre fatores físicos, psíquicos, culturais e ambientais; e promovem a humanização no cuidado de pacientes e nas relações de trabalho (Barros & Nunes, 2009).
Até o fim dos anos 1980, enfatizavam-se possibilidades de aproximação da Sociologia com a Medicina, com a perspectiva de uma Sociologia na Medicina, desenvolvida nas escolas médicas, e outra da Medicina, produzida nos departamentos de Sociologia. Na década de 1990, outras sociologias apareceram, de forma que a sociologia médica deu espaço para a sociologia: da enfermagem, da saúde e doença, dos cuidados em saúde, dos serviços de saúde e das práticas alternativas e complementares.
3.3. Promoção da Educação para a Saúde
A Educação para a Saúde é um processo de capacitação, participação e responsabilização dos indivíduos que consiga potenciar a percepção individual de competência, felicidade pessoal e valor próprio, quando a escolha é adoptar e manter estilos de vida saudáveis. A Educação para a Saúde não se pode limitar a adoptar uma abordagem específica da doença, nem privilegiar apenas a sua informação ou as suas características instrumentais. Implica uma resposta organizada do sistema no sentido de permitir que esta educação para a saúde tenha repercussão na vida dos jovens, no seu quotidiano, nomeadamente tornando acessíveis cenários e contextos promotores de saúde. Numa perspectiva de Educação para a Saúde, considerando vários comportamentos associados à saúde (cuidados de saúde primários, alimentação, prevenção de consumos, prevenção de comportamentos sexuais de risco, prevenção do sedentarismo, promoção da competência pessoal, promoção de relações interpessoais gratificantes), a eficácia na modificação de comportamentos no sentido da adopção de um estilo de vida saudável passa por (1) compreensão da história “natural” dos comportamentos visados; (2) identificação de determinantes pessoais, sociais, situacionais, ambientais e políticas modificáveis; (3) desenvolvimento de estratégias para a modificação destes comportamentos, quer através de mudanças no indivíduo (cognitivas, emocionais, motivacionais, comportamentais), quer através de mudanças no envolvimento físico e social.
Para Matos (2004) o conceito de Promoção da Saúde inclui a ideia de que a Saúde pode desenvolver-se ao longo do ciclo da vida e que esta evolução é qualitativa.
Inclui ainda a ideia de que a saúde é um processo (e não um estado) que tem a ver com a interacção do organismo com o seu ambiente físico e social. Assim, o homem passa a ser visto como um sistema auto-organizado e autoconstruído, que inclui funções biológicas, de gestão (identificação de problemas, decisão, controlo), de manutenção (alimentação e bebida,) e excitatórias (atenção, emoção, motivação), cuja compreensão é inseparável do ambiente físico e social por onde transita.
A Promoção da Saúde é um processo que visa dar às pessoas informações e conhecimentos das suas capacidades pessoais (genéticas, físicas e psíquicas) que lhes permitam rentabilizar o seu capital próprio numa perspectiva de aumentar o seu controlo sobre os determinantes da sua saúde e assim melhorar a sua saúde e a sua qualidade de vida; a qualidade de vida é, neste contexto, a percepção por parte dos indivíduos de que (1) participam na gestão das suas vidas e da sua saúde, (2) as suas necessidades estão a ser satisfeitas e (3) não lhes estão a ser negadas oportunidades de alcançar felicidade e satisfação, não obstante o estado físico de saúde, ou condições sociais e económicas, a participação/ comportamento dos indivíduos é essencial neste processo (OMS, 1986).
Um comportamento de saúde é qualquer actividade, desenvolvida por um indivíduo, qualquer que seja o seu estado de saúde real ou percebido, com o objectivo de promoção, protecção ou manutenção da saúde, quer esse comportamento seja ou não objectivamente eficiente para o fim (OMS, 1986), e existem dois tipos de comportamento de promoção de saúde: comportamentos de risco que são formas específicas de comportamento associadas ao aumento de susceptibilidade a uma doença específica ou à «doença-saúde» (OMS, 1986); são usualmente definidos como “perigosos” com base em dados epidemiológicos e dados psico-sociais, e comportamentos de protecção aqueles que têm um efeito minimizador de situações de risco.
É possível argumentar que quase todos os comportamentos ou actividades de um indivíduo têm impacto no seu estado de saúde. Como comportamentos prejudiciais para a saúde temos, por exemplo, tabagismo, alimentação rica em gorduras, ingestão de grandes quantidades de álcool, consumo de substâncias psicopáticas ilegais, ou fora de um contexto de vigilância médica. Como comportamentos de protecção da saúde temos, lavagem dos dentes, uso de cinto de segurança, prática de actividade física, procura de informação relacionada com a saúde, realização de exames médicos de rotina regulares, adequado número de horas de sono por noite.
O estudo dos comportamentos dos indivíduos ligados à saúde e os factores que os influenciam é essencial para o desenvolvimento com qualidade de políticas de Educação para a Saúde, para a Promoção da Saúde e para programas e intervenções nos indivíduos e nas comunidades. A promoção da saúde representa um amplo processo social e político, que inclui não só acções dirigidas ao fortalecimento das competências pessoais e sociais dos indivíduos, mas também acções dirigidas à alteração das condições sociais, ambientais e económicas, mas também dirigidas a minorar o seu impacto na saúde pública e individual. A promoção da saúde tem a ver com a tomada de medidas no dia-a-dia, quer a nível individual quer a nível colectivo.
4. Relação entre Psicologia da Saúde e Ciências afins
Antes de falar da interdisciplinaridade é importante saber o conceito de Saúde. Define-se saúde como o estado do bem estar bio-psico-socio-economico do individuo. De acordo com Scliar (2007), o conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito. Com isto, nota-se que a Psicologia da Saúde, é bastante complexa porque ela tem que se afiliar a outras áreas de modo a criar um conhecimento mais sólido acerca da saúde.
Várias disciplinas têm surgido com o propósito de compreender o ser humano no seu todo, como uma entidade completa, uma engrenagem onde tudo se interliga, nada pode ser desagregado. A Psicologia da Saúde é igualmente um fruto desta tendência mundial, pois busca contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mentalmente saudável, conquistando um ponto de vista holístico, ou seja, bio-psico-social, de cada ser, percebendo-o como peça essencial para uma melhor qualidade da "vida em sociedade.
Este campo do conhecimento resgata a visão do Homem como um todo, no qual é impossível dissociar a mente do organismo.
Segundo Ogden (1999), a Psicologia da Saúde justifica a sua pertinência argumentando «que os seres humanos devem ser vistos como sistemas complexos» e que para uma compreensão das causas e do tratamento da doença é necessário considerar «uma multiplicidade de factores e não um único factor causal» propondo uma abordagem biopsicossocial de saúde.
A Psicologia da Saúde tem como ciências afins a Sociologia, a Medicina, Economia, a Antropologia e outras. Neste sentido, a Psicologia da Saúde surge como uma área de intervenção psicológica que não só inclui a saúde física e a saúde mental como, também, abrange todo o campo da Medicina e o transcende, em direcção aos factores sociais, económicos e culturais relacionados com a saúde e a doença.
5. Conclusão
Saúde é o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas ausência de doenças ou enfermidade.
Com o desenvolvimento da medicina empírica na Grécia, na Idade Média, as doenças já não são consideradas um capricho dos deuses nem matéria da magia, mas sim procesos de natureza que obedecem as leis naturais; o corpo humano dispõe de poder natural de cura que é preciso auxiliar e não contrariar durante as doenças; houve o surgimento dos primeiros hospitais e de recolhimentos; quarentenas contra a peste negra e como medida de prevenção e controlo das doenças na comunidade.
Os estudos sociológicos sobre saúde estão mais centrados nas práticas médicas, nas relações entre médico e paciente (Martins apud Martins & Fontes, 2008). Desde os anos setenta, porém, estudos vêm sendo realizados no intuito de explorar as implicações sociológicas de aspectos da saúde que extrapolam a dimensão assistencial-curativa. A articulação entre saúde e sociedade torna-se possível no momento em que se passa a questionar a definição de doença como fator meramente biológico, resgatando-se o lugar da doença na experiência humana.
O conceito de Promoção da Saúde inclui a ideia de que a Saúde pode desenvolver-se ao longo do ciclo da vida e que esta evolução é qualitativa. Inclui ainda a ideia de que a saúde é um processo (e não um estado) que tem a ver com a interacção do organismo com o seu ambiente físico e social.
A Psicologia da Saúde tem como ciências afins a Sociologia, a Medicina, Economia, a Antropologia e outras. Neste sentido, a Psicologia da Saúde surge como uma área de intervenção psicológica que não só inclui a saúde física e a saúde mental como, também, abrange todo o campo da Medicina e o transcende, em direcção aos factores sociais, económicos e culturais relacionados com a saúde e a doença.
6. Referências bibliográficas
Angerami, V. (2000). Psicologia da Saúde: Um novo significado para a prática clínica. Cenage Learning Edições: São Paulo.
Barros, N. F. & Nunes, E. D. (2009). Sociologia, Medicina e a construção da Sociologia da Saúde. Rev Saúde Pública 2009;43(1):169-75
Carapinheiro, G. (2008). A saúde no contexto da Sociologia. Lisboa: Centro de Investigação e Estudos de Sociologia- CIES
Ferreira, T. (1990). Moderna Saúde Pública. (6ª ed.). s/l: Fundação Calouste Gulbenkian
Martins, P. H. & Fontes, B. (2008). A sociologia e a saúde: caminhos cruzados. Recife:UFPE
Matos, M. G. (2004). Psicologia da Saúde, Saúde pública e Saúde Internacional. Disponível em http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v22n3/v22n3a03.pdf
Ogden, J. (1999). Psicologia da saúde. Lisboa: Climepsi Editores
Scliar, M. (2007). História do Conceito de Saúde. Rio de Janeiro: Physis
Souza, G. (2008). Psicologia da Saúde. Acessado de:(http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=991), em 28 de Março de 2011
O ser humano, quer sozinho quer em grupo, necessita, como o ar que respira, de viver e agir em saúde e segurança, tornando-se evidente constituir um fenómeno social a preocupação pela manutenção de um estado são e seguro do indivíduo e da colectividade, e desde a sua existência, o Homem ocupa largo tempo da sua vida e despende grande parte da sua acção a organizar a sua defesa/segurança.
Como consequência disso, passou a prestar maior atenção à sua saúde e factos relacionados, criando formas de percebê-la, através de interpretações, dando lugar a ciências especializadas no tema.
O trabalho que se segue é o resultado de revisão bibliográfica sobre as ciências afins á Psicologia da Saúde: História, Educação e a Sociologia, e será dado o enfoque á contribuição das mesmas para a construção do conceito de Saúde, desde a sua construção até os dias actuais. O trabalho surge no âmbito da disciplina Psicologia da Saúde do curso Psicologia Social e das Organizações.
A Psicologia da Saúde é uma especialidade psicológica bem recente, uma disciplina que visa melhor entender os fenómenos psicológicos relativos ao estado da saúde. Ela se preocupa com a compreensão pedagógica, científica e específica da Psicologia, sustentando o objectivo de instrumentalizá-la no desenvolvimento e na preservação da saúde, na profilaxia e na cura das enfermidades, na apuração das causas e na determinação precisa das doenças que acometem os pacientes, e também na melhoria da qualidade das políticas de Saúde.
Conceitos-chave: Saúde, Saúde Pública, Psicologia da Saúde, História da Saúde, Sociologia da Saúde, Educação para Saúde
2. conceitos
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) apud Sousa (2008), Saúde é o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade, é necessário ter em conta o sujeito e a sua intersubjectividade e os seus funcionamentos afectivo, cognitivo, comportamental e social, ou seja, o sujeito, a família e o suporte social num contexto de doença, de saúde ou de situações que implicam um ajustamento psicológico, mas que não acarretam alteração do estado de saúde.
A Saúde Pública, é, também definida pela OMS apud Ferreira (1990), como sendo a ciência e a arte de prevenir as doenças, de prolongar a vida e melhorar a saúde e a eficiência mental e física dos indivíduos, por meio dos esforços organizados da comunidade, tendo em vista, o saneamento do meio ambiente com a finalidade do diagnóstico precoce e do tratamento preventivo das doenças por forma que cada indivíduo possa usufruir o seu direito á saúde e á longetividade.
Assim, segundo a OMS apud Ferreira (1990), a Saúde Pública busca o estudo e a solução dos problemas que condicionam a saúde dos indivíduos integrados no seu meio ambiente, seguindo plano e programas coordenados, baseando os seu estudo no conhecimento das causas, mecanismos de aparecimento e evolução das doenças.
Segundo Angerami (2000) a Psicologia da Saúde agrega um conhecimento educacional, científico e profissional da disciplina Psicologia para utilizá-lo na promoção e na manutenção da saúde, na prevenção e no tratamento da doença na identificação da etiologia e no diagnóstico relacionados à saúde, doença e as disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de política de saúde.
Segundo Matos (2004), o conceito da OMS, divulgado na carta de princípios de 7 de abril de 1948 (desde então o Dia Mundial da Saúde) implicando o reconhecimento do direito à Saúde e da obrigação do Estado na promoção e proteção da saúde, diz que a Saúde deveria expressar o direito a uma vida plena, sem privações. O campo da Saúde abrange:
A Biologia Humana (compreende a herança genética e os processos biológicos inerentes à vida, incluindo os factores de envelhecimento)
O Meio Ambiente (inclui o solo, a água, o ar, a moradia, o local de trabalho)
O Estilo de Vida (decisões que afectam a saúde: fumar ou deixar de fumar, beber ou não, praticar ou não exercícios)
A Organização da Assistência à Saúde (a assistência médica, os serviços ambulatoriais e hospitalares e os medicamentos são as primeiras coisas em que muitas pessoas pensam quando se fala em saúde. No entanto, esse é apenas um componente do campo da saúde, e não necessariamente o mais importante: às vezes, é mais benéfico para a saúde ter água potável e alimentos saudáveis do que dispor de medicamentos; melhor evitar o fumo do que submeter-se a radiografias de pulmão todos os anos, etc.).
3. Ciências afins da Psicologia da Saúde
3.1. História da Saúde
Na sociedade primitiva o homem percebeu que da vida em comunidade resultam perigos para a saúde dos indivíduos que constituem os grupos. E, daí surgem os primeiros meios para a redução desses perigos: estabelecimento de medidas, leis, práticas individuais, comunitárias e religiosas. Esses meios tinham como limitação a escassa capacidade de compreensão dos fenómenos naturais.
A Idade Paleolítica era caracterizada por pequenos grupos de caçadores e recolectores que eram nómados. Havia uma ausência de epidemias e a esperança de vida era elevada. As doenças eram resultante de factores ambientais e acidentes. O homem tinha uma visão totémica da realidade: acreditava que a doença era resultado de actuação de diferentes espíritos maléficos que deviam ser combatidos. Na Idade Neolítica a sociedade tornou-se sedentária e dependente do cultivo e da propriedade da terra; houve crescimento demográfico e deficiência nutricional dos grupos mais baixos da sociedade; introduziram-se alimentos açucarados e apareceram novas doenças e pragas. Nesta época a doença era vista como castigo divino a condutas reprováveis; Concitos de contágio e de isolamento para condutas colectivas (leprosos); Conceitos de sujidade e de pureza para a conduta individual (jejum, abstinência sexual, limpeaza, etc). Já na Idade Média, com o desenvolvimento da medicina empírica na Grécia as doenças já não são consideradas um capricho dos deuses nem matéria da magia, mas sim procesos de natureza que obedecem as leis naturais; o corpo humano dispõe de poder natural de cura que é preciso auxiliar e não contrariar durante as doenças; houve o surgimento dos primeiros hospitais e de recolhimentos; quarentenas contra a peste negra e como medida de prevenção e controlo das doenças na comunidade. No Renascimento (séc. XIII-XV) surgem as primeiras Organizações Públicas Sanitárias (conselho municipal de saúde), as primeiras medidas públicas de saúde (quarentena e lazaretos) que deram lugar aos primeiros hospitais como solução à desordem das multidões desprotegidas nas ruas.
De acordo com Carapinheiro, G. (2008) a história social das doenças nas sociedades europeias, revelam que em cada época, ''uma doença domina a realidade da experiência e a estructura das representações; trata-se da construção social da doença''. Esta construção, permite traçar o quadro da realidade social das doenças em contextos sócio-históricos precisos: conjunto de doença que tipificam cada sociedade em cada momento, distribuição social e o traçado histórico das doenças que precede a situação actual, mudança no sistema de valorização das doenças, e permite determinar os elementos de estruturação da identidade social do doente (consturção do estatuto social do doente), relação do doente com a doença (percepção, representação e experiências subjectivas e objectivas da doença).
3.2. Sociologia da saúde
A Sociologia da Saúde é o estudo do comportamento de grupos e/ou indivíduos que dizem respeito à saúde e à doença.
A interdisciplinaridade é a mais inovadora forma de melhoria no ensino, em especial, o superior. Desta maneira a Sociologia, como ciência da sociedade, penetra nas demais áreas do conhecimento científico e tenta dar a sua contribuição pela óptica do social na formação dos novos profissionais. Na enfermagem, ela entra como sociologia da saúde, tentando quebrar a visão tecnicista do processo doença- saúde.
As perspectivas médicas da saúde, da doença e do corpo dominam os discursos públicos e privados e as práticas sociais quotidianas da população – os problemas são colocados sob o olhar médico científico, ficando esses problemas sociais submetidos à racionalidade das ciências biomédicas. Assim, a medicalização tem também a ver com o modo como, através do seu discurso e das suas práticas institucionalizadas, a medicina exerce uma autoridade moral que acaba por legitimar a sua interferência na criação de ideias e valores na sociedade.
Classicamente, os estudos sociológicos sobre saúde estão mais centrados nas práticas médicas, nas relações entre médico e paciente (Martins apud Martins & Fontes, 2008). Desde os anos 7, porém, estudos vêm sendo realizados no intuito de explorar as implicações sociológicas de aspectos da saúde que extrapolam a dimensão assistencial-curativa. A articulação entre saúde e sociedade torna-se possível no momento em que se passa a questionar a definição de doença como factor meramente biológico, resgatando-se o lugar da doença na experiência humana (Rabelo, Alves e Souza apud Martins & Fontes, 2008).
Na actualidade, a presença das Ciências Sociais no campo da saúde é essencial por diferentes razões: corroboram no entendimento das mudanças nos padrões de mortalidade e sua relação com hábitos e comportamentos; permitem compreender a dinâmica das condições crônicas, promovendo trabalho multidisciplinar e intersectorial; explicitam a composição multicultural e multi-étnica das sociedades e auxiliam na construção de competências no campo da comunicação, negociação e motivação; ajudam na identificação de fatores estressores e no desenvolvimento de estratégias de ação sobre fatores físicos, psíquicos, culturais e ambientais; e promovem a humanização no cuidado de pacientes e nas relações de trabalho (Barros & Nunes, 2009).
Até o fim dos anos 1980, enfatizavam-se possibilidades de aproximação da Sociologia com a Medicina, com a perspectiva de uma Sociologia na Medicina, desenvolvida nas escolas médicas, e outra da Medicina, produzida nos departamentos de Sociologia. Na década de 1990, outras sociologias apareceram, de forma que a sociologia médica deu espaço para a sociologia: da enfermagem, da saúde e doença, dos cuidados em saúde, dos serviços de saúde e das práticas alternativas e complementares.
3.3. Promoção da Educação para a Saúde
A Educação para a Saúde é um processo de capacitação, participação e responsabilização dos indivíduos que consiga potenciar a percepção individual de competência, felicidade pessoal e valor próprio, quando a escolha é adoptar e manter estilos de vida saudáveis. A Educação para a Saúde não se pode limitar a adoptar uma abordagem específica da doença, nem privilegiar apenas a sua informação ou as suas características instrumentais. Implica uma resposta organizada do sistema no sentido de permitir que esta educação para a saúde tenha repercussão na vida dos jovens, no seu quotidiano, nomeadamente tornando acessíveis cenários e contextos promotores de saúde. Numa perspectiva de Educação para a Saúde, considerando vários comportamentos associados à saúde (cuidados de saúde primários, alimentação, prevenção de consumos, prevenção de comportamentos sexuais de risco, prevenção do sedentarismo, promoção da competência pessoal, promoção de relações interpessoais gratificantes), a eficácia na modificação de comportamentos no sentido da adopção de um estilo de vida saudável passa por (1) compreensão da história “natural” dos comportamentos visados; (2) identificação de determinantes pessoais, sociais, situacionais, ambientais e políticas modificáveis; (3) desenvolvimento de estratégias para a modificação destes comportamentos, quer através de mudanças no indivíduo (cognitivas, emocionais, motivacionais, comportamentais), quer através de mudanças no envolvimento físico e social.
Para Matos (2004) o conceito de Promoção da Saúde inclui a ideia de que a Saúde pode desenvolver-se ao longo do ciclo da vida e que esta evolução é qualitativa.
Inclui ainda a ideia de que a saúde é um processo (e não um estado) que tem a ver com a interacção do organismo com o seu ambiente físico e social. Assim, o homem passa a ser visto como um sistema auto-organizado e autoconstruído, que inclui funções biológicas, de gestão (identificação de problemas, decisão, controlo), de manutenção (alimentação e bebida,) e excitatórias (atenção, emoção, motivação), cuja compreensão é inseparável do ambiente físico e social por onde transita.
A Promoção da Saúde é um processo que visa dar às pessoas informações e conhecimentos das suas capacidades pessoais (genéticas, físicas e psíquicas) que lhes permitam rentabilizar o seu capital próprio numa perspectiva de aumentar o seu controlo sobre os determinantes da sua saúde e assim melhorar a sua saúde e a sua qualidade de vida; a qualidade de vida é, neste contexto, a percepção por parte dos indivíduos de que (1) participam na gestão das suas vidas e da sua saúde, (2) as suas necessidades estão a ser satisfeitas e (3) não lhes estão a ser negadas oportunidades de alcançar felicidade e satisfação, não obstante o estado físico de saúde, ou condições sociais e económicas, a participação/ comportamento dos indivíduos é essencial neste processo (OMS, 1986).
Um comportamento de saúde é qualquer actividade, desenvolvida por um indivíduo, qualquer que seja o seu estado de saúde real ou percebido, com o objectivo de promoção, protecção ou manutenção da saúde, quer esse comportamento seja ou não objectivamente eficiente para o fim (OMS, 1986), e existem dois tipos de comportamento de promoção de saúde: comportamentos de risco que são formas específicas de comportamento associadas ao aumento de susceptibilidade a uma doença específica ou à «doença-saúde» (OMS, 1986); são usualmente definidos como “perigosos” com base em dados epidemiológicos e dados psico-sociais, e comportamentos de protecção aqueles que têm um efeito minimizador de situações de risco.
É possível argumentar que quase todos os comportamentos ou actividades de um indivíduo têm impacto no seu estado de saúde. Como comportamentos prejudiciais para a saúde temos, por exemplo, tabagismo, alimentação rica em gorduras, ingestão de grandes quantidades de álcool, consumo de substâncias psicopáticas ilegais, ou fora de um contexto de vigilância médica. Como comportamentos de protecção da saúde temos, lavagem dos dentes, uso de cinto de segurança, prática de actividade física, procura de informação relacionada com a saúde, realização de exames médicos de rotina regulares, adequado número de horas de sono por noite.
O estudo dos comportamentos dos indivíduos ligados à saúde e os factores que os influenciam é essencial para o desenvolvimento com qualidade de políticas de Educação para a Saúde, para a Promoção da Saúde e para programas e intervenções nos indivíduos e nas comunidades. A promoção da saúde representa um amplo processo social e político, que inclui não só acções dirigidas ao fortalecimento das competências pessoais e sociais dos indivíduos, mas também acções dirigidas à alteração das condições sociais, ambientais e económicas, mas também dirigidas a minorar o seu impacto na saúde pública e individual. A promoção da saúde tem a ver com a tomada de medidas no dia-a-dia, quer a nível individual quer a nível colectivo.
4. Relação entre Psicologia da Saúde e Ciências afins
Antes de falar da interdisciplinaridade é importante saber o conceito de Saúde. Define-se saúde como o estado do bem estar bio-psico-socio-economico do individuo. De acordo com Scliar (2007), o conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas. O mesmo, aliás, pode ser dito das doenças. Aquilo que é considerado doença varia muito. Com isto, nota-se que a Psicologia da Saúde, é bastante complexa porque ela tem que se afiliar a outras áreas de modo a criar um conhecimento mais sólido acerca da saúde.
Várias disciplinas têm surgido com o propósito de compreender o ser humano no seu todo, como uma entidade completa, uma engrenagem onde tudo se interliga, nada pode ser desagregado. A Psicologia da Saúde é igualmente um fruto desta tendência mundial, pois busca contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mentalmente saudável, conquistando um ponto de vista holístico, ou seja, bio-psico-social, de cada ser, percebendo-o como peça essencial para uma melhor qualidade da "vida em sociedade.
Este campo do conhecimento resgata a visão do Homem como um todo, no qual é impossível dissociar a mente do organismo.
Segundo Ogden (1999), a Psicologia da Saúde justifica a sua pertinência argumentando «que os seres humanos devem ser vistos como sistemas complexos» e que para uma compreensão das causas e do tratamento da doença é necessário considerar «uma multiplicidade de factores e não um único factor causal» propondo uma abordagem biopsicossocial de saúde.
A Psicologia da Saúde tem como ciências afins a Sociologia, a Medicina, Economia, a Antropologia e outras. Neste sentido, a Psicologia da Saúde surge como uma área de intervenção psicológica que não só inclui a saúde física e a saúde mental como, também, abrange todo o campo da Medicina e o transcende, em direcção aos factores sociais, económicos e culturais relacionados com a saúde e a doença.
5. Conclusão
Saúde é o completo bem-estar físico, psíquico e social, ocorrendo conjuntamente, e não apenas ausência de doenças ou enfermidade.
Com o desenvolvimento da medicina empírica na Grécia, na Idade Média, as doenças já não são consideradas um capricho dos deuses nem matéria da magia, mas sim procesos de natureza que obedecem as leis naturais; o corpo humano dispõe de poder natural de cura que é preciso auxiliar e não contrariar durante as doenças; houve o surgimento dos primeiros hospitais e de recolhimentos; quarentenas contra a peste negra e como medida de prevenção e controlo das doenças na comunidade.
Os estudos sociológicos sobre saúde estão mais centrados nas práticas médicas, nas relações entre médico e paciente (Martins apud Martins & Fontes, 2008). Desde os anos setenta, porém, estudos vêm sendo realizados no intuito de explorar as implicações sociológicas de aspectos da saúde que extrapolam a dimensão assistencial-curativa. A articulação entre saúde e sociedade torna-se possível no momento em que se passa a questionar a definição de doença como fator meramente biológico, resgatando-se o lugar da doença na experiência humana.
O conceito de Promoção da Saúde inclui a ideia de que a Saúde pode desenvolver-se ao longo do ciclo da vida e que esta evolução é qualitativa. Inclui ainda a ideia de que a saúde é um processo (e não um estado) que tem a ver com a interacção do organismo com o seu ambiente físico e social.
A Psicologia da Saúde tem como ciências afins a Sociologia, a Medicina, Economia, a Antropologia e outras. Neste sentido, a Psicologia da Saúde surge como uma área de intervenção psicológica que não só inclui a saúde física e a saúde mental como, também, abrange todo o campo da Medicina e o transcende, em direcção aos factores sociais, económicos e culturais relacionados com a saúde e a doença.
6. Referências bibliográficas
Angerami, V. (2000). Psicologia da Saúde: Um novo significado para a prática clínica. Cenage Learning Edições: São Paulo.
Barros, N. F. & Nunes, E. D. (2009). Sociologia, Medicina e a construção da Sociologia da Saúde. Rev Saúde Pública 2009;43(1):169-75
Carapinheiro, G. (2008). A saúde no contexto da Sociologia. Lisboa: Centro de Investigação e Estudos de Sociologia- CIES
Ferreira, T. (1990). Moderna Saúde Pública. (6ª ed.). s/l: Fundação Calouste Gulbenkian
Martins, P. H. & Fontes, B. (2008). A sociologia e a saúde: caminhos cruzados. Recife:UFPE
Matos, M. G. (2004). Psicologia da Saúde, Saúde pública e Saúde Internacional. Disponível em http://www.scielo.oces.mctes.pt/pdf/aps/v22n3/v22n3a03.pdf
Ogden, J. (1999). Psicologia da saúde. Lisboa: Climepsi Editores
Scliar, M. (2007). História do Conceito de Saúde. Rio de Janeiro: Physis
Souza, G. (2008). Psicologia da Saúde. Acessado de:(http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=991), em 28 de Março de 2011
segunda-feira, 28 de março de 2011
Especificação do projecto
Quadro lógico é uma representação hierárquica do projecto. Mostra-nos como identificar as actividades que devem ser executadas para iniciar e terminar o projecto. Tem-se uma meta e diversos objectivos que deverão ser expressos em termos de actividades e trabalho. A técnica para elaborar quadro lógico irá simplificar os mais complexos projectos em actividades e tarefas que podem ser planeadas e executadas com confiança. Quadro lógico é a base para a definição, planeamento, e organização detalhada do ciclo de vida da gestão do projecto. É o documento que guiará o resto do projecto.
Identificar as actividades do projecto
Para executar e planear um projecto complexo, é importante ter uma meta geral e vários objectivos. Cada objectivo terá um número de actividades discretas, identificáveis separadamente. Estas actividades definem o trabalho que deverá ser feito para atingir os objectivos. Estes devem ser especificos e formulados de forma a serem facilmente mensuráveis, e a sua conclusão facilmente verificável.
Quadro lógico
De todos os métodos disponíveis para definir as actividades que compõem o projecto, o que tem sido usado e que tem resistido ao teste do tempo é o WBS. O WBS envolve a previsão do projecto como uma hierarquia de meta, objectivos, actividades, subactividades, e pacotes de trabalho. A decomposição hierárquica das actividades continua até todo projecto ser exibido como uma rede de actividades identificadas separadamente e não sobrepostas. Cada actividade terá um único propósito, com tempo específico de duração e manejável; suas estimativas de tempo e custos facilmente derivadas, entregas claramente perceptíveis, e as actividades para a sua conclusão claramente nomeadas. O WBS facilita o planeamento, orçamento, marcação de horários, e o controlo das actividades para o gestor do projecto e sua equipe.
Características de um quadro lógico
Uma actividade bem definida tem as seguintes características: O seu estado e conclusão são facilmente mensuráveis; tem um evento bem definido de princípio e do fim; é familiar (pode ter sido feito anteriormente) e o tempo para a sua conclusão e seus custos associados podem ser facilmente estimados, desde as experiências anteriores com estas ou outras actividades similares; inclui tarefas do trabalho que são manejáveis, mensuráveis, integráveis, e independentes das tarefas do trabalho em outras actividades; deverá constituir um fluxo contínuo de trabalho, desde o começo ao fim; ao decidir por outras actividades que poderão ser inclusas no projecto, consideremos o seguinte: marcar a entrega de material; actividades subcontratantes que tem impacto nas actividades do projecto; disponibilidade de material, e disponibilidade e treino de pessoal.
Passos para a construção de um quadro lógico/ WBS
Não existem regras específicas para criação do WBS/quadro lógico:
Passo 1: dividir o projecto nos seus objectivos maiores de tal forma que o projecto seja inteiramente definido pelos objectivos; Passo 2: repartir cada objectivo dentro das actividades que deverão ser executadas com a finalidade de atingir o objectivo; Passo 3: para cada actividade que tenha uma ou mais características em falta, dividir tal actividade em subactividades, incluindo-as; Passo 4: repetir o passo 3 até que as subactividades tenham as características desejadas; Passo 5: as subactividades com baixo nível na hierarquia serão as bases para os pacotes de trabalho, que deverão ser executadas de forma a concluir o projecto.
Utilidades do quadro lógico
Uma das maiores utilidades é proporcionar uma visão global e detalhada do projecto. Esta rede será a maior ferramenta de controle usada pelo gestor de projecto, para avaliar o projecto actual versus o progresso planeado, e permitir que as mudanças que virão em seguida, como resultado de tal avaliação. O WBS é o mais fácil de se aprender e a técnica menos propensa a erros para representar as diversas tarefas que compõem até os projectos mais simples.
Estimação do tempo de actividade (situações de elevada especulação)
Para algumas actividades, os tempos de conclusão observados poderão variar consideravelmente. Para outras, até poderão ser relativamente estáveis. As razões para estas variações inclui: nível de habilidade das pessoas que estão a realizar a actividade; variações nas máquinas; disponibilidade de material, e eventos inesperados (doenças, desastres naturais, greves dos funcionários, acidentes industriais, etc).
Existe uma relação estatística de fácil uso que considera estas variações. Esta requer que obtenhamos três tempos estimados da conclusão da actividade: tempo de conclusão optimista; tempo de conclusão pessimista e tempo de conclusão provável. O tempo de conclusão optimista de uma actividade será o tempo desejado, caso tudo corra perfeitamente. O tempo de conclusão pessimista de uma actividade é o tempo requerido, se tudo que pode dar errado, der errado, mas a actividade ainda assim é concluída. O tempo de conclusão provável é o tempo requerido sobre mais situações normais. O “O” representa o tempo optimista, “P” representa o tempo pessimista e o “M” representa o tempo de conclusão provável. Vamos usar estas três estimativas para calcular o “E”, que é o tempo esperado da conclusão da actividade. Neste sentido, para cada actividade precisaremos ter estas três estimativas. Mais tarde nos nossos cálculos, ser-nos-á necessário usar a média do tempo de conclusão da actividade. Esta é uma média ponderada dos tempos de conclusão optimista, pessimista e provável. A fórmula a seguir fornece-nos essa média ponderada. Média do tempo de conclusão da actividade = E = (O+4M+P)/6.
Estimação dos custos de actividade
Existem tipicamente 4 grandes categorias de custos: Trabalho; Material; Outros (viagens, telefone, serviços, etc); Indirecta (também conhecido por topo).
Autores: Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).
Identificar as actividades do projecto
Para executar e planear um projecto complexo, é importante ter uma meta geral e vários objectivos. Cada objectivo terá um número de actividades discretas, identificáveis separadamente. Estas actividades definem o trabalho que deverá ser feito para atingir os objectivos. Estes devem ser especificos e formulados de forma a serem facilmente mensuráveis, e a sua conclusão facilmente verificável.
Quadro lógico
De todos os métodos disponíveis para definir as actividades que compõem o projecto, o que tem sido usado e que tem resistido ao teste do tempo é o WBS. O WBS envolve a previsão do projecto como uma hierarquia de meta, objectivos, actividades, subactividades, e pacotes de trabalho. A decomposição hierárquica das actividades continua até todo projecto ser exibido como uma rede de actividades identificadas separadamente e não sobrepostas. Cada actividade terá um único propósito, com tempo específico de duração e manejável; suas estimativas de tempo e custos facilmente derivadas, entregas claramente perceptíveis, e as actividades para a sua conclusão claramente nomeadas. O WBS facilita o planeamento, orçamento, marcação de horários, e o controlo das actividades para o gestor do projecto e sua equipe.
Características de um quadro lógico
Uma actividade bem definida tem as seguintes características: O seu estado e conclusão são facilmente mensuráveis; tem um evento bem definido de princípio e do fim; é familiar (pode ter sido feito anteriormente) e o tempo para a sua conclusão e seus custos associados podem ser facilmente estimados, desde as experiências anteriores com estas ou outras actividades similares; inclui tarefas do trabalho que são manejáveis, mensuráveis, integráveis, e independentes das tarefas do trabalho em outras actividades; deverá constituir um fluxo contínuo de trabalho, desde o começo ao fim; ao decidir por outras actividades que poderão ser inclusas no projecto, consideremos o seguinte: marcar a entrega de material; actividades subcontratantes que tem impacto nas actividades do projecto; disponibilidade de material, e disponibilidade e treino de pessoal.
Passos para a construção de um quadro lógico/ WBS
Não existem regras específicas para criação do WBS/quadro lógico:
Passo 1: dividir o projecto nos seus objectivos maiores de tal forma que o projecto seja inteiramente definido pelos objectivos; Passo 2: repartir cada objectivo dentro das actividades que deverão ser executadas com a finalidade de atingir o objectivo; Passo 3: para cada actividade que tenha uma ou mais características em falta, dividir tal actividade em subactividades, incluindo-as; Passo 4: repetir o passo 3 até que as subactividades tenham as características desejadas; Passo 5: as subactividades com baixo nível na hierarquia serão as bases para os pacotes de trabalho, que deverão ser executadas de forma a concluir o projecto.
Utilidades do quadro lógico
Uma das maiores utilidades é proporcionar uma visão global e detalhada do projecto. Esta rede será a maior ferramenta de controle usada pelo gestor de projecto, para avaliar o projecto actual versus o progresso planeado, e permitir que as mudanças que virão em seguida, como resultado de tal avaliação. O WBS é o mais fácil de se aprender e a técnica menos propensa a erros para representar as diversas tarefas que compõem até os projectos mais simples.
Estimação do tempo de actividade (situações de elevada especulação)
Para algumas actividades, os tempos de conclusão observados poderão variar consideravelmente. Para outras, até poderão ser relativamente estáveis. As razões para estas variações inclui: nível de habilidade das pessoas que estão a realizar a actividade; variações nas máquinas; disponibilidade de material, e eventos inesperados (doenças, desastres naturais, greves dos funcionários, acidentes industriais, etc).
Existe uma relação estatística de fácil uso que considera estas variações. Esta requer que obtenhamos três tempos estimados da conclusão da actividade: tempo de conclusão optimista; tempo de conclusão pessimista e tempo de conclusão provável. O tempo de conclusão optimista de uma actividade será o tempo desejado, caso tudo corra perfeitamente. O tempo de conclusão pessimista de uma actividade é o tempo requerido, se tudo que pode dar errado, der errado, mas a actividade ainda assim é concluída. O tempo de conclusão provável é o tempo requerido sobre mais situações normais. O “O” representa o tempo optimista, “P” representa o tempo pessimista e o “M” representa o tempo de conclusão provável. Vamos usar estas três estimativas para calcular o “E”, que é o tempo esperado da conclusão da actividade. Neste sentido, para cada actividade precisaremos ter estas três estimativas. Mais tarde nos nossos cálculos, ser-nos-á necessário usar a média do tempo de conclusão da actividade. Esta é uma média ponderada dos tempos de conclusão optimista, pessimista e provável. A fórmula a seguir fornece-nos essa média ponderada. Média do tempo de conclusão da actividade = E = (O+4M+P)/6.
Estimação dos custos de actividade
Existem tipicamente 4 grandes categorias de custos: Trabalho; Material; Outros (viagens, telefone, serviços, etc); Indirecta (também conhecido por topo).
Autores: Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).
Sequência das actividades do projecto
Sequência das actividades do projecto
Usando as actividades da forma como estão representadas na estrutura da subdivisão do trabalho (WBS) podemos construir a sequência em que as actividades do projecto serão realizadas. Tendo em conta que cada actividade tem um custo associado e um tempo de conclusão estimado, pode-se construir uma estimativa do custo total do projecto e seu tempo de conclusão. Um instrumento poderoso para fazer a estimativa do tempo de conclusão do projecto é a representação das actividades do projecto como uma rede de actividades interconectadas.
Identificar actividades críticas
O uso mais importante da rede é de determinar o tempo requerido para concluir o projecto e que tais actividades do projecto são críticas ao projecto que está sendo completado no cronograma. A sequência das actividades que faz o caminho mais longo é conhecido como O caminho crítico. Se as actividades no caminho crítico estão indo bem, o projecto permanecerá no cronograma. Porém, se qualquer das actividades levar mais tempo que o estimado, o tempo da conclusão do projecto será prolongado. Neste caso, o gestor tentará obter recursos adicionais para as actividades do caminho crítico para restaurar o projecto para a sua data de conclusão original.
Tempos de inicío e de conclusão da actividade
Tempos de início e de conclusão prematuros: o tempo de início prematuro (IP) para uma actividade é aquele em que todas actividades predecessoras dessa actividade foram completadas e a actividade de assunto pode iniciar. O tempo início prematuro duma actividade não tendo predecessor é arbitrariamente fixado a zero. O tempo de conclusão prematuro (CP) duma actividade é igual ao seu tempo IP somado ao tempo estimado de conclusão. O tempo início prematuro duma actividade que tem uma actividade predecessora é o tempo CP da actividade predecessora. O tempo IP de actividades tendo duas ou mais actividades predecessoras é o máximo dos tempos CP das actividades predecessoras.
Tempos de Início e de Conclusão Tardios: os tempos de início tardio (IT) e da conclusão tardia (CT) duma actividade são os tempos tardios em que uma actividade pode iniciar (IT) ou ser concluída (CT) sem aumentar o tempo da conclusão do projecto. 1º fixa o tempo CT da última actividade na rede ao tempo CP dessa actividade. O tempo IT dessa actividade é igual ao seu tempo CT menos o seu tempo estimado de conclusão. O tempo CT de todas actividades predecessoras imediatas é o mínimo dos tempos IT de todas as actividades para as quais é predecessor.
Fixação do caminho crítico
Existem duas maneiras de encontrar o caminho crítico numa rede. A 1ª maneira é identificar todas sequências possíveis de actividades através da rede e computar o tempo para completar cada um desses caminhos. A sequência com o tempo de conclusão estimado mais longo será o caminho crítico. A 2ª maneira para encontrar o caminho crítico é computar outra quantidade conhecida como 0 tempo de actividade frouxo (é a soma da demora que podia ser tolerada no tempo de início ou de conclusão duma actividade sem causar uma demora na conclusão do projecto). A sequência das actividades com zero frouxo é definido como o caminho crítico.
Utilização da rede e do caminho crítico
A rede do projecto é um instrumento que o gestor do projecto e a equipa do projecto irão usar ao longo da vida do projecto. Para o gestor é um instrumento para planear, implementar e controlar. Para a equipa é um instrumento para informar os novos membros da equipa sobre o projecto e o seu estado.
Planificação (desde que a rede mostre uma interdependência entre todas actividades do projecto, permite ao gestor ver o projecto na sua totalidade).
Implementação (com o decorrer do projecto, a rede pode ser actualizada, algumas actividades vão requerer mais tempo para sua conclusão do que o tempo estimado).
Controlo (o gestor do projecto estará ciente das variações do plano e das medidas de correção apropriadas a tomar).
O caminho crítico
O tempo esperado da duração do projecto determinado através da análise do caminho crítico e da data de conclusão do projecto providencia pedaços de informação para tomar decisões administrativas. Por exemplo: a data marcada de começo e de conclusão para cada actividade; as actividades cuja conclusão deve ocorrer exactamente como programado por forma a manter o projecto no cronograma; etc.
Autores: Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).
Usando as actividades da forma como estão representadas na estrutura da subdivisão do trabalho (WBS) podemos construir a sequência em que as actividades do projecto serão realizadas. Tendo em conta que cada actividade tem um custo associado e um tempo de conclusão estimado, pode-se construir uma estimativa do custo total do projecto e seu tempo de conclusão. Um instrumento poderoso para fazer a estimativa do tempo de conclusão do projecto é a representação das actividades do projecto como uma rede de actividades interconectadas.
Identificar actividades críticas
O uso mais importante da rede é de determinar o tempo requerido para concluir o projecto e que tais actividades do projecto são críticas ao projecto que está sendo completado no cronograma. A sequência das actividades que faz o caminho mais longo é conhecido como O caminho crítico. Se as actividades no caminho crítico estão indo bem, o projecto permanecerá no cronograma. Porém, se qualquer das actividades levar mais tempo que o estimado, o tempo da conclusão do projecto será prolongado. Neste caso, o gestor tentará obter recursos adicionais para as actividades do caminho crítico para restaurar o projecto para a sua data de conclusão original.
Tempos de inicío e de conclusão da actividade
Tempos de início e de conclusão prematuros: o tempo de início prematuro (IP) para uma actividade é aquele em que todas actividades predecessoras dessa actividade foram completadas e a actividade de assunto pode iniciar. O tempo início prematuro duma actividade não tendo predecessor é arbitrariamente fixado a zero. O tempo de conclusão prematuro (CP) duma actividade é igual ao seu tempo IP somado ao tempo estimado de conclusão. O tempo início prematuro duma actividade que tem uma actividade predecessora é o tempo CP da actividade predecessora. O tempo IP de actividades tendo duas ou mais actividades predecessoras é o máximo dos tempos CP das actividades predecessoras.
Tempos de Início e de Conclusão Tardios: os tempos de início tardio (IT) e da conclusão tardia (CT) duma actividade são os tempos tardios em que uma actividade pode iniciar (IT) ou ser concluída (CT) sem aumentar o tempo da conclusão do projecto. 1º fixa o tempo CT da última actividade na rede ao tempo CP dessa actividade. O tempo IT dessa actividade é igual ao seu tempo CT menos o seu tempo estimado de conclusão. O tempo CT de todas actividades predecessoras imediatas é o mínimo dos tempos IT de todas as actividades para as quais é predecessor.
Fixação do caminho crítico
Existem duas maneiras de encontrar o caminho crítico numa rede. A 1ª maneira é identificar todas sequências possíveis de actividades através da rede e computar o tempo para completar cada um desses caminhos. A sequência com o tempo de conclusão estimado mais longo será o caminho crítico. A 2ª maneira para encontrar o caminho crítico é computar outra quantidade conhecida como 0 tempo de actividade frouxo (é a soma da demora que podia ser tolerada no tempo de início ou de conclusão duma actividade sem causar uma demora na conclusão do projecto). A sequência das actividades com zero frouxo é definido como o caminho crítico.
Utilização da rede e do caminho crítico
A rede do projecto é um instrumento que o gestor do projecto e a equipa do projecto irão usar ao longo da vida do projecto. Para o gestor é um instrumento para planear, implementar e controlar. Para a equipa é um instrumento para informar os novos membros da equipa sobre o projecto e o seu estado.
Planificação (desde que a rede mostre uma interdependência entre todas actividades do projecto, permite ao gestor ver o projecto na sua totalidade).
Implementação (com o decorrer do projecto, a rede pode ser actualizada, algumas actividades vão requerer mais tempo para sua conclusão do que o tempo estimado).
Controlo (o gestor do projecto estará ciente das variações do plano e das medidas de correção apropriadas a tomar).
O caminho crítico
O tempo esperado da duração do projecto determinado através da análise do caminho crítico e da data de conclusão do projecto providencia pedaços de informação para tomar decisões administrativas. Por exemplo: a data marcada de começo e de conclusão para cada actividade; as actividades cuja conclusão deve ocorrer exactamente como programado por forma a manter o projecto no cronograma; etc.
Autores: Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).
quinta-feira, 17 de março de 2011
segunda-feira, 7 de março de 2011
Proposta de projecto
A elaboração de um projecto requer entes de tudo um ambiente adequado para o desenvolvimento das idéias do grupo, requer tempo e paciência para que se possa trabalhar em conjunto, exercitando o respeito e o dom de ouvir o outro.
O presente trabalho surge no âmbito da cadeira de Concepção e Gestão de Projectos com o intuito de analisar, estudar e explicar com base na informação recolhida aspectos inerentes ao tema “Proposta de Projecto”.
Elaborar projectos é uma forma de independência. É uma abordagem para explorar a criatividade humana, a mágica das idéias e o potencial das organizações. É dar vazão para a energia de um grupo, compartilhar a busca da evolução (Kisil, 2001).
Para elaboração do presente trabalho recorreu-se a dados/informação recolhidos de diferentes fontes alternativas afim de clarificar aspectos inerentes ao tema em questão. Para organização do trabalho optou-se pela seguinte estrutura: Definição de conceitos; Propósito; Itens que podem constar na proposta; Lista de controlo da qualidade da Proposta de Projecto: Sim ou Não e Teste ácido da Proposta de Projecto.
2. O que é um projecto
Projecto é definido como um conjunto de actividades, implicando a utilização de recursos diversos, executadas para levar a cabo um determinado objectivo. Também pode ser definido como um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. De acordo com a ONU (1984) citado por Instituto Socioambiental e APREMAVI (2007), um projecto pode ser definido como um empreendimento planeado que consiste num conjunto de actividades interrelacionadas e coordenadas, com o fim de alcançar objectivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo dados.
Os projectos e as operações diferem, principalmente, no facto de que os projectos são temporários e exclusivos, enquanto as operações são contínuas e repetitivas. Os projectos são normalmente autorizados como resultado de uma ou mais considerações estratégicas. Estas podem ser uma demanda de mercado, necessidade organizacional, solicitação de um cliente, avanço tecnológico ou requisito legal. São exemplos típicos de projectos: grandes obras pontuais: (pontes, barragens, edifícios, fábricas, aeroportos, centrais térmicas, ETARs, etc.); grandes obras lineares (estradas, vias férreas, gasodutos, linhas eléctricas MAT/AT, etc.); arranques de empresas ou novos negócios; grandes reparações, manutenções.
3. Propósito da proposta de projecto
O propósito da proposta de projecto é de providenciar:
Uma declaração da necessidade a ser resolvida, a aproximação geral sendo executada, e os benefícios resultantes que são esperados;
Uma descrição completa das actividades do projecto, timeline, e os requisitos do recursos necessitados pela administração para decidir se o projecto pode proceder à fase da implementação;
Um instrumento dinâmico para o gestor do projecto e a equipa do projecto para utilizar na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projecto;
Um documento de referência para o controlo da gestão;
Uma assistência sumária e treino para os novos membros da equipa do projecto; e
Um documento sumário para os outros na organização que precisam estar cientes dos detalhes do projecto.
A proposta é claramente o documento-chave no projecto. É, simultaneamente, um instrumento de tomada de decisão, controlo da gestão, treinamento e informativo. É escrito para ser entendido e usado pela gestão sénior, gestão de projecto, membros da equipa de projecto, oustros gestores e profissionais com uma necessidade de saber.
Segundo Oliveira (2009), uma proposta simples, básica e fundamentada precisa assumir compromissos claros e objetivos. Se quem a elabora tem conhecimento da solicitação do contratante e do trabalho, não precisa ter receio de redigir compromissos e obrigações. Este receio é directamente proporcional à falta de conhecimento ou da capacidade de atender a uma determinada solicitação.
4. Itens que podem constar na proposta
Em primeiro lugar, vamos identificar e descrever cada pedaço da informação contida na proposta.
Nome do projecto: é um rótulo de duas ou três palavras que irá identificar o projecto.
Gestor do projecto: a pessoa responsável pelo projecto. É a pessoa responsável por concluir o projecto em tempo, dentro do orçamento, e de acordo com a especificação.
Actividade: é um espaço composto por 3 partes que identificam a actividade pelo número e depois por um nome curto mas descritivo dado à actividade. A terceira parte do espaço é uma descrição da actividade em sí. Será uma declaração específica em termos precisos do trabalho a ser executado.
Horário: é dado a data estimada do início e do fim de cada actividade, baseiando-se na análise da rede do projecto. Assim que o projecto progride essas datas podem mudar. Essas são as datas em que o gestor de projectoestará pronto para começar e espera completar cada actividade no projecto.
Orçamento do projecto: a informação do orçamento neste relatório é agregada ao nível da actividade. Mais informaçã pode ser providenciada como anexos se essa for a preferência da gestão do topo. Planear o orçamento é uma arte assim como ciência. Veja os seguintes cenários:
Subestimação dos custos do projecto: a administração pode evitar estimativas de custos de actividade que percebem ser altos, mas não há necessidade de ser excessivamente optimista nem pressionado a subestimar só para ganhar uma reacção favorável. A administração sénior irá desafiar sempre uma estimativa, só para ver se é defensável.
Não é incomum para os gestores de projecto com menos experiência ser muito optimistas relativamente ao tempo e aos custos. Em alguns casos tais estimativas podem ser dadas por forma a ser mais competitivas com relação a outros projectos disputando apoio da administração ou do cliente. Em alguns casos estimativas abaixo do custo podem ser feitas só para conseguir o contrato. Tratar um projecto como um líder de perda na expectativa de que mais projectos irão seguir não é uma estratégia incomum.
Superestimação dos custos do projecto: superestimação compra seguro contra atrasos inesperados e problemas que vão requerer voltar ao bem e sofrer o embaraço criado. O perigo da superestimação é que a administração não irá aprovar o projecto porque as análises do custo/benefício sugerem que aprovando o projecto não será uma boa decisão de negócio.
Estimar o orçamento
Estimativas de rendimento e despesa: muitos projectos afectam a renda. Por exemplo, o projecto pode envolver o planeamento, desenvolvimento, e distribuição do novo produto/serviço; a reposição de produtos/serviços existentes, ou a mudança de qualquer um nos passos dos passos na cadeia de logística (procuração, fabrico, inventário, distribuição); ou resolução de problema. Tudo isto terá implicações financeiras, e a administração sénior vai querer a tua melhor estimativa do impacto nas rendas e despesas antes de a aprovação ser dada.
5. Lista de controlo da qualidade da Proposta de Projecto: Sim ou Não
-------Peritos e pessoas experientes foram usados para ajudar a estimar e rever cada actividade do orçamento.
-------todas categorias de custos para cada actividade foram aestimadas (mão-de-obra, equipamento, viagem, provisões, etc.).
-------estimativas para todos custos de recursos internos foram feitas antes da necessidade ou uso dos recursos externos ser estimada.
-------estimativas de custos são realísticas e conservativas.
-------estimativas de custos são compreensivas para cada actividade; não há custos escondidos ou surpresas.
6. Teste ácido da Proposta de Projecto
1.Comparou os orçamentos em todas actividades e determinou quaisquer discrepâncias salientes.
2.A equipa central do projecto revisou os métodos de estimação do orçamento e aprovou a consistência e a objectividade.
3.O custo total do projecto foi estimado e tem a sua aprovação da necessidade razoável, nenhuma surpresa, nehuns custos ocultos, nenhuma probabilidade do custo exceder.
7. Conclusão
A proposta de projecto representa a transição de planificação (definir, plano), para implementação (organizar, controlo, encerramento). É a fundação sobre a qual o balanço do projecto assenta e a base sobre a qual todas decisões gerenciais serão tomadas.
É fundamental que na proposta do projecto constem os seguintes itens: nome do projecto, gestor, actividades, horário, orçamento do projecto (subestimação dos custos do projecto, superestimação dos custos do projecto, estimar o orçamento).
A proposta de projecto tem o objectivo de providenciar: uma declaração da necessidade a ser resolvida, a aproximação geral sendo executada, e os benefícios resultantes que são esperados; uma descrição completa das actividades do projecto, timeline, e os requisitos do recursos necessitados pela administração para decidir se o projecto pode proceder à fase da implementação; um instrumento dinâmico para o gestor do projecto e a equipa do projecto para utilizar na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projecto; um documento de referência para o controlo da gestão; uma assistência sumária e treino para os novos membros da equipa do projecto; um documento sumário para os outros na organização que precisam estar cientes dos detalhes do projecto.
8. Referências bibliográficas
Instituto Socioambiental e APREMAVI (2007). Pequeno Manual para Elaboração de Projetos Sócio-Ambientais. Acessado no dia 1 Março de 2011 em
http://www.scribd.com/doc/33386990/Manual-Elaboracao-de-Projetos.
Kisil, R. (2001). Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil. São Paulo: Global.
Oliveira, P. (2009). Proposta de Projeto. Acessado no dia 1 Março de 2011 em http://paulooliveira.wordpress.com/2009/05/19/proposta-de-projeto-ii/.
Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).5-Phase Project Management. Cambrige: Perseus Books.
O presente trabalho surge no âmbito da cadeira de Concepção e Gestão de Projectos com o intuito de analisar, estudar e explicar com base na informação recolhida aspectos inerentes ao tema “Proposta de Projecto”.
Elaborar projectos é uma forma de independência. É uma abordagem para explorar a criatividade humana, a mágica das idéias e o potencial das organizações. É dar vazão para a energia de um grupo, compartilhar a busca da evolução (Kisil, 2001).
Para elaboração do presente trabalho recorreu-se a dados/informação recolhidos de diferentes fontes alternativas afim de clarificar aspectos inerentes ao tema em questão. Para organização do trabalho optou-se pela seguinte estrutura: Definição de conceitos; Propósito; Itens que podem constar na proposta; Lista de controlo da qualidade da Proposta de Projecto: Sim ou Não e Teste ácido da Proposta de Projecto.
2. O que é um projecto
Projecto é definido como um conjunto de actividades, implicando a utilização de recursos diversos, executadas para levar a cabo um determinado objectivo. Também pode ser definido como um esforço temporário empreendido para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. De acordo com a ONU (1984) citado por Instituto Socioambiental e APREMAVI (2007), um projecto pode ser definido como um empreendimento planeado que consiste num conjunto de actividades interrelacionadas e coordenadas, com o fim de alcançar objectivos específicos dentro dos limites de um orçamento e de um período de tempo dados.
Os projectos e as operações diferem, principalmente, no facto de que os projectos são temporários e exclusivos, enquanto as operações são contínuas e repetitivas. Os projectos são normalmente autorizados como resultado de uma ou mais considerações estratégicas. Estas podem ser uma demanda de mercado, necessidade organizacional, solicitação de um cliente, avanço tecnológico ou requisito legal. São exemplos típicos de projectos: grandes obras pontuais: (pontes, barragens, edifícios, fábricas, aeroportos, centrais térmicas, ETARs, etc.); grandes obras lineares (estradas, vias férreas, gasodutos, linhas eléctricas MAT/AT, etc.); arranques de empresas ou novos negócios; grandes reparações, manutenções.
3. Propósito da proposta de projecto
O propósito da proposta de projecto é de providenciar:
Uma declaração da necessidade a ser resolvida, a aproximação geral sendo executada, e os benefícios resultantes que são esperados;
Uma descrição completa das actividades do projecto, timeline, e os requisitos do recursos necessitados pela administração para decidir se o projecto pode proceder à fase da implementação;
Um instrumento dinâmico para o gestor do projecto e a equipa do projecto para utilizar na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projecto;
Um documento de referência para o controlo da gestão;
Uma assistência sumária e treino para os novos membros da equipa do projecto; e
Um documento sumário para os outros na organização que precisam estar cientes dos detalhes do projecto.
A proposta é claramente o documento-chave no projecto. É, simultaneamente, um instrumento de tomada de decisão, controlo da gestão, treinamento e informativo. É escrito para ser entendido e usado pela gestão sénior, gestão de projecto, membros da equipa de projecto, oustros gestores e profissionais com uma necessidade de saber.
Segundo Oliveira (2009), uma proposta simples, básica e fundamentada precisa assumir compromissos claros e objetivos. Se quem a elabora tem conhecimento da solicitação do contratante e do trabalho, não precisa ter receio de redigir compromissos e obrigações. Este receio é directamente proporcional à falta de conhecimento ou da capacidade de atender a uma determinada solicitação.
4. Itens que podem constar na proposta
Em primeiro lugar, vamos identificar e descrever cada pedaço da informação contida na proposta.
Nome do projecto: é um rótulo de duas ou três palavras que irá identificar o projecto.
Gestor do projecto: a pessoa responsável pelo projecto. É a pessoa responsável por concluir o projecto em tempo, dentro do orçamento, e de acordo com a especificação.
Actividade: é um espaço composto por 3 partes que identificam a actividade pelo número e depois por um nome curto mas descritivo dado à actividade. A terceira parte do espaço é uma descrição da actividade em sí. Será uma declaração específica em termos precisos do trabalho a ser executado.
Horário: é dado a data estimada do início e do fim de cada actividade, baseiando-se na análise da rede do projecto. Assim que o projecto progride essas datas podem mudar. Essas são as datas em que o gestor de projectoestará pronto para começar e espera completar cada actividade no projecto.
Orçamento do projecto: a informação do orçamento neste relatório é agregada ao nível da actividade. Mais informaçã pode ser providenciada como anexos se essa for a preferência da gestão do topo. Planear o orçamento é uma arte assim como ciência. Veja os seguintes cenários:
Subestimação dos custos do projecto: a administração pode evitar estimativas de custos de actividade que percebem ser altos, mas não há necessidade de ser excessivamente optimista nem pressionado a subestimar só para ganhar uma reacção favorável. A administração sénior irá desafiar sempre uma estimativa, só para ver se é defensável.
Não é incomum para os gestores de projecto com menos experiência ser muito optimistas relativamente ao tempo e aos custos. Em alguns casos tais estimativas podem ser dadas por forma a ser mais competitivas com relação a outros projectos disputando apoio da administração ou do cliente. Em alguns casos estimativas abaixo do custo podem ser feitas só para conseguir o contrato. Tratar um projecto como um líder de perda na expectativa de que mais projectos irão seguir não é uma estratégia incomum.
Superestimação dos custos do projecto: superestimação compra seguro contra atrasos inesperados e problemas que vão requerer voltar ao bem e sofrer o embaraço criado. O perigo da superestimação é que a administração não irá aprovar o projecto porque as análises do custo/benefício sugerem que aprovando o projecto não será uma boa decisão de negócio.
Estimar o orçamento
Estimativas de rendimento e despesa: muitos projectos afectam a renda. Por exemplo, o projecto pode envolver o planeamento, desenvolvimento, e distribuição do novo produto/serviço; a reposição de produtos/serviços existentes, ou a mudança de qualquer um nos passos dos passos na cadeia de logística (procuração, fabrico, inventário, distribuição); ou resolução de problema. Tudo isto terá implicações financeiras, e a administração sénior vai querer a tua melhor estimativa do impacto nas rendas e despesas antes de a aprovação ser dada.
5. Lista de controlo da qualidade da Proposta de Projecto: Sim ou Não
-------Peritos e pessoas experientes foram usados para ajudar a estimar e rever cada actividade do orçamento.
-------todas categorias de custos para cada actividade foram aestimadas (mão-de-obra, equipamento, viagem, provisões, etc.).
-------estimativas para todos custos de recursos internos foram feitas antes da necessidade ou uso dos recursos externos ser estimada.
-------estimativas de custos são realísticas e conservativas.
-------estimativas de custos são compreensivas para cada actividade; não há custos escondidos ou surpresas.
6. Teste ácido da Proposta de Projecto
1.Comparou os orçamentos em todas actividades e determinou quaisquer discrepâncias salientes.
2.A equipa central do projecto revisou os métodos de estimação do orçamento e aprovou a consistência e a objectividade.
3.O custo total do projecto foi estimado e tem a sua aprovação da necessidade razoável, nenhuma surpresa, nehuns custos ocultos, nenhuma probabilidade do custo exceder.
7. Conclusão
A proposta de projecto representa a transição de planificação (definir, plano), para implementação (organizar, controlo, encerramento). É a fundação sobre a qual o balanço do projecto assenta e a base sobre a qual todas decisões gerenciais serão tomadas.
É fundamental que na proposta do projecto constem os seguintes itens: nome do projecto, gestor, actividades, horário, orçamento do projecto (subestimação dos custos do projecto, superestimação dos custos do projecto, estimar o orçamento).
A proposta de projecto tem o objectivo de providenciar: uma declaração da necessidade a ser resolvida, a aproximação geral sendo executada, e os benefícios resultantes que são esperados; uma descrição completa das actividades do projecto, timeline, e os requisitos do recursos necessitados pela administração para decidir se o projecto pode proceder à fase da implementação; um instrumento dinâmico para o gestor do projecto e a equipa do projecto para utilizar na tomada de decisões ao longo do ciclo de vida do projecto; um documento de referência para o controlo da gestão; uma assistência sumária e treino para os novos membros da equipa do projecto; um documento sumário para os outros na organização que precisam estar cientes dos detalhes do projecto.
8. Referências bibliográficas
Instituto Socioambiental e APREMAVI (2007). Pequeno Manual para Elaboração de Projetos Sócio-Ambientais. Acessado no dia 1 Março de 2011 em
http://www.scribd.com/doc/33386990/Manual-Elaboracao-de-Projetos.
Kisil, R. (2001). Elaboração de Projetos e Propostas para Organizações da Sociedade Civil. São Paulo: Global.
Oliveira, P. (2009). Proposta de Projeto. Acessado no dia 1 Março de 2011 em http://paulooliveira.wordpress.com/2009/05/19/proposta-de-projeto-ii/.
Weiss, J. & Wysocki, R. (1992).5-Phase Project Management. Cambrige: Perseus Books.
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